Aliviando a Bagagem
Max Lucado
Livre-se das cargas que voc nunca deveria ter carregado
  A Promessa do Salmo 23
Ttulo original: Traveling Light
Traduo: Marta Doreto de Andrade
Casa Publicadora das Assemblias de Deus
As citaes bblicas foram extradas da verso Almeida
Revista e Corrigida, edio de 1995, da Sociedade
Bblica do Brasil, salvo indicao em contrrio.
Digitalizador: desconhecido
Revisado e formatado por SusanaCap
WWW.PORTALDETONANDO.COM.BR/FORUMNOVO/

Ao meu querido amigo Joey Paul,
celebrando os trinta anos de
 palavras na Palavra,
partilhando a Palavra.
***
Sumrio
VIAJANTES CANSADOS        2
AGRADECIMENTOS        3
1 -  A BAGAGEM DA VIDA        4
2 - O D DA VIDA        11
3 - VOU FAZER DO MEU JEITO        18
4 - A PRISO DO QUERER        25
5 - EU LHE DAREI DESCANSO        31
6  E SE E COMO POSSO        38
7 - L FORA  UMA SELVA        45
8 - UMA TROCA CELESTIAL        50
9 - SUPLANTE A SI MESMO        56
10 - EU O LEVAREI PARA O LAR        63
11 - QUANDO CHEGA O PRANTO        70
12 - DO PNICO  PAZ        76
13 - NOITES SILENCIOSAS E DIAS SOLITRIOS        81
14 - O CANTO DO GALO E EU        88
15 - OVELHAS UNGIDAS E FERIDAS CURADAS        95
16 - COMPOTAS E GELIAS        101
17 - A AMOROSA PERSEGUIO DE DEUS        108
18 - QUASE CU        115
CONCLUSO        123


VIAJANTES CANSADOS
Voc os tem visto - com tudo o que eles prprios 
metem na bagagem - cambaleando pelos terminais e 
vestbulos de hotis, com malas abarrotadas, bas, mochilas 
e sacolas.
  Dor nas costas. Ps ardendo. Plpebras cadas. 
Todos j vimos pessoas assim. As vezes, ns somos 
pessoas assim - se no com nossas bagagens fsicas, ao 
menos com nossas cargas espirituais.
  Todos arrastamos fardos para os quais no fomos 
feitos. 
Medo. Preocupao. Descontentamento.
  No admira ficarmos to cansados. Estamos exaustos 
de carregar excesso de bagagens. No seria timo perder 
algumas destas malas? Este  o convite de Max Lucado. 
Com o Salmo 23 como guia, larguemos alguns destes 
carregamentos para os quais no fomos feitos.

Agradecimentos
Eis aqui uns bem-merecidos tapinhas em algumas costas 
robustas:
Para Liz Heaney e Karen Hill - minhas editoras e minha 
assistente, parteiras do manuscrito. Sinto ter gemido tanto.
Para Steve e Cheryl Green - meus representantes e amigos. 
Por causa de vocs, contratos so lidos e contas so pagas, e 
este garoto velho dorme bem  noite.
Para Greg Pruett - tradutor de Bblia e estudioso do hebraico. 
Obrigado por seus valiosos insights.
Para Eugene Peterson - tradutor de Bblia, autor e, para 
muitos, heri. Obrigado por me deixar usar o ttulo.  
E, principalmente, obrigado por partilhar seu corao.
Para Steve Halliday - autor de guias de estudo por excelncia.
Aos meus amigos do W Publishing Group. Mais uma vez, 
vocs so os melhores.
Para Laura Kendall e Carol Bartley - as grandes detetives da 
lngua inglesa. Obrigado por me fazerem parecer talentoso.
Para Jenna, Andrea e Sara - minhas filhas adorveis. Eu no 
poderia estar mais orgulhoso.
Para Denalyn - minha esposa de duas dcadas. Antes de voc 
nascer, onde os poetas buscavam inspirao?
A voc, leitor. Possa o real Autor falar com voc.
E, acima de tudo, a ti, Jesus. A nica razo por que posso 
largar a carga  que o Senhor est l para peg-la. 
Todos os aplausos so para ti.

1 -  A BAGAGEM DA VIDA
Nunca viajei sem bagagem.
Tentei. Acredite-me, eu tentei. Porm, desde que 
levantei trs dedos no ar e fiz o juramento do escoteiro, 
prometendo estar preparado, determinei-me a ser exatamente 
isto: preparado.
Preparado para um bar mitzvah, uma apresentao de 
beb, ou uma festa a rigor. Preparado para saltar de pra-
quedas atrs das linhas inimigas ou entrar numa competio 
de crquete. E, para o caso de o Dalai Lama estar em meu vo 
e convidar-me a jantar no Tibete, carrego raquetes de neve.  
preciso estar preparado.
No sei como viajar sem bagagem.
Verdade seja dita, h um monte de coisas sobre 
viagens que eu no sei. No sei como interpretar as restries 
de um assento super econmico - metade do preo se voc 
viaja na quarta-feira, durante a temporada de caa ao pato, e 
regressa na lua cheia, num ano sem eleio. No sei porque 
no constroem o avio inteiro com o mesmo material que 
usam para a caixa preta. No sei como escapar do banheiro 
de um avio sem sacrificar um dos meus membros s 
mandbulas da porta de duas folhas. E no sei o que dizer a 
camaradas como o taxista do Rio, que percebendo ser eu 
americano, perguntou-me se eu conhecia o seu primo Eddie, 
que mora nos Estados Unidos.
H muita coisa sobre viagem que eu no sei.
No sei por que ns, homens, preferimos afagar um 
crocodilo a pedir informaes sobre o caminho. No sei por 
que slides de frias no so usados no tratamento de 
insnias, e no sei quando aprenderei a no comer alimentos 
cujos nomes sou incapaz de pronunciar.
Mas acima de tudo, no sei como viajar sem bagagem.
No sei como viajar sem barras de granola, sodas, e 
equipamento de chuva. No sei como viajar sem lanterna 
eltrica, um gerador, e um sistema de rastreamento global. 
No sei como viajar sem uma caixa de isopor com salsichas 
vienenses. E se eu topar com um churrasco de fundo de 
quintal? No levar nada para a festa seria indelicadeza.
Todos os catlogos de empresas de viagem do mundo 
inteiro possuem o nmero do meu carto de crdito. Tenho 
um ferro de passar que se dobra como um peso de papel, um 
secador de cabelos do tamanho de um apito de treinador, 
uma faca do exrcito suo que se expande numa tenda para 
filhotes, e uma cala que infla sob impacto (Em um vo, 
minha esposa, Denalyn, deu-me um tapa na perna, e eu no 
pude sair do assento).
No sei como viajar sem bagagem. Mas preciso 
aprender. 
Denalyn recusa-se a dar  luz mais um filho, embora 
as companhias areas permitam a cada passageiro trs malas 
e duas bolsas de mo.
Preciso aprender a viajar sem bagagem.
Voc est se perguntando por que no posso. Liberte-
se!, voc est pensando. No se pode aproveitar uma viagem 
carregando tantas coisas. Por que voc simplesmente no 
larga toda essa bagagem?
Brincadeira? Voc deve estar indagando. E eu gostaria 
de inquirir o mesmo de voc. Voc tambm no  conhecido 
por carregar alguma bagagem?
Possivelmente, voc o fez esta manh. Em algum lugar 
entre o primeiro passo ao sair da cama e o ltimo passo ao 
sair pela porta, voc agarrou alguma bagagem. Voc 
caminhou at a esteira rolante e agarrou a carga. No se 
lembra?  porque voc fez sem pensar. No se lembra de ter 
visto o terminal de bagagem?  porque a esteira no  aquela 
do aeroporto;  a da mente. E as malas que carregamos no 
so feitas de couro; so feitas de encargos.
A valise de culpa. Um saco de desgosto. Voc acomoda 
a grossa sacola de fadiga sobre um ombro, e pendura a bolsa 
de aflio no outro. Adiciona uma mochila de dvidas, mais a 
mala postal noturna de solido, e um ba de temores. Logo 
voc estar arrastando mais trastes que um carregador. No 
admira que voc esteja to cansado ao final do dia. Puxar 
bagagem  exaustivo.
O que voc estava dizendo a mim, Deus est dizendo a 
voc: "Arrie a carga. Voc est carregando pesos que no tem 
de suportar".
"Vinde a mim", Ele convida, "todos os que estais 
cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt 11.28).
Se ns lho permitirmos, Deus tornar mais leve o 
nosso fardo. 
Porm, como permiti-lo? Posso convidar um velho 
amigo para nos mostrar? O Salmo 23.

O Senhor  o meu pastor; 
nada me faltar.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente s guas tranqilas.
Refrigera a minha alma;
guia-me pelas veredas da justia por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, 
no temeria mal algum,
porque tu ests comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presena dos meus 
inimigos,
unges a minha cabea com leo, 
o meu clice transborda.
Certamente que a bondade e a misericrdia me seguiro 
todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Existem palavras mais amadas? Emolduradas e 
penduradas em sagues de hospitais, rabiscadas em paredes 
de presdios, citadas pelos vigorosos e cochichadas pelos 
moribundos. Nestas linhas, marinheiros tm achado um 
porto, os amedrontados tm encontrado um pai, e os que 
lutam pela vida tm deparado com um amigo.
E por ser to profundamente amada, a passagem  
vastamente conhecida. Voc pode apontar um ouvido onde 
estas palavras jamais caram? Musicadas em centenas de 
canes, traduzidas em milhares de lnguas, domiciliadas em 
milhes de coraes.
Um desses coraes pode ser o seu. Que afinidade voc 
experimenta com estas palavras? Para onde estes versos 
transportam voc? Ao p de uma lareira?  beira de uma 
cama? Junto a um tmulo? Dificilmente se passa uma 
semana sem que eu volte a eles. Esta passagem  para o 
ministro o que o blsamo  para o mdico. Recentemente 
apliquei-as ao corao de um querido amigo. Chamado  sua 
casa com as palavras "Os mdicos no lhe do mais que 
alguns dias", olhei para ele e compreendi. Rosto plido. 
Lbios esticados e ressecados. A pele pregueada entre os 
ossos como o pano de um guarda-chuva velho entre as 
varetas. O cncer havia tirado muito: seu apetite, sua fora, 
seus dias. 
Mas o cncer no tocara sua f. Puxando uma cadeira 
para junto de sua cama, e apertando-lhe a mo, cochichei: 
"Bil, O Senhor  o meu pastor; nada me faltar. Ele 
rolou a cabea para mim como que dando boas-vindas s 
palavras.
"Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente 
as guas tranqilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas 
veredas da justia por amor do seu nome".
Ao chegar ao quarto verso, receando que ele no me 
pudesse ouvir, inclinei-me at poucas polegadas de seus 
ouvidos e disse: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra 
da morte, no temeria mal algum, porque tu ests comigo; a 
tua vara e o teu cajado me consolam".
Ele no abriu os olhos, mas arqueou as sobrancelhas. 
Ele no falou, mas seus dedos magros encresparam-se 
em torno dos meus, e eu me perguntei se o Senhor o estava 
ajudando a depor alguma bagagem - o medo da morte.
Voc tem alguma bagagem? Voc acha que Deus pode 
usar o salmo de Davi para aliviar-lhe a carga? Viajar sem 
bagagem significa confiar a Deus as cargas para as quais 
voc no foi destinado.
Por que voc no tenta viajar sem peso? Tente-o por 
amor daqueles a quem voc ama. Voc j considerou o 
impacto que o excesso de bagagem tem sobre um 
relacionamento? Temos tratado disto em nossa igreja atravs 
de um drama. Encenamos um casamento no qual podemos 
ouvir os pensamentos do noivo e da noiva. O noivo entra, 
carregado de bagagens. Um saco pendurado em cada brao e 
perna. Em cada saco um letreiro: culpa, ira, arrogncia, 
insegurana. Este companheiro est carregado. 
Enquanto ele se posiciona no altar, o auditrio ouve os 
seus pensamentos: Finalmente, uma mulher que me ajudar 
a carregar toda esta bagagem. Ela  to estvel, to forte, 
to...
Enquanto seus pensamentos continuam, os dela 
comeam.
Ela entra usando um vestido de noiva, mas, assim 
como o noivo, coberta de bagagens. Puxando uma sacola, 
uma bolsa a tiracolo, um estojo de maquiagem, um saco de 
papel - tudo o que voc puder imaginar, e cada coisa 
etiquetada. 
Ela tem a sua prpria bagagem: preconceito, solido, 
desapontamentos... E sua expectao? Oua o que ela est 
pensando: Mais alguns minutos e eu terei um homem. Nada 
mais de conselheiros. Nada mais de terapia em grupo. 
Adeus desencorajamento e preocupaes. Nunca mais 
os verei. Ele vai tratar de mim.
Finalmente eles se pem no altar, perdidos numa 
montanha de bagagem. Eles sorriem um para o outro durante 
a cerimnia, mas quando so convidados a se beijar, no 
podem faz-lo. Como abraar algum se os seus braos se 
acham repletos de fardos?
Por aqueles que voc ama, aprenda a depor a carga.
E por amor ao Deus que voc serve, faa o mesmo. 
Voc sabe, ele quer usar voc. Porm, como poder faz-lo, se 
voc est exausto? Esta verdade ocorreu-me ontem  tarde, 
numa corrida. Preparando-me para correr, eu no podia 
decidir o que usar. O sol estava de fora, mas o vento estava 
frio. O cu estava claro, mas havia previso de chuva. Casaco 
ou moletom? O escoteiro dentro de mim prevaleceu. Vesti 
ambos.
Peguei meu walkman, mas no conseguia decidir que 
fita levar. Um sermo ou uma msica? Adivinhou. Levei 
ambos. 
Precisando estar em contato com minhas filhas, levei 
um celular. Para que ningum roubasse meu carro, embolsei 
as chaves. Numa precauo contra a sede, levei comigo uma 
pochete com algum dinheiro para refrescos. Parecia mais um 
burro de carga que um corredor! Com menos de um 
quilmetro, eu estava tirando o casaco e escondendo-o num 
arbusto. Esse tipo de peso diminuir a sua marcha.
O que  verdade em corrida  verdade na f. Deus tem 
uma grande corrida para voc participar. Sob o cuidado dele, 
voc ir onde nunca esteve e servir de maneiras que jamais 
imaginou. Porm ter de largar alguma coisa. 
Como voc pode partilhar graa, se est cheio de 
culpa? 
Como pode oferecer conforto, se est desalentado?
Como levantar a carga de algum, se os seus braos 
esto carregados com a sua prpria?
Por aqueles a quem voc ama, viaje sem bagagem.
Pelo Deus a quem voc serve, viaje sem bagagem.
Para sua prpria alegria, viaje sem bagagem.
H certos pesos na vida que voc simplesmente no 
pode carregar. Seu Senhor est lhe pedindo para larg-los e 
confiar nEle. Ele  o pai que reivindica a bagagem. 
Quando um pai v o filho de cinco anos tentando 
puxar da esteira rolante a mala da famlia, o que ele diz? O 
pai dir ao filho o mesmo que Deus est dizendo a voc.
"Largue isto filho. Eu a carregarei".
O que voc acha de aceitarmos o oferecimento de 
Deus? 
Poderamos simplesmente achar-nos viajando um 
pouco mais leves.
De qualquer modo, posso ter exagerado sobre minha 
bagagem. (Geralmente no carrego raquetes de neve.) Mas 
no posso exagerar sobre a promessa de Deus: "Lanando 
sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de 
vs" (1 Pe 5.7).
2 - O D da Vida
O Fardo de um Deus Menor
O SENHOR
Salmos 23.1
Estou a apenas cinco passos da guia. Suas asas esto 
abertas, e suas garras, levantadas acima do galho. Penas 
brancas cobrem-lhe a cabea, e seus olhos pretos 
perscrutam-me de ambos os lados de um bico dourado. Est 
to prxima que posso toc-la. To perto que posso acarici-
la. Basta inclinar-me e esticar o brao direito, e posso cobrir 
com a mo a crista da guia.
  Mas no o fao. No me aproximo. Por que no? 
Estou com medo dela?
Dificilmente. Ela no tem se movido nos ltimos dois 
anos. A princpio, quando abri a caixa, ela impressionou-me. 
Quando a pus na estante pela primeira vez, admirei-a. 
guias artificiais so bonitas por algum tempo, mas 
logo voc se acostuma com elas. Davi est preocupado com o 
risco de voc e eu cometermos o mesmo engano acerca de 
Deus. Sua pena mal tocou o papiro, e ele insiste conosco para 
evitarmos deuses de nossa prpria fabricao. Logo com as 
primeiras palavras deste salmo, Davi dispe-se a livrar-nos do 
peso de uma divindade menor.
Alguns podem argumentar que ele no buscou fazer 
nada mais. Embora ele falar de pastos verdes, sua proposta 
no  descanso. Ele descrever o vale da sombra da morte, 
mas o seu poema no  uma ode  morte. Ele contar da casa 
eterna de Deus, mas o seu tema no  o cu. Por que Davi 
escreveu o Salmo 23? Para edificar nossa confiana em 
Deus... para recordar-nos quem Ele .
Neste salmo, Davi devota cento e cinco palavras para 
explicar as duas primeiras:' "O Senhor". Na arena da 
bagagem desnecessria, o salmista comea com o mais 
pesado: o deus remodelado. Algum que parece agradvel, 
mas realiza pouco. Deuses como...
Um gnio na garrafa. Conveniente. genial. Precisa de 
um lugar no estacionamento, uma data, um gol marcado ou 
perdido? Tudo o que voc faz  esfregar a garrafa e puf -  
seu. E, o que  ainda melhor, este deus volta para dentro da 
garrafa depois de faz-lo.
Um doce vov. To corao-mole. To sbio. To 
bondoso. Porm muito, muito, muito velho. Vovs so timos 
quando esto acordados, mas costumam dormitar 
involuntariamente quando se precisa deles.
Um pai ocupado. Parte na segunda, retorna no sbado. 
Um monte de viagens e reunies de negcios. Contudo, ele 
aparecer no domingo. Ento ponha tudo em ordem e parea 
espiritual. Na segunda-feira, seja voc novamente. Ele nunca 
saber.
J teve estas concepes de Deus? Se j, voc sabe os 
problemas que elas causam. Um pai ocupado no tem tempo 
para as suas perguntas. Um vov bondoso  fraco demais 
para carregar as suas cargas. E se o seu deus  um gnio na 
garrafa, voc  mais importante que ele. Ele vem e vai ao seu 
comando. Um deus que parece agradvel, mas realiza pouco.
Lembro-me de uma pasta que possu. Desejaria culpar 
o vendedor, mas no posso. A compra foi deciso minha. 
Porm ele, com certeza, a fez facilmente. Eu no 
precisava de uma nova pasta. A que eu tinha estava tima. 
Manchada e arranhada, mas tima. A tinta estava 
gasta no fecho, e os cantos esfolados, mas a maleta era 
tima.
Oh, mas esta outra, a nova, para usar as palavras do 
jovem universitrio na loja de artigos de couro, era "realmente 
tima". Cheia de feitios: proteo de cobre nos cantos, couro 
macio da Espanha, e, acima de tudo, um nome italiano perto 
da ala. O vendedor mostrou-me sua lbia e entregou-me a 
pasta, e eu comprei ambas.
Deixei a loja com uma pasta que usei, talvez, duas 
vezes. O que eu estava pensando? Ela leva to pouca coisa. 
Minha velha pasta no possua cantos revestidos de cobre, 
mas tinha uma barriga de esturjo. Esta nova me lembra 
uma top-model: magra, esticada e de poucas palavras. Um 
livro e um jornal, e esta maleta italiana fica "chessima".
A pasta parece tima, mas no faz nada.
 esta a espcie de Deus que voc quer?  esta a 
espcie de Deus que temos?
A resposta de Davi  um no retumbante. "Voc quer 
saber quem Deus  realmente?", pergunta ele. "Ento leia 
isto". E ele escreve o nome Yahweh. "Yahweh  o meu pastor".
Embora estranho para ns, o nome era rico para Davi. 
To rico, na verdade, que Davi escolheu Yahweh acima 
de El Shaddai (Deus Todo-poderoso), El Elyon (Deus 
Altssimo), e El Olam (Deus, o Eterno). Estes e muitos outros 
ttulos de Deus estavam  disposio de Davi. No obstante, 
ao considerar todas as opes, ele escolheu Yahweh.
Por que Yahweh? Porque Yahweh  o nome de Deus. 
Voc pode chamar-me de pregador, escritor, ou golfista 
inexperiente - estas so descries exatas, mas no so 
nomes meus. Posso chamar voc de papai, mame, doutor ou 
estudante, e estes termos podem descrever voc, mas no so 
o seu nome. Se voc quer chamar-me pelo nome, diga Max. 
Se eu quero chamar voc pelo seu nome, eu o pronuncio. E se 
voc quer chamar Deus pelo nome dEle, diga Yahweh.
Deus nos contou o seu nome. (Quanto Ele deve almejar 
estar perto de ns!)
Moiss foi o primeiro a aprender o nome de Deus. Sete 
sculos antes de Davi, o pastor de oitenta anos estava 
cuidando das ovelhas, quando o arbusto comeou a arder, e a 
sua vida, a mudar. 
Moiss recebeu ordens de voltar ao Egito e resgatar os 
hebreus escravizados. Ele apresentou mais desculpas que um 
garoto na hora de ir para a cama, porm Deus superou cada 
uma delas. Finalmente, Moiss indagou:
Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O 
Deus de vossos pais me enviou a vs'; e eles me disserem: 
Qual  o seu nome? Que lhes direi?
Ento Deus disse a Moiss: EU SOU O QUE SOU. 
Assim dirs aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vs (x 
3.13,14).
Mais tarde Deus lembraria a Moiss: "Eu sou Yahweh. 
Eu apareci a Abrao, e a Isaque, e a Jac, como El Shaddai; 
mas pelo meu nome Yahweh, no lhes fui perfeitamente 
conhecido" (x 6.2,3).
Os israelitas consideravam o nome sagrado demais 
para ser pronunciado por lbios humanos. Sempre que 
precisavam dizer Yahweh, substituam-no pela palavra 
Adonai, que significa "Senhor". Se o nome precisava ser 
escrito, os escribas tomavam um banho antes de escrev-lo e 
destruam a pena depois de o haverem feito.
Deus nunca deu uma definio da palavra Yahweh, e 
Moiss nunca a pediu. Muitos estudiosos gostariam que ele o 
tivesse feito, pois o estudo do nome tem suscitado algumas 
discusses saudveis.
O nome EU SOU soa notavelmente prximo do verbo 
hebraico ser  - havah.  possivelmente uma combinao da 
forma verbal presente (Eu sou) e do causativo (Eu causo o 
existir). Yahweh, ento, parece significar "Eu sou" e "Eu 
causo". Deus  "Aquele que " e "Aquele que causa".
Por que isto  importante? Porque precisamos de um 
Deus grande. E se Deus  "Aquele que ", Ele  um Deus 
imutvel.
Pense a respeito. Voc conhece algum que anda 
dizendo "Eu sou"? Nem eu. Quando dizemos "Eu sou", 
sempre acrescentamos outra palavra. "Eu sou feliz "Eu sou 
triste "Eu sou forte. "Eu sou Max". Deus, no entanto, declara 
perfeitamente, "EU SOU" e no acrescenta nada mais.
"Tu s o que?", desejamos perguntar. "EU SOU", 
replica Ele. Deus no precisa de nenhuma palavra descritiva, 
porque Ele nunca muda. Deus  o que . Ele  o que sempre 
foi. Sua imutabilidade motivou o salmista a declarar: "Mas tu 
s o mesmo" (Sl 102.27). O escritor est dizendo: 
"Tu s Aquele que . Tu nunca mudas". Yahweh  um 
Deus imutvel.
Ele  tambm um Deus incausado.
Embora Deus crie, Ele nunca foi criado. Embora faa, 
Ele nunca foi feito. Embora cause, Ele nunca foi causado.
Da a proclamao do salmista: "Antes que os montes 
nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de 
eternidade a eternidade, tu s Deus" (Sl 90.2).
Deus  Yahweh - um Deus imutvel, um Deus 
incausado, e um Deus ingovernado.
Voc e eu somos governados. O clima decreta o que 
vestimos.
O terreno diz-nos como viajar. A gravidade dita a nossa 
velocidade, e a sade determina o nosso vigor. Podemos 
desafiar estas foras e alter-las levemente, mas nunca 
podemos remove-las.
Deus - nosso Pastor - no verifica o clima; Ele o faz. 
No afia a gravidade; Ele a criou. No  afetado por 
problemas dele; Ele no tem corpo. Jesus afirmou, "Deus  
Esprito" (Jo 4.24). Uma vez que Ele no possui corpo, no 
tem limitaes  do mesmo modo que Ele est no Camboja, 
est em Connecticut.
Para onde me irei do teu Esprito?", Indagou Davi. 
"Para onde fugirei da tua face? Se subir ao cu, tu a ests; se 
fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali ests tambm" (Sl 
139.7,8). 
Imutvel. Incausado. Ingovernado. Estas so apenas 
uma frao das qualidades de Deus, mas no so o suficiente 
para dar-lhe um vislumbre de seu Pai? No precisamos deste 
tipo de pastor? No carecemos de um pastor imutvel?
Quando Lloyd Douglas, autor de The Robe (O Manto) e 
outros antes, estava na faculdade, ele morava num 
alojamento. Um professor de msica aposentado, preso a 
uma cadeira de rodas, residia no primeiro andar. A cada 
manh, Douglas punha a cabea na porta do apartamento do 
professor e fazia a mesma pergunta, Bem qual  a boa 
notcia?" O velho apanhava seu diapaso, batia ele no lado da 
cadeira de rodas e dizia, "Esse  o D! Foi o D ontem; ser o 
D amanh, e ser o D daqui a mil anos. 
O tenor do andar de cima canta abemolado. O piano do 
outro lado do saguo est desafinado, mas, meu amigo, esse 
 o D. 
Voc e eu precisamos de um D. Voc j teve 
mudanas suficientes em sua vida?
Relacionamentos mudam. A sade muda. O tempo 
muda. Contudo, o Yahweh que governou a na noite passada  
o mesmo Yahwaeh que a governa hoje. As mesmas 
convices. O mesmo plano. O mesmo humor. O mesmo 
amor. Ele nunca muda. Voc no pode alterar Deus que um 
seixo pode alterar o ritmo do Pacfico. Yahweh  o nosso D. 
Um ponto quieto num mundo em rotao. 
No precisamos de um ponto quieto? No 
necessitamos de um pastor imutvel?
Carecemos igualmente de um pastor incausado. 
Ningum soprou vida para dentro de Yahweh. Ningum o 
gerou. 
Ningum o deu  luz. Ningum o causou. Nenhum ato 
o fez nascer.
E, desde que nenhum ato o fez nascer, nenhum ato 
pode tir-lo. Ele teme um terremoto? Ele treme diante de um 
tornado? Dificilmente. Yahweh dorme durante as 
tempestades e acalma o vento com uma palavra. Cncer no 
o preocupa, e cemitrios no o perturbam. Ele estava aqui 
antes que eles surgissem. Ele estar aqui depois que eles 
houverem passado. Ele  incausado.
E Ele  ingovernado. Conselheiros podem confortar 
voc na tempestade, mas voc precisa de um Deus que possa 
acalmar a tempestade. Amigos podem segurar-lhe a mo em 
seu leito de morte, mas voc precisa de um Yahweh que 
venceu a sepultura. Filsofos podem debater o significado da 
vida, mas voc precisa de um Senhor que possa declarar o 
sentido da vida.
Voc precisa de um Yahweh.
Voc no precisa do que Doroti descobriu. Lembra-se 
da sua descoberta em O Mgico de Oz? Ela e o seu trio 
seguiram a estrada amarela apenas para descobrir que o 
mgico era um fraco! Somente fumaa, espelhos e rudos.  
esta a espcie de deus que voc precisa?
Voc no tem de carregar a carga de um deus 
inferior... um deus sobre uma estante, um deus numa caixa, 
ou um deus numa garrafa. No, voc precisa de um Deus que 
possa colocar 100 bilhes de estrelas em nossa galxia, e 100 
bilhes de galxias no universo. Voc precisa de um Deus que 
possa moldar dois punhados de carne em 75 a 100 milhes 
de clulas nervosas, cada uma com 10.000 conexes com 
outras clulas nervosas, colocar isto em um crnio, e cham-
lo de crebro.
E voc precisa de um Deus que, enquanto voc est 
adormecido, possa vir na quietude da noite e tocar voc com 
a ternura de uma nevada em abril.
Voc precisa de um Yahweh.
E, de acordo com Davi, voc tem um. Ele  o seu 
pastor.
3 - Vou Fazer do Meu Jeito
O Fardo da Autoconfiana
O SENHOR  o meu pastor 
Salmos 23.1
Voc acha que pode freqentar um clube como o Tiger 
Woods? Isso  falar demais. Voc espera fazer tantos gols 
quanto Joe Montaria? Voc ter de trabalhar duro.
E voc, moa? Aspira ser a prxima Mia Hamm? Bom 
para voc.
Quanto a mim? Bem, na verdade h um companheiro 
que me prendeu a ateno. Ele me faz lembrar de mim. 
Provavelmente voc nunca ouviu falar dele. Voc viu o 
Aberto Britnico em 1999? Sim, aquele em Carnoustie, 
Esccia? Lembra-se do jogador que teve sete tacadas para o 
ltimo buraco?
  Isto mesmo, o francs, Jean Van de Velde. Ele estava 
a seis tacadas e 480 jardas do campeonato, de um mao de 
dinheiro e de um lugar na histria. Tudo o que ele precisava 
fazer era marcar um seis numa mdia de quatro.
Eu podia acertar um seis. Minha me podia fazer um 
seis. Esse rapaz podia marcar um seis com um p nas costas. 
Diga para o gravador de trofu aquecer a pena e praticar seus 
Vs. Ele precisar de dois para escrever "Jean Van de Velde".
Admito que o buraco no era fcil. Separado trs vezes 
por uma "wee burn", termo escocs para enseada pantanosa. 
Sem problemas. Faa trs pequenos lances... trs 
tacadas, se for preciso.
Apenas faa um seis, alcance o buraco, e sorria para 
as cmeras. A no ser que esteja ventando e a "wee burn" 
seja um bocado profunda. No flerte com a jogada.
Oh, mas o francs adora flertar. Van de Velde tira seu 
driver, em algum lugar de Des Moines, um desportista de 
poltrona, que fora atrado pelo sono perto da stima tacada, 
abre um olho. Ele est pegando um driver?
O rapaz que levava os tacos de Van de Velde era um 
parisiense de trinta e seis anos, chamado Christopher, com 
um ingls desordenado, uma barbicha no queixo e cabelos 
descorados sob o chapu. "Penso que ele e eu", confessou 
este mais tarde, "queremos espetculo demais".
Van de Velde impulsionou sua tacada meio caminho 
para a Eiffel. Agora ele tinha 240 jardas para o green vazio, 
mas um gramado espesso e angstia no meio. Certamente ele 
ama tacada curta de volta, na parte lisa do campo, entre os 
buracos.
A lgica diz: "No v para o green".
O Golf 101 fala: "No v para o green".
Cada escocs na platia alerta: "Hei, rapaz, no v 
para o green". 
Van de Velde teima: "Eu vou para o green".
Ele puxa uma dupla de "ferros", e o "golfista de 
poltrona" em Moines abre o outro olho. Unia dupla de ferros? 
S se voc estiver no tee na praia, e for bater a bola tentando 
alcanar o Mar dos Caarbas! Os espectadores esto em 
silncio. Total respeito. Alguns em orao. O par de ferros de 
Van de Velde torna-se um FORE! 
Pam. Zuum. Ploft. A bola falseia longe dos 
espectadores parece no pntano, alto o suficiente para 
ocultar um ano. 
  Sua mentira teria feito crescer o nariz de Pinquio. A 
prxima tacada na gua, e a seguinte na areia. Registre o 
prejuzo, e voc tem quatro tacadas mais um pnalti. Ele est 
mentindo cinco e no no green. Tanto para acertar o buraco. 
Agora ele est orando por um sete e um empate. Para grande 
alvio do mundo civilizado, Van de Velde faz o sete. Voc deve 
estar se perguntando se ele se recobrou do "wee burn". Ele 
perdeu o lance decisivo.
Golfe, como shorts de nilon para correr, revela muito 
de uma pessoa. O que o dcimo oitavo buraco revelou de Van 
de Velde faz-me lembrar de mim mesmo.
Eu fiz a mesma coisa. A mesma coisa detestvel. Tudo 
o que ele precisava era de um ferro, mas tinha de pegar o 
driver. Ou, em meu caso:
Tudo o que eu precisava era desculpar-me, mas tinha 
de discutir.
Tudo o que eu precisava fazer era ouvir, mas tinha de 
abrir minha boca grande.
Tudo o que eu precisava fazer era ser paciente, mas 
tinha de tomar o controle.
Tudo o que eu tinha de fazer era entregar a Deus, mas 
tentei consertar eu mesmo.
Por que no deixei o driver na sacola? Sei como 
Christopher, o carregador, responderia: "Acho que ele, eu e 
Max queremos espetculo demais".
Cabeudos demais. Independncia demais. 
Autoconfiana demais.
No preciso de conselhos - Pam.
Posso me virar sozinho - Zum. 
No preciso de um pastor - Ploft.
Voc pode relacionar? Ser que Jean e eu somos os 
nicos a fazer coro com a letra da cano de Sinatra "Fiz do 
meu jeito"? Somos os nicos com o peito de ferro da 
autoconfiana? Penso que no.
Ns humanos gostamos de fazer as coisas do nosso 
modo. 
Esquea o modo fcil. Esquea o modo comum. 
Esquea o modo melhor. Esquea o modo de Deus. Queremos 
fazer as coisas do nosso jeito.
E, de acordo com a Bblia,  exatamente este o nosso 
problema. "Todos ns andamos desgarrados como ovelhas; 
cada um se desviava pelo seu prprio caminho" (Is 53.6).
Voc no pensaria que ovelhas so obstinadas. De 
todos os animais de Deus, a ovelha  a menos capaz de 
cuidar de si prpria.
Ovelhas so tolas! Voc j conheceu um treinador de 
ovelhas? 
J viu ovelhas fazerem truques? Conhece algum que 
ensinou sua ovelha a dar cambalhotas? J assistiu a um 
show de circo apresentando "Mazadon e sua ovelha 
saltadora"? No. Ovelhas so simplesmente tolas demais.
E indefesas. Elas no possuem presas ou garras. Elas 
no podem mord-lo nem correr mais que voc.  por isto que 
voc nunca v ovelhas como mascotes de time. J ouvi falar 
do St. Louis Rams (Aries de St. Louis), do Chicago Bulls 
(Touros de Chicago), e Seattle Seahawks (Falces Marinhos de 
Seattle), porm Ovelhas de Nova York? Quem quer ser uma 
ovelha? Voc no poderia nem mesmo inventar um grito 
decente para as lderes de torcida.
Ns somos as ovelhas. 
No damos um pio.
 problema seu a vitria conseguir.
Mas conte conosco se voc quiser dormir.
Alm do mais, as ovelhas so sujas. Um gato pode 
limpar-se. Um cachorro tambm. Vemos pssaros no banho e 
ursos no rio. 
Mas ovelhas? Elas se sujam e ficam assim mesmo.
Davi no poderia ter pensado numa metfora melhor? 
Claro que podia. Afinal, ele superou Saul e venceu 
Golias. Por que ele no escolheu outra coisa que no ovelha?
Como, por exemplo:
"O Senhor  o meu comandante-em-chefe, e eu sou o 
seu soldado". Viu s? Preferimos isto. Um soldado ganha um 
uniforme e uma arma, talvez at uma medalha.
Ou, "O Senhor  a minha inspirao, e eu sou o seu 
cantor". 
Estamos no coral de Deus; que atribuio lisonjeira.
Ou, "O Senhor  o meu rei, e eu sou o seu 
embaixador". 
Quem no gostaria de ser um porta-voz de Deus?
Todos param quando o embaixador fala. Todos 
escutam quando o menestrel de Deus canta. Todos aplaudem 
quando o soldado de Deus passa.
Entretanto, quem percebe quando a ovelha de Deus 
aparece? Quem nota quando a ovelha canta, fala, ou atua? 
Apenas uma pessoa percebe. O pastor. E para Davi,  
precisamente este o ponto principal.
Quando Davi, que era um soldado, um menestrel e um 
embaixador de Deus, buscou uma ilustrao de Deus, veio-
lhe  mente os seus dias como pastor. Recordou-se de como 
dispensava ateno s ovelhas dia e noite. Ele dormia com 
elas e por elas velava.
E o modo como ele cuidava das ovelhas lembrou-lhe o 
modo como Deus cuida de ns. Davi regozijou-se ao dizer: 
"O Senhor  o meu Pastor", e ao faz-lo, 
orgulhosamente deu a entender, "Eu sou sua ovelha".
Ainda se sente desconfortvel em ser uma ovelha? 
Voc condescenderia comigo e faria um teste oral simples? 
Veja se voc possui autoconfiana. Levante a mo se alguma 
das seguintes declaraes descrevem voc.
Voc pode controlar o seu nimo. Voc nunca fica 
amuado ou mau-humorado. Voc no pode relacionar-se com 
o Sr. Pessimista e a Deprimida. Voc est sempre otimista e 
aprumado. Isto descreve voc? No? Bem, vamos tentar 
novamente.
Voc vive em paz com todos. Todos os relacionamentos 
so doces e saudveis. At seu antigo namorado (namorada) 
fala bem de voc. Voc ama a todos e  amado por todos. 
Este  voc? Se no, que tal esta descrio?
Voc no tem temores. Voc  chamado de Teflon 
valente. 
Wall Street afundou - no tem problema. A sade 
precria do corao  descoberta - bocejo. Comea a terceira 
guerra mundial - o que tem para o jantar? Isto descreve voc?
Voc no precisa de perdo. Nunca fez nada errado.  
totalmente honesto. To limpo quanto a cozinha da vov. 
Nunca trapaceou, nunca mentiu, nunca mentiu sobre 
trapacear. 
Este  voc? No? 
Vamos avaliar isto. Voc no pode controlar o seu 
nimo. Alguns de seus relacionamentos so instveis. Voc 
tem temores e faltas. Hmmm. Voc quer realmente estufar o 
peito de autoconfiana? Parece-me que voc poderia utilizar 
um pastor. Caso contrrio, voc poder terminar com um 
Salmo 23 como este:
Eu sou o meu prprio pastor; estou sempre em necessidade.
Eu cambaleio de shopping em shopping, de psiquiatra em 
psiquiatria, buscando alvio mas nunca o encontro.
Eu me arrasto pelo vale da sombra da morte e caio em 
pedaos. 
Eu temo qualquer coisa, desde pesticidas a fio eltrico, e estou 
comeando a agir como a minha me.
Vou s reunies semanais do grupo e acho-me cercado de 
inimigos.
Vou para casa, e at peixe-dourado me faz carranca.
Unjo a minha cabea com uma dose extra de Tilenol. 
E o aqurio do meu peixinho transborda.
Certamente que a misria e o infortnio me seguiro, e eu 
viverei em autodesconfiana pelo resto de minha vida solitria.

Por que ser que aquele que mais precisa de um 
pastor, mais o resiste? Ah, eis uma questo para os Van de 
Veldes da vida. As Escrituras dizem, "Faa do modo de Deus". 
A experincia aconselha, "Faa do modo de Deus". Cada 
escocs no cu suplica,"Hei, rapaz, faa do modo de Deus".
E de vez em quando ns fazemos. E quando o fazemos, 
quando seguimos o guia de Notre Dieu, e deixamos o driver 
na sacola, de algum modo a bola fica na parte lisa do campo.
Bem, Van de Veldes faz-me lembrar de mim.
Aps perder o lance decisivo, ele manteve a 
compostura diante da multido. Contudo, assim que se 
sentou na tenda, enterrou o rosto nas mos. "Na prxima vez, 
baterei com o taco de cunha", soluou ele. "Voc dir que sou 
um covarde, mas da prxima vez, baterei com o taco de 
cunha".
Voc e eu, Jean.

Nota da Tradutora:
Driver - no golfe, dentre os tacos de madeira, empregados para 
lanamentos altos e longos, o driver  o mais caracterstico.
Greeti - pequena rea sem obstculo, onde ficam os buracos.
Ferros - Tacos de ferro usados para o jogo intermedirio e de 
aproximao.
Tee - ponto de partida.
Fore - Expresso de alerta ao golfista a caminho de uma bola.

4 - A Priso do Querer
O Fardo do Descontentamento
O Senhor  meu pastor; nada me faltar
Salmos 23.1
Venha comigo  priso mais populosa do mundo. A 
instituio tem mais ocupantes que beliches. Mais 
prisioneiros que pratos. Mais residentes que recursos.
Venha comigo  priso mais opressiva do mundo. 
Apenas pergunte aos ocupantes; eles lhe diro. Eles esto 
extenuados e subnutridos. Suas paredes so nuas, e as 
beliches, duras.
Nenhuma priso  to populosa, nenhuma  to 
opressiva, e, alm disso, nenhuma  to permanente. A 
maioria dos ocupantes nunca sai. Eles nunca escapam. 
Nunca so soltos. Eles cumprem uma sentena de vida nesta 
abarrotada e mal-provida instituio.
O nome da priso? Voc o ver na entrada. Em forma 
de arco-ris, acima do porto, seis letras em ferro fundido 
expressam-lhe o nome:
QUERER
A priso do querer. Voc tem visto seus prisioneiros. 
Eles esto "em querer". Eles querem alguma coisa. 
Querem algo maior. Mais bonito. Mais rpido. Mais magro. 
Eles querem.
Eles no querem muito, objeta voc. Querem apenas 
uma coisa. Um novo emprego. Uni novo carro. Uma nova 
casa. Um novo cnjuge. Eles no querem muito. Querem 
apenas um.
E quando eles tiverem "um", sero felizes. E eles esto 
certos - eles sero felizes. Quando eles tiverem "um", sairo 
da priso. Ento acontece. O cheiro de carro novo passa. O 
novo emprego fica velho. O vizinho compra uma televiso 
maior. O novo cnjuge possui maus hbitos. As expectativas 
goram, e antes que se perceba, outro ex-condenado quebra a 
liberdade condicional e retorna  Cadeia.
Voc est na priso? Est se voc se sente melhor 
quando tem mais, e pior, quando tem menos. Se o 
contentamento  uma libertao remota, uma transferncia 
distante, um prmio ao longe, uma renovao afastada. Se a 
sua felicidade vem de algo que voc deposita, dirige, bebe ou 
digere, encare os fatos - voc est numa priso, a priso do 
querer.
Esta  a m notcia. A boa : voc tem uma visita. E a 
sua visita tem uma mensagem que pode p-lo em liberdade. 
Percorra o caminho at a recepo. Sente-se em sua 
cadeira, e olhe atravs da asa para o salmista Davi. Ele acena 
para que voc se incline  frente. "Tenho um segredo para 
voc", cochicha ele, "o segredo da satisfao". "O Senhor  o 
meu pastor; nada me faltar" (Sl 23.1). Davi encontrou a 
pastagem onde os descontentes vo morrer.  como se ele 
estivesse dizendo: "O que tenho em Deus  maior e o que no 
tenho na vida".
Acha que voc e eu poderamos aprender a dizer o 
mesmo? 
Pense por um momento nas coisas que voc possui. 
Pense na casa que voc tem, no carro que voc dirige, no 
dinheiro que voc guardou. Pense nas jias que voc herdou, 
nas aes que voc negociou e nas roupas que voc comprou. 
Visualize todos os seus bens, e deixe-me dizer-lhe duas 
verdades bblicas. 
Seus bens no so seus. Pergunte a qualquer juiz 
investigador de artes suspeitas. Pergunte a qualquer 
embalsamador. Pergunte a qualquer diretor de casa 
funerria. Ningum leva nada consigo. 
Quando John D. Rockefeller, um dos homens mais 
ricos da histria, morreu, seu contador foi 
interrogado:"Quanto John D. deixou?" A resposta do 
contador: "Tudo!"'
"Como saiu do ventre de sua me, assim nu voltar, 
indo-se como veio; e nada tomar do seu trabalho que possa 
levar na sua mo" (Ec 5.15).
De todos estes bens, nada  seu. E sabe o que mais 
sobre estes bens? Eles no so voc. Quem voc  no tem 
nada a ver com as roupas que voc usa ou com o carro que 
voc dirige. Jesus avisou: "A vida de qualquer no consiste na 
abundncia do que possui" (Lc 12.15). Deus no conhece 
voc como o companheiro com o terno elegante, ou a mulher 
com a casa grande, ou a criana com a bicicleta nova. Deus 
conhece o seu corao. "O Senhor no v como v o homem. 
Pois o homem v o que est diante dos olhos, porm o Senhor 
olha para o corao" (1 Sm 16.7). Quando Deus considera 
sobre voc, Ele pode ver sua compaixo, sua devoo, sua 
brandura, ou agudeza mental, mas no pensa em suas 
coisas.
E quando voc reflete sobre si, deveria fazer o mesmo. 
Defina a si mesmo pelo que possui, e se sentir bem 
quando tiver muito, e mal, quando no tiver. O 
contentamento vem quando podemos, honestamente, dizer 
como Paulo: "J aprendi a contentar-me com o que tenho...  
Estou instrudo, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a 
ter abundncia quanto a padecer necessidade" (Fp 4.11,12).
Doug McKnight podia dizer estas palavras. Aos trinta e 
dois anos, ele recebeu o diagnstico de esclerose mltipla. 
Pelos prximos dezesseis anos, isto lhe custaria a sua 
carreira, a sua mobilidade, e eventualmente a sua vida. Por 
causa da doena, ele no podia alimentar-se sozinho ou 
andar; ele combateu a depresso e o medo.
Contudo, do comeo ao fim, Doug nunca perdeu o seu 
senso de gratido. A evidncia disto via-se em sua lista de 
orao. Amigos a congregao pediram-lhe para compilar 
uma lista de pedidos, e assim poderem orar por ele. Sua 
resposta inclua dezoito bnos pelas quais agradecer, e seis 
assuntos pelos quais orar. Suas bnos excediam trs vezes 
as suas necessidades. Doug McKnight tinha aprendido a 
estar contente. 
De igual modo aprendera a leprosa da ilha de Tobago. 
Um missionrio conheceu-a numa de suas viagens. No final 
do dia, estava liderando a adorao numa colnia de 
leprosos, e indagou se algum tinha urna cano favorita. Foi 
ento que uma mulher se voltou e ele viu a face mais 
desfigurada que jamais vira. Ela no tinha orelhas nem nariz. 
Seus lbios j no existiam. Contudo, ela levantou uma das 
mos sem dedos e pediu: "Poderamos cantar Conta as 
bnos?"
O missionrio comeou a cano, mas no pde 
termin-la. Mais tarde, algum comentou: "Suponho que voc 
nunca mais ser capaz de cantar este hino novamente". Ao 
que ele respondeu: No, eu o cantarei novamente. Mas nunca 
mais da mesma forma.
Voc est esperando que uma mudana nas 
circunstncias traga mudana  sua atitude? Se assim , 
voc est na priso, e precisa conhecer um segredo sobre 
viajar sem bagagem. O que voc tem no seu pastor  maior do 
que o que voc no tem na vida. 
Posso intrometer-me por um instante? Qual  a nica 
coisa que separa voc da alegria? Como voc completaria a 
frase: Serei feliz quando"? Quando eu for curado. Quando eu 
for promovido. Quando me casar. Quando eu ficar solteiro. 
Quando eu for rico. Como voc completaria esta declarao?
Agora, com a sua resposta firme na mente, responda 
esta: Se voc nunca tirar a sorte grande, se o seu sonho 
nunca se tornar realidade, se a situao nunca mudar, 
poder voc ser feliz? Se no, voc est dormindo na fria cela 
do descontentamento. Voc est na priso. E voc precisa 
saber o que voc tem no seu Pastor.
Voc tem um Deus que o escuta; tem o poder do amor 
atrs de voc, o Esprito Santo dentro de voc, e todo o cu 
dentro de voc. Se voc tem o Pastor, voc possui graa para 
cada pecado, direo para cada curva, luz para cada canto, e 
uma ncora para cada tempestade. Voc tem tudo o que 
precisa.
E quem pode tir-lo de voc? Pode a leucemia infectar 
a sua salvao? Pode a bancarrota empobrecer suas oraes? 
Um tornado pode levar-lhe a casa terrena, mas tocaria ele o 
seu lar celestial?
E olhe para a sua posio. Por que o clamor por 
prestgio e poder? Voc j no se sente privilegiado por ser 
parte do maior trabalho da histria?
De acordo com Russ Blowers, ns somos. Ele  um 
ministro em Indianpolis. Sabendo que seria interrogado na 
reunio do Rotary Club acerca de sua profisso, resolveu 
dizer mais que "Eu sou um pregador".
Em vez disso, ele explicou: "Oi, sou Russ Blowers. 
Estou num empreendimento global. Temos 
ramificaes em cada pas do mundo. Temos representantes 
em quase todos os parlamentos da terra, bem como nas salas 
de reunio de diretoria. Somos pela motivao e alterao de 
comportamento. Movimentamos hospitais, postos de 
alimentao, centros de gravidez de risco, universidades, 
editoras e casas de sade. Cuidamos de nossos clientes do 
nascimento  morte. Gostamos de seguro de vida e seguro 
contra incndio. Realizamos transplante espiritual de 
corao. Nossa Organizao original possui todos os bens 
imveis da terra mais um sortimento de galxias e 
constelaes. Ele conhece todas e vive em toda parte. Nosso 
produto  gratuito (No existe dinheiro suficiente para 
compr-lo). Nosso Comandante nasceu numa cidade rstica, 
trabalhou como carpinteiro, no tinha uma casa, era mal-
compreendido por sua famlia e odiado por seus inimigos, 
andou sobre as guas, foi condenado  morte sem 
julgamento, e ressuscitou da morte. Eu falo com Ele todos os 
dias". 
Se voc pode dizer o mesmo, no tem razo para estar 
contente?
Certa vez um homem foi pedir conselho a um pastor. 
Ele achava-se no meio de um colapso financeiro. "Perdi tudo", 
lamentou ele.
Oh, estou to triste por voc ter perdido a sua f".
No, corrigiu o homem, "no perdi a minha f".
Bem, ento sinto muito por voc ter perdido o seu 
carter". 
Eu no disse isto", tornou a corrigir ele. "Ainda tenho 
o meu carter.
Que pena voc ter perdido a sua salvao".
No foi isto o que eu disse", objetou o homem. "No 
perdi a salvao".
Voc tem a sua f, o seu carter, a sua salvao.
Parece-me", falou o ministro, "que voc no perdeu 
nenhuma das coisas que realmente importam".
Nem ns as perdemos. Voc e eu poderamos orar 
como o puritano. Ele sentava-se para uma refeio de po e 
gua, curvava a cabea e dizia: "Tudo isto e Jesus tambm!"
No podemos estar igualmente satisfeitos? Paulo 
declarou que   grande ganho a piedade com contentamento" 
(1 Tm 6.6). Quando entregamos a Deus o incmodo fardo do 
descontentamento, no apenas desistimos de algo, mas 
ganhamos alguma coisa. 
Deus o substitui por um que seja leve, feito sob 
medida,  prova de tristeza e adicto da gratido.
O que voc ganhar com o contentamento? Poder 
ganhar o seu casamento. Poder ganhar horas preciosas com 
os seus filhos. Poder ganhar o seu auto-respeito. Poder 
ganhar alegria. Poder ganhar a f para dizer: "O Senhor  o 
meu pastor; nada me faltar".
Tente diz-lo bem devagar: "O Senhor  o meu pastor; 
nada me faltar".
Novamente: "O Senhor  o meu pastor; nada me 
faltar".
De novo: "O Senhor  o meu pastor; nada me faltar".
Shhhhh. Ouviu alguma coisa? Acho que ouvi. No 
tenho certeza... mas acho que ouvi a porta de uma priso se 
abrindo.
5 - Eu lhe Darei Descanso
O Fardo do Cansao
Deitar-me faz em verdes pastos
Salmos 23.2
Darei a voc as conseqncias da carga; voc adivinha 
a causa.
Ela aflige 70 milhes de americanos e  culpada de 
38.000 mortes por ano.
A condio custa, anualmente, os U.S. $70 bilhes 
equivalente a produtividade.
Adolescentes sofrem deste mal. Os estudos revelam 
que 64% dos adolescentes responsabilizam-na pelo baixo 
rendimento escolar.
Pessoas de meia-idade a enfrentam. Os pesquisadores 
afirmam que os casos mais severos ocorrem entre trinta e 
quarenta anos.
Cidados mais velhos so afligidos por ela. Um estudo 
sugere que a condio atinge 50% da populao com mais de 
sessenta e cinco anos.
Os tratamentos envolvem desde vigilantes do peso a 
chs de ervas.
Alguma idia do que est sendo descrito?
Abuso de substncia qumica? Divrcio? Sermes 
longos? 
Nenhuma destas respostas est correta, embora a 
ltima seja uma boa intuio. A resposta pode surpreender 
voc. Insnia.
A Amrica no pode dormir.
Durante a maior parte da minha vida, eu secretamente 
ri da idia de se ter dificuldade para dormir. Meu problema 
era no cair no sono. Minha dificuldade era permanecer 
acordado. H alguns anos, porm, fui para a cama uma noite, 
fechei os olhos, e nada aconteceu. No peguei no sono. Em 
vez de reduzir a marcha e entrar em descanso, minha mente 
engrenou. Mil e uma obrigaes vieram-me  cabea. A meia-
noite passou e eu ainda estava acordado. Tomei um pouco de 
leite e voltei  cama. 
Continuei desperto. Acordei Denalyn, usando a mais 
premiada das perguntas tolas: "Voc est acordada? "Ela 
disse-me para deixar de pensar nas coisas. Eu o fiz. Parei de 
pensar nas coisas e comecei a pensar nas pessoas. No 
obstante, enquanto pensava nas pessoas, pensava no que 
elas estavam fazendo. Elas estavam dormindo. Aquilo me 
deixou bravo e me manteve acordado. 
Finalmente, l pelas tantas da madrugada, havendo 
sido introduzido na associao de 70 milhes de americanos 
insones, adormeci.
Nunca mais ri  idia de se ter dificuldade em dormir. 
Nem mais questionei a incluso do versculo sobre 
descanso no Salmo 23.
Pessoas com trabalho demais e sono de menos 
apressam-se para a bagagem da vida e agarram o fardo do 
cansao. Este voc no carrega. Este voc no levanta sobre 
os ombros e caminha pelas ruas. Voc o arrasta como um 
obstinado so-bernardo. 
Cansao e fadiga.
Por que estamos to cansados? Voc tem lido o jornal 
ultimamente? Ambicionarmos ter a vida de Huckleberry Finn 
e Tom Sawyer no Mississipi, mas olhe para ns sobre as 
guas brancas do rio Grande. Bifurcaes no rio. Rochas na 
gua. Ataques cardacos, traies, dbitos no carto de 
crdito, batalhas por custdia.
Huck e Tom no tm de enfrentar este tipo de coisa. 
Ns temos, e elas mantm-nos acordados. E j que no 
podemos dormir, temos um segundo problema.
Nossos corpos esto cansados. Pense a respeito. Se 
setenta milhes de americanos no esto dormindo o 
suficiente, o que isto significa? Que um tero de nosso pas 
est dormitando no trabalho, cochilando durante a aula, ou 
dormindo ao volante (1.500 mortes na estrada, por ano, so 
causadas por motoristas sonolentos). Alguns modorram at 
enquanto lem os livros de Lucado (Difcil penetrar, eu sei). 
Trinta toneladas de aspirinas, tranqilizantes e plulas para 
dormir so consumidas a cada dia! O medidor de energia no 
painel de nossa testa anuncia: vazio.
Convidssemos um aliengena para resolver nossos 
problemas, e ele sugeriria uma soluo simples: v todo 
mundo dormir. Ns riramos dele. Ele no entende o modo 
como trabalhamos. Trabalhamos duro. H dinheiro a ser 
ganho. Degraus a serem conquistados. Escadas a serem 
galgadas. Em nossa cartilha, ocupao est ligada a 
religiosidade. Idolatramos Thomas Edson, que alegava poder 
viver com quinze minutos de sono. De qualquer modo, 
esquecemos de mencionar Albert Einstein, que tirava, em 
mdia, onze horas de sono por dia. Em 1910, os americanos 
dormiam nove horas por dia; hoje, dormimos sete, e sentimo-
nos orgulhosos disto. E estamos cansados por causa disto. 
Nossas mentes esto cansadas. Nossos corpos esto 
cansados. Porm muito mais importante, nossas almas esto 
cansadas.
Somos criaturas eternas, e fazemos perguntas eternas: 
De onde vim? Para onde vou? Qual o significado da 
vida? O que  certo? O que  errado? H vida aps a morte? 
Estas so as indagaes primordiais da alma. E, deixadas 
sem respostas, tais questes roubar-nos-o o descanso.
Apenas uma outra criatura tem tantos problemas 
quanto ns, sobre o descanso. No os cachorros. Eles 
cochilam. No os ursos. Eles hibernam. Os gatos inventaram 
a soneca, e o bicho preguia descansa vinte horas por dia 
(Ento  isto o que eu era em meu segundo ano de faculdade). 
A maioria dos animais sabe como descansar. 
Existe apenas uma exceo. Estas criaturas so 
lanosas, simplrias e vagarosas. No, no so maridos em 
dias de sbado. Ovelhas! Ovelhas no podem dormir.
Para uma ovelha dormir, tudo precisa estar muito 
bem. 
Nada de predadores. Nenhuma tenso no rebanho. 
Nenhum inseto no ar. Nenhuma fome no estmago. Tudo tem 
de estar perfeito. 
Infelizmente, ovelhas no conseguem achar pastos 
seguros. Nem podem passar inseticida, lidar com os atritos, 
ou encontrar comida. Elas precisam de ajuda. 
Precisam de um pastor que "as guie" e as ajude a 
"deitar-se em pastos verdes". Sem um pastor, elas no podem 
descansar.
Sem um pastor, nem ns podemos.
No segundo verso do Salmo 23, Davi, o poeta, torna-se 
Davi, o artista. Sua pena torna-se um pincel, seu 
pergaminho, uma tela, e as suas palavras pintam um quadro. 
Um rebanho de ovelhas deitadas sobre as patas, rodeando 
um pastor. Os ventres aninhados na grama alta. 
Uma lagoa quieta de um lado, o pastor vigilante do 
outro. 
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente 
a guas tranqilas" (Sl 23.2).
Atente para os dois pronomes ocultos antes do verbo. 
Ele deitar-me faz... Ele guia-me...
Quem  o ativo? Quem est no comando? O pastor. O 
pastor escolhe a trilha e prepara a pastagem. O trabalho da 
ovelha - nosso trabalho -  olhar para o pastor. Com os olhos 
em nosso Pastor, seremos capazes de tirar uma soneca.
"Tu conservars em paz aquele cuja mente est firme 
em ti" (Is 26.3).
Posso mostrar-lhe algo? Corra ao final deste livro e 
olhe para uma pgina vazia. Enquanto olha para ela, o que 
voc v? Voc v um pedao de papel branco. Agora faa um 
ponto no centro da folha. Olhe novamente. O que voc v 
agora? Voc v o ponto, no ? E no  este o nosso 
problema? Ns deixamos as marcas escuras eclipsar o espao 
branco.
Ns vemos as ondas da gua em vez de ver o Salvador 
andando sobre elas. Focalizamos nossa irrisria proviso, em 
vez de olhar para aquele que pode alimentar cinco mil 
pessoas famintas. Concentramo-nos na escura sexta-feira da 
crucificao, e perdemos o brilhante domingo da 
ressurreio.
Mude sua focagem e relaxe.
E enquanto relaxa, mude sua agenda e descanse!
Outro dia minha esposa encontrou uma amiga num 
restaurante para um caf. Ambas entraram no 
estacionamento ao mesmo tempo. Quando Denalyn desceu do 
carro, viu sua amiga acenando. Denalyn achou que ela 
estivesse falando alguma coisa, mas no podia ouvir uma 
palavra. Uma britadeira estava triturando o pavimento a 
apenas alguns passos dali. Ela caminhou at sua amiga, que, 
pelo jeito, estava somente dizendo oi, e ambas entraram no 
restaurante.
Na hora de sair, minha esposa no conseguia 
encontrar as chaves. Ela procurou na bolsa, no cho e no 
carro da amiga. Finalmente, ao entrar no prprio carro, l 
estavam elas. No apenas as chaves estavam na ignio, mas 
o carro estava ligado. Ele estivera ligado o tempo todo em que 
elas permaneceram no caf.
Denalyn culpou o barulho pelo descuido. "Estava tudo 
to barulhento, que me esqueci de deslig-lo".
O mundo faz assim. A vida pode ser to barulhenta, 
que nos esquecemos de fech-la. Talvez seja por isso que 
Deus tratou de forma to enftica o descanso, nos Dez 
Mandamentos.
J que voc foi to bem no exerccio do ponto, deixe-
me passar-lhe outro. Das dez declaraes entalhadas nas 
tbuas, qual ocupa mais espao? Assassinato? Adultrio? 
Roubo? Voc achar que sim. Certamente, cada uma  
merecedora de ampla cobertura. Porm, curiosamente, estes 
comandos so tributos  brevidade. Deus precisou apenas de 
duas palavras, no portugus, para condenar o adultrio, bem 
como para denunciar o furto e o assassinato.
Mas quando chegou ao tpico do descanso, uma 
sentena no seria suficiente.
Lembra-te do dia do sbado, para o santificar. Seis 
dias trabalhars e fars toda a tua obra, mas o stimo dia  o 
sbado do Senhor, teu Deus; no fars nenhuma obra, nem 
tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a 
tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que est 
dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os 
cus e a terra, o mar e tudo o que neles h, e ao stimo dia 
descansou; portanto abenoou o Senhor o dia do sbado e o 
santificou (x 20.8-11).
Deus nos conhece bem. Ele pode ver o dono do 
armazm lendo este versculo e pensando, "Algum precisa 
trabalhar nesse dia. Se eu no posso, meu filho o far". 
Ento Deus diz, Nem o teu filho. Ento minha filha o 
far". Nem a tua filha. "Bem, talvez um empregado. Nem eles. 
"Aposto como terei de mandar minha vaca cuidar da loja, ou 
talvez eu arranje algum estrangeiro para ajudar-me". No, 
probe Deus. Um dia da semana voc dir no ao trabalho e 
sim  adorao. Voc reduzir o ritmo, sentar-se-, e deitar-
se-, e descansar.
Ainda objetamos. "Mas... mas... mas... quem ficar na 
loja?" "E quanto s minhas notas?" "Tenho a minha cota de 
vendas". Apresentamos uma razo aps a outra, porm Deus 
silencia todas elas com uma pujante lembrana: "Em seis 
dias fez o Senhor os cus e a terra, o mar e tudo o que neles 
h, e ao stimo dia descansou". A mensagem de Deus  clara: 
"Se a criao no se espatifou quando eu descansei, no se 
espatifar quando voc o fizer".
Repita comigo estas palavras: No  minha ocupao 
cuidar do mundo.
Cerca de dois sculos atrs, Charles Spurgeon deu este 
conselho aos seus aprendizes de pregador:
At os burros de carga devem se virar para a grama 
ocasionalmente; o prprio mar faz uma pausa no fluxo e 
refluxo; a terra guarda o sbado dos meses de inverno; e o 
homem, mesmo quando elevado a embaixador de Deus, deve 
descansar ou desfalecer, deve atiar o lume de sua lmpada 
ou deix-la apagar; deve recuperar seu vigor ou envelhecer 
prematuramente... Na longa caminhada, devemos nos 
empenhar para de vez em quando fazer menos.
O arco no pode estar sempre tenso sem temer 
quebrar. 
Para um campo produzir frutos, ele deve 
ocasionalmente descansar sem cultivo. E para que voc seja 
saudvel, deve descansar. Diminua o ritmo, e Deus curar 
voc. Ele trar descanso  sua mente, ao seu corpo, e, acima 
de tudo,  sua alma. Ele conduzir voc por verdes pastos.
Pastagens verdes no eram o relevo natural da Judia. 
Os montes  volta de Belm, onde Davi guardava o seu 
rebanho, no eram verdes e viosos. Ainda hoje, eles so 
plidos e tostados. Qualquer pasto verde na Judia  trabalho 
de algum pastor. Ele limpou o terreno tosco e rochoso. Os 
tocos foram arrastados, e os galhos, queimados. Irrigao. 
Cultivo. Assim  o trabalho de um pastor.
Portanto, quando Davi diz: "Deitar-me faz em verdes 
pastos", est dizendo: "Meu pastor me faz deitar em seu 
trabalho terminado". Com suas prprias mos furadas, Jesus 
criou um pasto para a alma. Ele arrancou a espinhosa 
vegetao rasteira da condenao. Desprendeu o imenso 
seixo de pecado. Em seu lugar, Ele plantou sementes de 
graa e cavou tanques de misericrdia.
E Ele nos convida a descansar l. Pode voc imaginar a 
satisfao no corao do pastor quando, com o trabalho 
terminado, v suas ovelhas descansar no gramado tenro?
Pode voc imaginar a satisfao no corao de Deus 
quando fazemos o mesmo? Suas pastagens so presentes 
dEle para ns. No  um pasto que voc tenha feito. Nem  
um pasto que voc merea.  uma ddiva de Deus. "Porque 
pela graa sois salvos, por meio da f; e isto no vem de vs;  
dom de Deus" (Ef 2.8).
Em um mundo pedregoso, com uma humanidade 
falha, h uma terra viosa com merc divina. Seu Pastor o 
convida para l. Ele quer que voc se deite. Aninhe-se 
profundamente, at ficar escondido, enterrado, nos altos 
brotos do seu amor, e l voc achar descanso.
6  E Se e Como Posso
O Fardo da Preocupao
Guia-me mansamente a guas tranqilas. 
Salmos 23.2
Seu filho de dez anos est preocupado. To ansioso 
que no pode comer. To preocupado que no consegue 
dormir. 
"O que h de errado?", pergunta voc. Ele balana a 
cabea e geme: "Eu ainda no tenho um plano de penso".
Ou o seu filho de quatro anos est chorando na cama. 
"O que h de errado, querido?" Ele choraminga: "Eu nunca 
vou passar na faculdade de qumica".
O semblante de seu filho de oito anos est carregado 
de estresse. "Eu serei um pai imprestvel. E se eu for um 
exemplo ineficiente para os meus filhos?"
Como voc responderia a tais declaraes? Alm de 
chamar um psiclogo infantil, sua resposta seria enftica: 
"Voc  jovem demais para se preocupar com estas coisas. 
Quando chegar a hora, voc saber o que fazer".
Felizmente, a maioria das crianas no tem estes 
pensamentos.
Infelizmente, ns adultos temos mais que a nossa 
parte. A preocupao  o fardo de aniagem da carga. Ele 
transborda com "E se" e "Como posso". "E se chover em meu 
casamento?" "Como posso saber quando disciplinar meus 
filhos?" "E se eu me casar com um sujeito que ronca?" "Como 
poderemos bancar a educao de nosso beb?" "E se depois 
de toda a minha dieta, eles descobrirem que alface  
engordativa, e chocolate no?"
O saco de estopa da preocupao. Incmodo. Grosso. 
Sem atrativos. Rangente. Difcil de manusear. Irritante de se 
carregar e impossvel de se largar. Ningum quer as suas 
preocupaes.
Verdade seja dita, nem voc as quer. Ningum tem de 
lembrar-lhe o alto custo da ansiedade (Mas o farei de 
qualquer modo). A preocupao divide a mente. O termo 
bblico para preocupao (merimnas)  um composto de duas 
palavras gregas: merizo, "divide", e nous, "a mente". A 
ansiedade reparte a nossa energia entre prioridades de hoje e 
problemas de amanh. Parte de nossa mente est no agora; o 
restante est no ainda no. O resultado  meia mente 
vivendo.
E esta no  a nica conseqncia. Preocupao no  
uma doena, mas causa enfermidades. Ela tem sido 
associada  presso alta, problemas cardacos, cegueira, 
enxaquecas, mau funcionamento da tireide, e inmeras 
perturbaes estomacais.
Ansiedade  um hbito dispendioso. Claro, poderia 
valer o custo, se funcionasse. Mas no funciona. Nossas 
inquietaes so vs. Jesus indagou: "E qual de vs poder, 
com todos os seus cuidados, acrescentar um cvado  sua 
estatura?" (Mt 6.27). A preocupao nunca clareou um dia, 
nunca resolveu um problema, ou curou uma enfermidade.
Como pode algum lidar com a ansiedade? Voc pode 
experimentar o que fez um companheiro. Ele se preocupava 
tanto, que decidiu alugar algum para preocupar-se por ele. 
Encontrou um homem que concordou em ser o seu 
empregado preocupador, por um salrio de duzentos mil 
dlares por ano. Depois que o homem aceitou o trabalho, sua 
primeira pergunta ao patro foi: "Onde voc vai arranjar 
duzentos mil dlares por ano?" Ao que o homem respondeu: 
"Esta preocupao  sua".
Lamentavelmente, preocupao no  uma tarefa que 
voc pode repassar a outrem. Contudo, voc pode super-la. 
E no h lugar melhor para comear que no verso dois do 
salmo do pastor.
"Guia-me mansamente a guas tranqilas", declara 
Davi. 
E, caso percamos o ponto, ele repete a frase no 
versculo seguinte: "guia-me pelas veredas da justia".
"Guia-me". Deus no est atrs de mim gritando, 
"Vai!". 
Ele est adiante de mim convidando, "Venha!". Ele est 
na frente, roando o pasto, cortando o mato, mostrando o 
caminho. Chegando na curva, Ele dirige: "Vire aqui". 
Antes da elevao, Ele gesticula: "Suba aqui". Parando 
perto das pedras, Ele adverte: "Cuidado para pisar aqui".
Ele nos guia. Ele nos diz o que precisamos saber, 
quando precisamos sab-lo. Como afirmaria um escritor do 
Novo Testamento, "Encontraremos graa sempre que 
precisarmos de ajuda" (Hb 4.16, NTLH nfase minha).
Oua uma verso diferente: "Cheguemos, pois, com 
confiana ao trono da graa, para que possamos alcanar 
misericrdia e achar graa, a fim de sermos ajudados em 
tempo oportuno" (Hb 4.16, nfase minha).
  A ajuda de Deus  oportuna. Ele nos ajuda do mesmo 
modo que um pai d passagens de avio a sua famlia. 
Quando viajo com minhas filhas, carrego todas as nossas 
passagens em minha mochila. Na hora de embarcar, ponho-
me entre o atendente e as meninas. A medida que cada uma 
passa, coloco a passagem em sua mo. Ela, por sua vez, a 
entrega ao atendente. Cada uma recebe a passagem no 
momento exato.
O que eu fao por minhas filhas Deus faz por voc. Ele 
interpe-se entre voc e a necessidade. E na hora certa, d-
lhe a passagem. No foi esta a promessa que Ele fez aos seus 
discpulos?
Quando, pois, vos conduzirem para vos entregarem, 
no estejais solcitos de antemo pelo que haveis de dizer; mas 
o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque no sois 
vs os que falais, mas o Esprito Santo (Mc 13.11, nfase 
minha).
  No  esta a mensagem dada por Deus aos filhos de 
Israel? Ele prometeu supri-los de man a cada dia. 
Aqueles que desobedeceram e colheram man a cada 
dia. 
Aqueles que desobedeceram e colheram man para 
dois dias, acharam-se depois com man apodrecido. A nica 
exceo  regra era a vspera do sbado. Na sexta-feira, eles 
podiam colher o dobro. Por outro lado, Deus lhes daria o que 
eles necessitassem, na hora de sua necessidade. 
Deus nos guia. Deus far a coisa certa na hora certa. E 
que diferena isto faz.
Desde que sei que a sua proviso  oportuna, posso 
desfrutar o presente.
D sua total ateno ao que Deus est fazendo agora, 
e no se preocupe com o que poder ou no acontecer 
amanh. 
Deus ajudar voc a lidar com qualquer dificuldade 
que surgir, quando chegar a hora (Mt 6.34, traduzido da 
verso inglesa MSG). 
Esta ltima frase  digna de seu marcador de texto: 
quando chegar a hora.
Eu no sei o que faria se o meu marido morresse. Voc 
saber quando chegar a hora.
Quando os meus filhos sarem de casa, penso que no 
suportarei. No ser fcil, mas a fora vir quando chegar a 
hora.
Eu nunca poderia dirigir uma igreja. H muita coisa 
que eu no sei. Voc pode estar certo. Ou voc pode estar 
querendo saber tudo cedo demais. No seria o caso de Deus 
lhe dar as respostas quando chegar a hora?
A chave  esta: Encontre os problemas de hoje com a 
fora de hoje. No comece a atacar os problemas de amanh, 
at amanh.
Voc ainda no tem a fora de amanh. Voc s tem o 
suficiente para hoje.
Mais de oitenta anos atrs, um grande canadense da 
medicina, Sir Willian Osler, pronunciou um discurso aos 
alunos da Universidade de Yale, intitulado Um Modo de 
Vida. Na mensagem ele relatou um acontecimento ocorrido 
quando ele se achava a bordo de um vapor.
Certo dia, quando estava conversando com o capito 
do navio, ele ouviu soar um alarma agudo e estridente, 
seguido por sons estrepitosos e rangentes, abaixo do 
tombadilho. So os nossos compartimentos  prova dgua 
se fechando, explicou o capito.  uma parte importante de 
nossas manobras de segurana. Em caso de problema real, a 
gua que flui para um compartimento no afetar o restante 
do navio. Mesmo se colidirmos com um iceberg, como fez o 
Titanic, a gua que entrar encher apenas aquele 
compartimento rompido. O navio, no entanto, continuar 
flutuando.
Quando falou aos alunos de Yale, Osler recordou a 
descrio do navio feita pelo capito:
Cada um de vocs , certamente, uma organizao 
muito mais maravilhosa que aquele grande vapor, e com 
destino a uma longa e distante viagem. Meu desejo  que voc 
aprenda a dominar a sua vida, vivendo cada dia em um 
compartimento a prova de tempo, e isto certamente garantir 
a sua segurana atravs de toda a jornada da vida. Toque um 
boto e oua, em cada nvel de sua vida, as portas de ferro se 
fechando sobre o Passado  os ontens mortos. Toque outro e 
feche, com uma cortina de metal, o Futuro  os amanhs por 
nascer. Ento voc estar seguro  seguro por hoje.
No pense no monte de coisas a serem feitas, nas 
dificuldades a serem vencidas, mas concentrem-se na 
pequena tarefa ao alcance de seu brao, deixando que ela 
seja suficiente para o dia; obviamente, o nosso dever no  
cuidar do que est vagamente  distncia, mas fazer o que 
est claramente  mo.
Jesus tratou da mesma coisa com menos palavras: 
"No vos inquieteis, pois, pelo dia de amanh, porque o dia de 
amanh cuidar de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" 
(Mt 6.34).
Fcil falar. Nem sempre  fcil fazer, certo? Somos 
demasiadamente propensos a nos preocupar. Justamente na 
noite passada estava me preocupando em meu sono. Sonhei 
que fora diagnosticado com ALS, uma doena degenerativa 
dos msculos, que levou a vida de meu pai. Despertei do 
sono e, bem no meio da noite, comecei a me preocupar. 
Ento as palavras de Jesus vieram-me  mente. "No 
se preocupe com o amanh". E por uma vez decidi no me 
preocupar. Arriei o saco de estopa. Afinal, por que deixar que 
os problemas imaginrios do amanh me roubassem o 
descanso da noite? Poderia eu prevenir a doena 
permanecendo acordado? Iria eu adiar a aflio por ficar 
pensando nela? Claro que no. Ento fiz a coisa mais 
espiritual que poderia ter feito. Voltei a dormir.
Por que voc no faz o mesmo? Deus est conduzindo 
voc. Deixe at amanh os problemas de amanh.
Arthur Hays Sulzberger foi o editor do New York Times 
durante a Segunda Guerra Mundial. Por causa do conflito 
mundial, ele achava quase impossvel dormir. Ele no foi 
capaz de banir de sua mente a preocupao, at adotar como 
lema estas cinco palavras: "Um passo basta a mim", tiradas 
do hino "Lead Kindly Light":
Guia, Luz amvel... 
Dirige Tu os meus ps
No peo para ver a cena distante
Um passo basta a mim.

Nem Deus deixar voc ver a cena distante. Ento 
pode desistir de procurar por ela. Ele prometeu uma lmpada 
para os nossos ps, no uma bola de cristal para o futuro.; 
No precisamos saber o que acontecer amanh.
Precisamos saber apenas que Ele nos guia e que 
"acharemos graa, a fim de sermos ajudados em tempo 
oportuno" (Hb 4.16).
7 - L Fora  uma Selva
O Fardo do Desespero
Refrigera a minha alma.
Salmos 23.3
Pergunto-me se voc pode imaginar a si mesmo numa 
selva. 
Uma densa selva. Uma selva escura. Seus amigos o 
convenceram de que era tempo para uma daquelas raras 
viagens da vida, e aqui est voc. Voc pagou a passagem. 
Voc cruzou o oceano. Voc alugou o guia e juntou-se 
ao grupo. E voc aventurou-se onde nunca antes se 
aventurara - no profundo e estranho mundo de uma selva.
Parece interessante? Vamos dar um passo adiante.
Imagine que voc est na selva, perdido e sozinho. 
Voc parou a fim de amarrar os cordes da bota, e quando 
levantou os olhos, no havia ningum por perto. Voc 
arriscou e foi para a direita; agora est se perguntando se os 
outros no foram para a esquerda (Ou voc foi  esquerda, e 
eles  direita?).
De qualquer modo, voc est sozinho. E voc tem 
estado sozinho por... bem, voc no sabe quanto tempo se 
passou. 
Seu relgio estava na sua mochila, e a sua mochila 
estava nos ombros do gentil rapaz de Nova Jersey, que 
voluntariamente a segurou enquanto voc amarrava as botas. 
Voc no pretendia que ele a carregasse, mas ele o fez. E aqui 
est voc, emperrado no meio de lugar nenhum.
Voc tem um problema. Primeiro, voc no foi feito 
para este lugar. Deixassem voc num centro de avenidas e 
edifcios, e voc poderia farejar o caminho de casa. Mas aqui, 
nestes altos blocos de folhagem? Aqui nestas trilhas 
escondidas por entre o mato? Voc est fora de seu elemento. 
Voc no foi feito para esta selva. 
E o que  pior: voc no est equipado. Voc no tem 
faco. No tem faca. No tem fsforo. No tem luz. No tem 
comida. Voc no est equipado, mas acha-se numa 
armadilha - e no tem a menor idia de como sair.
Parece-lhe divertido? Nem para mim. Antes de 
prosseguir, faamos uma pausa e indaguemos como voc se 
sentiria. Em tais circunstncias, que emoes viriam  tona? 
Com que pensamentos voc lutaria?
Medo? Claro que sim.
Ansiedade? No mnimo.
Raiva? Posso entender isto (Voc gostaria de pr as 
mos naquela gente que o convenceu a fazer esta viagem). 
Porm, acima de tudo, e quanto ao desespero? 
Nenhuma idia de para onde se voltar. Nenhuma intuio do 
que fazer. Quem poderia culpar voc por sentar-se num toco 
(melhor checar primeiro se no h cobras), enterrar o rosto 
nas mos e pensar, Nunca sairei daqui? Voc no possui 
direo, nem equipamento, nem esperana.
Voc pode congelar esta emoo por um momento? 
Voc pode perceber, por um segundo apenas, como  sentir-
se fora de seu elemento? Sem solues? Sem idias ou 
energia? Voc pode imaginar, apenas por um momento, como 
 se sentir sem esperanas? 
Se voc pode, poder relacionar-se com muitas pessoas 
neste mundo.
Para muita gente, a vida ... bem, a vida  igual a uma 
selva. No uma selva de rvores e feras. Fosse assim seria 
simples. Fosse assim, nossas selvas poderiam ser cortadas 
com um faco, e nossos adversrios, capturados numa gaiola. 
No entanto, as nossas selvas compreendem as mais densas 
moitas de sade enfraquecida, coraes partidos, e carteiras 
vazias. 
Nossas florestas so constitudas de paredes de 
hospital e tribunais de divrcio. No escutamos o gorjear dos 
pssaros ou o rosnar dos lees, mas ouvimos as reclamaes 
dos vizinhos e as exigncias dos patres. 
Nossos predadores so os nossos credores, e os ramos 
que nos cercam so as agitaes que nos exaurem.
L fora  uma selva.
E para alguns, mesmo para muitos, o suprimento de 
esperana  pequeno. O desespero  um fardo excedente. Ao 
contrrio dos outros, ele no  cheio.  vazio, e a sua 
vacuidade produz o peso. 
Abra o zper e examine todos os bolsos. Vire de ponta 
cabea e sacuda bem. O saco do desespero  dolorosamente 
vazio.
No  um quadro muito bonito, ? Vamos ver se 
podemos clare-lo mais. J imaginamos as emoes de 
algum perdido; acha que podemos fazer o mesmo com 
algum resgatado? O que seria necessrio para restaurar-lhe 
a esperana? O que voc precisaria para reenergizar a sua 
jornada?
Embora as respostas sejam abundantes, trs chegam 
rpido  mente.
A primeira seria uma pessoa. No qualquer pessoa. 
Voc no precisa de algum igualmente confuso. Voc precisa 
de algum que conhea o caminho para fora. E dele voc 
precisa de alguma viso. Voc precisa de algum que levante 
o seu nimo. Voc precisa de algum que olhe nos seus olhos 
e diga: "Isto no  o fim. No desista. H um lugar melhor que 
este. E eu o conduzirei para l".
E, talvez o mais importante, voc precisa de direo. 
Se voc tem apenas uma pessoa, mas no uma viso 
renovada, tudo o que voc tem  companhia. Se ele tem uma 
viso, mas no direo, voc tem um sonhador por 
companhia. Porm se voc tem uma pessoa com direo - que 
possa tir-lo deste lugar para o lugar - ah, ento voc tem 
algum que pode restaurar-lhe a esperana.
Ou, para usar as palavras de Davi, "Ele refrigera a 
minha alma". 
Nosso Pastor  especialista em restaurar a esperana 
da alma. Seja voc uma ovelha perdida na borda de um 
penhasco, ou um no atrapalhado, sozinho na selva espessa, 
tudo muda quando aparece o seu Salvador.
Sua solido diminui, porque voc tem companhia.
Seu desespero decresce, porque voc tem viso.
Sua confuso comea a dissipar-se, porque voc tem 
direo. 
Note, por favor: voc no deixou a selva. As rvores 
ainda eclipsam o cu, e os espinhos ainda arranham a pele. 
Os animais espreitam e os roedores correm. A selva ainda  
uma selva. Ela no mudou, mas voc sim. Voc mudou 
porque voc tem esperana. E voc tem esperana porque 
encontrou algum que pode gui-lo para fora.
Seu Pastor sabe que voc no foi feito para este lugar. 
Ento Ele veio a fim de conduzi-lo para fora.
Ele veio para refrigerar-lhe a alma. Ele  a pessoa 
perfeita para faz-lo.
Ele tem a viso correta. Ele o lembra de que voc  
"como peregrinos e forasteiros neste mundo" (1 Pe 2.11). 
E Ele insiste para que voc levante os olhos da selva  
sua volta para o cu de voc."No prossiga arrastando-se com 
os olhos no cho, absorvido com as coisas  sua frente. Olhe 
para cima, e esteja alerto s coisas  roda de Cristo... Veja as 
coisas da perspectiva dele (Cl 3.2, traduzido da MSG).
Davi disse o mesmo deste modo:"Elevo os olhos para os 
montes: de onde me vir o socorro? O meu socorro vem do 
senhor, que fez o cu e a terra. No deixar vacilar o teu p; 
aquele que te guarda no tosquenejar. Eis que no 
tosquenejar nem dormir o guarda de Israel. O Senhor  
quem te guarda; o Senhor  a tua sombra  tua direita. O sol 
no te molestar de dia, nem a lua, de noite. O Senhor te 
guardar de todo o mal; ele guardar a tua alma. O Senhor 
guardar a tua entrada e a tua sada, desde agora e para 
sempre" (Sl 121.1-8).
Deus, o nosso libertador, tem a viso correta. Ele 
possui tambm a direo certa. Ele fez a mais audaciosa 
reivindicao da histria do homem quando declarou: "Eu 
sou o caminho" (Jo 14.6). As pessoas se perguntam se a 
reivindicao  exata. Ele responde a indagao abrindo um 
caminho atravs da vegetao rasteira do pecado e da morte, 
e... escapando vivo. Ele  o nico que j fez isto. E  o nico 
que pode ajudar voc e eu a fazermos o mesmo.
Ele tem a viso correta: Ele avistou a ptria. Ele possui 
a direo certa: Ele abriu o caminho. Porm, acima de tudo, 
Ele  a pessoa certa, porque Ele  o nosso Deus. 
Quem melhor conhece a selva seno aquEle que a 
criou? E quem conhece as armadilhas do caminho melhor 
que aquEle que j o trilhou?
Conta-se a histria de um homem num safari, na 
densa selva africana. O guia adiante dele possua um faco e 
ia cortando a vegetao alta e espessa. O viajante, cansado e 
bravo, perguntou frustrado: "Onde estamos? Voc sabe aonde 
est me levando? Cad o caminho?" O experimentado guia 
parou, olhou para trs e respondeu: "Eu sou o caminho".
Indagamos a mesma coisa, no? Perguntamos para 
Deus:"Para onde ests me levando? Cad o caminho?" E Ele, 
como o guia, no nos conta. Oh, Ele pode dar-nos uma 
sugesto ou duas, mas tudo. Se Ele o fizesse, entenderamos? 
Compreenderamos situao? No, assim como o 
viajante, somos alheios  selva. Ento, em vez de dar-nos 
uma resposta, Jesus nos d uma ddiva muito maior. D-nos 
a si mesmo.
Ele remove a selva? No, a vegetao ainda  cerrada.
Ele elimina os predadores? No, o perigo ainda 
espreita.
Jesus no d esperana mudando a selva; Ele restaura 
nossa esperana dando-nos a si prprio. E Ele prometeu 
estar conosco at o fim. "Eis que eu estou convosco todos os 
dias, at a consumao dos sculos" (Mt 28.20).
Precisamos deste lembrete. Todos precisamos. Pois 
todos carecemos de esperana.
Alguns de vocs no precisam dela exatamente agora. 
Sua selva tornou-se uma campina, e sua viagem, um deleite. 
Se este  o seu caso, parabns. Mas lembre-se: no sabemos 
o que o amanh retm. No sabemos aonde vai dar esta 
estrada. Voc pode estar  curva de um cemitrio, do leito de 
um hospital, de uma casa vazia. Voc pode estar na curva da 
estrada para uma selva. 
E embora voc no necessite ter a sua esperana 
restaurada hoje, poder necessitar amanh. E voc precisa 
saber para quem se voltar.
Ou talvez voc precise hoje mesmo. Voc sabe que no 
foi feito para este lugar. Voc sabe que no est equipado. 
Voc quer algum que o tire da.
Se assim , chame por seu Pastor. Ele conhece a sua 
voz, e est apenas esperando por seu pedido.
8 - Uma Troca Celestial
O Fardo da Culpa
Guia-me pelas veredas da justia por amor do seu 
nome.
Salmos 23.3
Um amigo organizou uma troca de biscoitos de natal 
para o staff de nossa igreja. O plano era simples. O preo da 
admisso era uma bandeja de biscoitos. Sua bandeja 
autorizava voc a pegar biscoitos de outras bandejas. 
Voc podia sair com tantos biscoitos quanto houvesse 
trazido.
Parece simples, se voc sabe cozinhar. Mas e se voc 
no sabe? E se, igual a mim, voc  culinariamente 
desafiado? E se voc se sente to  vontade num avental 
quanto um fisiculturista numa roupa de bailarina? Se este  
o caso, voc tem um problema.
Este era o caso, e eu tinha um problema. No tinha 
biscoitos para trazer; conseqentemente, no teria lugar na 
festa. Seria deixado de fora, mandado embora, evitado, 
afastado, rejeitado. (Voc sente por mim?)
Esta era a minha condio.
E, perdoe-me trazer isto  tona, mas a sua situao  
at pior.
Deus est planejando uma festa - uma festa para festa 
nenhuma botar defeito. No uma festinha de biscoitos, mas 
um banquete. No risadinhas e bate-papo na sala de 
conferncias, mas olhos arregalados de admirao na sala do 
trono de Deus.
Sim, a lista de convidados  impressionante. Sua 
pergunta para Jonas, sobre como  sofrer nas entranhas de 
um peixe?Voc poder interrog-lo. Porm mais 
impressionante que os nomes dos convidados  a natureza 
deles. Nada de egos, nada de poderio. 
Culpa, vergonha e tristeza sero detidas no porto. 
Doenas, morte e depresso sero a Peste Negra de um 
passado distante. O que hoje vemos diariamente, l, nunca 
mais veremos.
E o que hoje enxergamos de modo vago, l, 
enxergaremos claramente. Veremos a Deus. No pela f. No 
atravs dos olhos de Moiss, ou de Abrao, ou de Davi. No 
por meio das Escrituras, ou do pr-do-sol, ou das chuvas de 
vero. 
Veremos no o trabalho ou as palavras de Deus, mas 
Ele mesmo! Ele no  o anfitrio da festa; Ele  a prpria 
festa. A sua bondade  o banquete. A sua voz, a msica. O 
seu resplendor  a luz, e o seu amor, o tema infinito da 
discusso.
H apenas um empecilho. O preo da admisso  um 
tanto alto. Para comparecer  festa, voc precisa ser justo. 
No bom. No decente. No um contribuinte ou um 
devoto.
Os cidados do cu so justos. R-e-t-o-s.
Todos ns, ocasionalmente, fazemos o que  certo. Uns 
poucos fazem, predominantemente, o que  certo. Mas, algum 
de ns faz sempre o que  certo? De acordo com Paulo, no. 
"No h um justo, nem um sequer" (Rm 3.10). Paulo  duro 
quanto a isto. Ele continua dizendo, "No h quem faa o 
bem, no h nem um s" (Rm 3.12).
Algum pode discordar. "No sou perfeito, Max, mas 
sou melhor que a maioria.Tenho me portado bem. No quebro 
as regras. No parto coraes. Ajudo as pessoas. Gosto das 
pessoas. Comparado a outros, acho que posso dizer que sou 
uma pessoa justa".
Eu costumava tentar isto com minha me. Ela me dizia 
que o meu quarto no estava limpo, e eu lhe pedia para vir 
comigo ao quarto do meu irmo. O dele estava sempre mais 
bagunado que o meu. "Veja, meu quarto est limpo; d uma 
olhada neste".
Nunca funcionava. Ela me levava para o quarto dela. 
Em se tratando de arrumar aposentos, minha me era justa. 
Seu armrio era perfeito. Sua cama era perfeita. Seu 
banheiro era perfeito. Comparado ao dela, meu quarto era... 
bem, totalmente errado. Ela me mostrava seus aposentos e 
dizia: "E isto o que eu chamo de limpo".
Deus faz o mesmo. Ele aponta para si mesmo e diz: " 
isto o que eu chamo de retido".
Retido  o que Deus .
"...pela justia do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo" 
2 Pe 1.1).
"Deus  um juiz justo" (Sl 7.11).
"O Senhor  justo e ama a justia" (Sl 11.7).
A justia de Deus "permanece para sempre" (Sl 112.3) 
e
"est muito alta" (Sl 71.19).
Isaas descreve Deus como "Deus justo e Salvador" (Is 
45.21).
Na vspera de sua morte, Jesus comeou sua orao 
com as palavras: "Pai justo" (Jo 17.25).
Chegou ao ponto? Deus  justo. Seus decretos so 
justos Rm 2.5). Suas exigncias so justas (Rm 8.4). Seus 
atos so justos (Dn 9.16). Daniel declarou: "Justo  o Senhor, 
nosso Deus, em todas as suas obras, que fez" (Dn 9.14).
Deus nunca  injusto. Ele nunca se entregou a uma 
deciso errada, experimentou a atitude errada, deu o passo 
errado, disse a coisa errada, ou agiu do modo errado. Ele 
nunca est atrasado ou adiantado demais, nunca  
demasiadamente barulhento ou suave, rpido ou lento. Ele 
sempre esteve e sempre estar certo. Ele  reto.
Quando se trata de retido, Deus percorre a mesa 
como um lance de tabela. E quando se trata de retido, no 
sabemos qual extremidade do taco segurar. Da, a nossa 
condio.
Iria Deus, que  justo, passar a eternidade com 
aqueles que no o so? Iria Harvard admitir um desistente da 
terceira srie? Se o fizesse, o gesto poderia ser benevolente, 
mas no seria justo. Se Deus aceitasse o injusto, o convite 
seria ainda mais amvel, mas estaria Ele sendo correto? Seria 
Ele justo por deixar passar nossos pecados? Baixar o seu 
padro? No. Ele no seria justo. E uma coisa que Deus : 
justo.
Ele afirmou a Isaas que a justia seria o seu prumo, o 
padro pelo qual a sua casa seria medida (Is 28.17). Se 
somos injustos, ento seremos deixados na entrada, sem 
biscoitos. Ou, para usar a analogia de Paulo, "e todo o mundo 
seja condenvel diante de Deus" (Rm 3.19). Ento, o que 
vamos fazer?
Carregar um fardo de culpa? Muitos o fazem. Muitos 
mesmo.
E se a nossa bagagem espiritual fosse visvel? Suponha 
que a bagagem de nosso corao fosse literalmente vista pelas 
ruas. Sabe o que mais veramos? Malas de culpas. 
Bolsas estufadas com bebedeiras, exploses, e 
compromissos. Olhe  sua volta. O camarada com o terno de 
l cinza? Est arrastando uma dcada de pesares. 
O menino de cala jeans e argola no nariz? Daria 
qualquer coisa para retirar as palavras que disse  me. Mas 
no pode. Ento ele as reboca adiante. A mulher num tailleur 
executivo? Parece que ela poderia concorrer para senadora. 
Ela preferiria correr por socorro, mas no pode correr por 
nada. No arrastando aquela mala de remorso onde quer que 
v.
Oua. O peso do cansao abate voc. A autoconfiana 
desencaminha voc. Os desapontamentos desencorajam voc.
A ansiedade contamina voc. A culpa? A culpa 
consome voc.
Ento, o que fazemos? Nosso Deus  correto, e ns 
somos errados. Sua festa  para os inocentes, e estamos 
longe disso. O que fazemos?
Posso contar-lhe o que fiz. Confessei minha 
necessidade. Lembra-se do meu dilema sobre os biscoitos? 
Veja o e-mail que enviei a todo o staff: "No sei cozinhar, por 
isso no poderei estar na festa".
Alguma das assistentes teve piedade de mim? No.
Algum do staff teve pena de mim? No.
Algum da Suprema Corte da justia teve misericrdia 
de mim? No.
Porm, uma piedosa irm da igreja teve compaixo de 
mim.
Como ela soube do meu problema, eu no sei.Talvez 
meu nome achou seu caminho numa lista de orao. O que 
sei  que momentos antes da celebrao, estavam me 
entregando um presente, um prato de biscoitos, doze crculos 
de bondade.
E em virtude daquele presente, fui privilegiado com um 
lugar na festa.
Se eu fui? Pode apostar seus biscoitos que sim. Como 
um prncipe carregando uma coroa numa almofada, carreguei 
o meu presente para dentro da sala, coloquei-o na mesa e 
fiquei de cabea erguida. Porque uma boa alma ouviu o meu 
apelo, foi-me dado um lugar  mesa.
E porque Deus ouve o seu apelo, ser-lhe- dado o 
mesmo. 
S que Ele faz mais - oh, muito mais - que assar 
biscoitos para voc.
Foi, ao mesmo tempo, o momento mais belo e o mais 
horrvel da histria. Jesus de p, no tribunal do cu. 
Passando a mo sobre toda a criao, Ele defendeu:
"Puna a mim pelos seus erros. V o assassino? D-me 
a sua pena. A adltera? Eu levarei a sua vergonha. O 
fantico, o mentiroso, o ladro? Faa a mim o que farias a 
eles. Trate-me como tratarias um pecador".
E Deus o fez. "Porque tambm Cristo padeceu uma vez 
pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" 
(1 Pe 3.18).
Sim, reto  o que Deus , e, sim, reto  o que ns no 
somos, e, sim, retido  o que Deus requer. Mas,"agora se 
manifestou sem a lei a justia de Deus" (Rm 3.21).
Davi disse o mesmo desta forma: "Guia-me pelas 
veredas da justia" (Sl 23.3).
A vereda da justia  uma trilha estreita, sinuosa, 
subindo um monte ngreme. No cume do monte h uma cruz. 
Ao p da cruz esto os fardos. Incontveis fardos 
cheios de inumerveis pecados. O calvrio  um monte 
composto de culpas. Gostaria de levar a sua para l tambm?
Um ltimo pensamento sobre a festa do biscoito 
natalina. Todos sabiam que eu no fazia biscoitos? Se no 
sabiam, eu lhes contei. Contei-lhes que estava presente em 
virtude do trabalho de outra pessoa. Minha nica 
contribuio foi a minha prpria confisso.
Estaremos dizendo o mesmo por toda a eternidade.
9 - Suplante a si Mesmo
O Fardo da Arrogncia
Por amor do seu nome...
Salmos 23.3
A humildade  de certo modo uma virtude enganosa. 
s vezes voc pensa que a possui, e no possui, ou acha que 
no a tem, e tem. J ouviu a histria do menino que recebeu 
o distintivo de "O Mais Humilde", e este lhe foi tirado porque 
ele o usou?
Algo semelhante aconteceu-me outro dia mesmo. Eu 
me retirara para uma cidade prxima a fim de trabalhar neste 
livro. O povoado era um perfeito refgio: singular, sossegado, 
e tinha excelente comida.
Eu tinha ido a um bar para tomar o caf da manh, 
quando percebi que as pessoas estavam me fitando. 
Enquanto estacionava, dois camaradas se voltaram e 
olharam em minha direo. Uma mulher fez uma tomada 
dupla quando entrei, e vrios clientes levantaram a cabea  
minha passagem. Quando tomei assento, a garonete 
entregou-me um menu, mas no sem antes estudar-me 
demoradamente.
Por que a ateno? Aps algumas cogitaes, tomei 
uma posio madura e admiti que eles me haviam 
reconhecido das capas de meus livros. Ora, esta deve ser uma 
cidade de leitores. E, dei de ombros, eles conhecem um bom 
autor quando vem um. Minha apreciao pelo local apenas 
aumentou.
Dando um sorriso para as pessoas das outras mesas, 
preparei-me para tomar minha refeio. Quando me 
encaminhei para o caixa, as cabeas se voltaram novamente. 
Estou certo de que Steinbeck tinha o mesmo problema. A 
mulher que recebeu o meu dinheiro comeou a dizer algo, 
mas ento parou. Encabulada, conjeturei.
Foi apenas quando parei no banheiro que vi o real 
motivo de tanta ateno - a risca de sangue seco em meu 
queixo. Meu curativo para corte de barbeador no funcionara, 
e eu sara com a minha barbela de peru. Tanto mais por me 
sentir famoso.
Eles provavelmente acharam que eu era um foragido 
de uma priso do Texas.
Oh, as coisas que Deus faz para manter-nos 
humildes... 
Ele o faz para o nosso bem, voc sabe. Voc poria uma 
sela nas costas de seu filho de cinco anos? Iria Deus 
sobrecarregar voc com arrogncia? De jeito nenhum.
Esta  uma pea da bagagem que Deus odeia. Ele no 
antipatiza com a arrogncia. Ele no desaprova a arrogncia. 
Ele no  desfavorvel  arrogncia. Deus odeia a arrogncia. 
O que uma refeio de larvas causa ao nosso estmago, o 
orgulho humano causa ao de Deus.
"A soberba e a arrogncia aborreo" (Pv 8.13).
"Abominao  para o Senhor todo altivo de corao" 
(Pv 16.5).
Deus ordena: "Nada faais por vanglria" (Fp 2.3).
E, "No multipliqueis palavras de altssima altivez" (1 
Sm 2.3). E do mesmo modo que concede graa ao humilde, 
"Deus resiste aos soberbos" (1 Pe 5.5). Enquanto a humildade 
vai adiante da honra,"a soberba precede a runa" (Pv 16.18).
Indagamo-nos todos por que as igrejas so cheias de 
poder em uma gerao, e vazias na outra. Talvez a resposta 
se encontre em Provrbios 15.25: "O Senhor arrancar a casa 
dos soberbos".
Deus odeia a arrogncia. Ele odeia a arrogncia porque 
no temos feito coisa alguma pela qual sermos arrogantes. 
O crtico de artes confere prmios  tela? H um 
Pulitzer para a tinta? Voc pode imaginar um bisturi se 
tornando presunoso aps um bem sucedido transplante de 
corao? Claro que no. Eles so apenas ferramentas, por 
isso no recebem crdito pelas realizaes.
E a mensagem do Salmo 23  que tambm no temos 
nada pelo que nos orgulhar. Temos descanso, salvao, 
bnos, e um lar no cu - e no fizemos nada para merecer 
qualquer uma destas coisas. Quem fez? Quem fez o trabalho? 
A resposta enfileira-se pelo Salmo 23 como um fio de seda 
atravs das prolas.
"Ele me faz..."
"Ele me guia..."
"Ele refrigera a minha alma..."
"Tu ests comigo..."
"A tua vara e o teu cajado me consolam..."
"Preparas uma mesa..."
"Unges a minha cabea..."
Podemos ser a tela, o papel, ou o bisturi, mas no 
somos quem merece os aplausos. E, apenas para certificar de 
que entendemos o ponto, bem no meio do poema, Davi 
declara quem os merece. O pastor guia suas ovelhas, no por 
amor de nossos nomes, mas "por amor do seu nome".
Por que Deus tem algo a fazer conosco? Por amor do 
seu nome. Nenhum outro nome em cartaz. Nenhum outro 
nome em destaque. Nenhum outro nome na primeira 
pgina.Tudo  feito para a glria de Deus.
Por que? Qual  a grande jogada? Deus tem um 
problema de ego?
No, mas ns, sim. Somos quase to responsveis com 
os aplausos quanto eu fui com o bolo que ganhei no primeiro 
grau. No grande final da competio musical, advinha quem 
se sentou? E advinha o que o menininho ruivo de rosto 
sardento ganhou? Um fofo e mido bolo de coco. E advinha o 
que o menino queria fazer naquela noite? Comer o bolo todo. 
No apenas metade dele. 
No um pedao dele. Todo ele! Afinal, eu o tinha 
ganhado.
Mas voc sabe o que os meus pais fizeram? 
Racionaram o bolo. Deram-me apenas o que eu podia 
segurar. Sabendo que a forra de hoje  a dor de barriga de 
amanh, eles asseguraram que eu no adoecesse em meu 
sucesso.
Deus faz o mesmo. Ele pega o bolo. Ele pega o crdito, 
no porque precise dele, mas porque sabe que no podemos 
lidar com ele. No nos contentamos com um pouco de 
adulao; nossa tendncia  engolir toda ela. A exaltao 
aumenta a nossa cabea e encolhe o nosso crebro, e logo 
comeamos a pensar que temos algo a ver com a nossa 
sobrevivncia. Bem rpido nos esquecemos de que fomos 
feitos do p, e resgatados do pecado.
Logo comeamos a orar como o companheiro na 
reunio do partido poltico religioso: "Deus, obrigado porque 
no mundo h pessoas como eu. O homem da esquina carece 
de assistncia social - eu no. A prostituta da rua tem AIDS - 
eu no. O bbado no bar necessita de lcool - eu no. A 
conveno dos gays precisa de moralidade - eu no. Te 
agradeo porque no mundo h pessoas como eu".
Afortunadamente, havia um homem na mesma reunio 
que desviara todo o aplauso. Contrito demais at para 
levantar os olhos ao cu, ele curvou-se e orou:
"Deus, tenha misericrdia de mim, pecador. Como o 
meu irmo depende da previdncia social, eu dependo da tua 
graa. 
Como a minha irm com AIDS, estou infectado com 
enganos. 
Como o meu irmo que bebe, preciso de algo que me 
alivie a dor.
E assim como Tu amas e ds direo ao gay, concede-
me o mesmo.
Tenha misericrdia de mim, pecador".
Aps contar uma histria semelhante a esta, Jesus 
declarou: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, 
e no aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta ser 
humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha ser 
exaltado" (Lc 18.14).
Com a mesma intensidade com que odeia a arrogncia, 
Deus ama a humildade. O mesmo Jesus que disse: "Sou 
manso e humilde de corao" (Mt 11.29), ama aqueles que 
so mansos e humildes de corao. "Ainda que o Senhor  
excelso, atenta para o humilde" (Sl 138.6). Deus afirmou: 
"Habito com o contrito e abatido" (Is 57.15). Ele tambm 
disse: "Eis para quem olharei: para o pobre e abatido de 
esprito" (Is 66.2). E aos humildes, Deus d grandes tesouros:
Ele d honra: "Diante da honra vai a humildade".
Ele d sabedoria:"Com os humildes est a sabedoria" (Pv 
11.2)
Ele d direo: "Aos mansos ensinar o seu caminho" (Sl 
25.9).
E o mais importante, Ele d graa: "Deus d graa ao 
humilde" (1 Pe 5.5).
E esta segurana: "Ele adornar os mansos com a salvao" 
(Sl 149.4).
  O apstolo Paulo foi salvo atravs de uma visita 
pessoal de Jesus. Ele foi levado at o cu e tinha poder para 
ressuscitar mortos, mas quando se apresentava a si mesmo, 
no mencionava nada disso. Ele simplesmente dizia: "Paulo, 
servo de Deus" (Tt 1.1).
Joo batista era parente sanguneo de Jesus e foi o 
primeiro evangelista da histria. Contudo, ele  lembrado nas 
Escrituras como aquele que decidiu: "E necessrio que ele 
cresa e que eu diminua" (Jo 3.30).
Deus ama a humildade. Seria esta a razo de Ele 
oferecer tantas dicas para cultiv-la? Posso... hh... 
humildemente, falar um pouco?
1. Avalie-se a si mesmo honestamente. Humildade no 
 o mesmo que baixa auto-estima. Ser humilde no significa 
voc achar que no tem nada a oferecer; significa que voc 
sabe exatamente o que tem a oferecer, e no mais. "... que 
no saiba mais do que convm saber, mas que saiba com 
temperana, conforme a medida da f que Deus repartiu a 
cada um" (Rm 12.3).
2. No leve o sucesso to a srio. A Escritura faz esta 
advertncia: "E se acrescentar a prata e ouro, e se multiplicar 
tudo quanto tens, no se eleve o teu corao e te esqueas do 
teu Deus" (Dt 8.13,14). 
Neutralize este orgulho com a lembrana da brevidade 
da vida e da fragilidade da riqueza.
Considere o seu sucesso e conte o seu dinheiro num 
cemitrio, e lembre-se que nenhum dos dois ser enterrado 
com voc. "Como saiu do ventre de sua me, assim nu 
voltar, indo-se como veio; e nada tomar do seu trabalho 
que possa levar na sua mo" (Ec 5.15). Vi um lembrete desses 
num cemitrio. 
Estacionado perto da entrada estava um belo barco de 
recreao com a placa "Vende-se". Voc ficaria admirado se o 
pescador compreendesse que no poderia lev-lo com ele.
3. Celebre a importncia dos outros."Cada um 
considere os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3). O 
colunista Rick Reilly deu aos atletas profissionais novatos o 
seguinte conselho: "Pare de bater no peito. Na linha 
bloqueada, o zagueiro lana voc numa perfeita espiral 
enquanto a cabea dele pra, e o bom receptor bate a dupla 
cobertura. Suplante a si mesmo".
A verdade  que cada aterrissagem na vida  uma 
conquista da equipe. Aplauda seus companheiros de equipe. 
Um aluno da escola primria chegou do teste que 
fizera para a pea da escola, anunciando: "Mame, mame, 
ganhei um papel. Fui escolhido para sentar na audincia, e 
aplaudir e dar vivas!" Quando voc tem a chance de aplaudir 
e ovacionar, voc o faz? Se o faz, a sua cabea est 
comeando a se ajustar ao tamanho do seu chapu.
4. No demande o seu prprio lugar. Esta foi a 
instruo de  Jesus aos discpulos: "Assenta-te no derradeiro 
lugar, para que quando vier o que te convidou, te diga: 
Amigo, assenta-te mais para cima. Ento ters honra diante 
dos que estiverem contigo  mesa" (Lc 14.10).
Exigir deferncia  como caar uma borboleta. Persiga-
a, e nunca a alcanar. Sente-se quieto, e ela poder pousar 
em seu ombro. O filsofo francs Blaise Pascal indagou: "Voc 
quer que as pessoas falem bem de voc? Ento nunca fale 
bem de si mesmo". Talvez seja o que a Bblia diz: "Louve-te o 
estranho, e no a tua boca" (Pv 27.2).
5. Nunca anuncie o seu sucesso antes que ele 
acontea. 
Ou, como disse um dos reis de Israel, "No se gabe 
quem se cinge como aquele que se descinge" (1 Rs 20.11). 
Charles Spurgeon treinou muitos jovens ministros. 
Numa ocasio, um aluno subiu para pregar, cheio de 
confiana, mas falhou miseravelmente. Ele desceu manso e 
humilde. Spurgeon asseverou-lhe: "Se voc tivesse subido 
como desceu, teria descido como subiu".' Se a humildade 
precede um evento, ento a confiana poder segui-lo.
6. Fale humildemente. "No multipliqueis palavras de 
altssima altivez" (1 Sm 2.3). No seja emproado. As pessoas 
no esto impressionadas com as suas opinies. 
Aprenda com Benjamin Franklin.
Desenvolvi o hbito de expressar-me em termos de 
modesta falta de confiana, nunca usando, quando antecipo 
que alguma coisa pode ser disputada, as palavras 
certamente, indubitavelmente, ou outras que do o ar de 
positividade a uma opinio; antes, digo: eu imagino, eu sinto 
que determinada coisa pode ser assim e assim... Acredito que 
este hbito me tem sido muito vantajoso.
E pode ser muito vantajoso para ns tambm.
Um ltimo pensamento para promover a humildade.
Viva ao p da cruz. Paulo afirmou: "Mas longe esteja de 
mim gloriar-me, a no ser na cruz de nosso Senhor Jesus 
Cristo".
Voc sente necessidade de afirmao? Sua auto-estima 
carece de ateno? Voc no precisa apresentar nomes ou 
exibir-se. Voc necessita apenas de uma pausa ao p da cruz, 
e de ser lembrado disso: O criador das estrelas preferiu 
morrer por voc, a sem voc. E isto  fato. Ento, se voc 
precisa gabar-se, gabe-se disso.
E, de vez em quando, examine o seu queixo.
10 - Eu o Levarei para o Lar
O Fardo do Tmulo
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, 
no temeria mal algum, porque tu ests comigo; a tua 
vara e o teu cajado me consolam.
Salmos  23.4
Vero na antiga Palestina. Um bando de carneiros, de 
cabeas balouantes, segue o pastor para fora do porto.
A crista do sol mal apareceu no horizonte, e ele j 
conduz o seu rebanho. Como todos os outros dias, ele os guia 
atravs do porto e os leva para os campos. Porm, diferente 
da maioria dos outros dias, o pastor no voltar para casa  
noite. Ele no descansar em sua cama, e as ovelhas no 
dormiro em seu piquete cercado.  o dia de o pastor levar as 
ovelhas para o campo alto. 
Hoje, ele encaminha o seu rebanho para as 
montanhas.
Ele no tem outra escolha. O pastoreio da primavera 
deixou os seus pastos tosados, por isso ele precisa procurar 
novos campos. Sem outra companhia, que no as ovelhas, e 
sem outro anelo, que no o bem-estar delas, ele as guia para 
os espessos gramados das encostas. O pastor e o seu rebanho 
ir-se-o por semanas, talvez meses. Ficaro l at o outono; 
at que a grama se acabe e o frio se torne insuportvel.
Nem todos os pastores fazem esta jornada. A 
caminhada  longa. A vereda  perigosa. Plantas venenosas 
podem intoxicar o rebanho. Animais selvagens podem atacar 
o rebanho. Existem trilhas estreitas e vales escuros. 
Alguns pastores preferem a segurana dos pastos 
estreis, embaixo.
Mas o bom pastor no. Ele conhece o caminho. Ele 
palmilhou esta trilha muitas vezes. Alm do mais, ele est 
preparado. Vara na mo e cajado preso ao cinto. Com a vara, 
ele tanger o rebanho. o cajado, ele o proteger e guiar. Ele o 
conduzir para as montanhas.
Davi compreendia esta peregrinao anual. Antes de 
comandar Israel, ele comandou ovelhas. Poderia o seu tempo 
como pastor a inspirao por trs deste que  um dos mais 
importantes versculos da Bblia? "Ainda que eu andasse pelo 
vale da sombra da morte, no temeria mal algum, porque tu 
ests comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam" (Sl 
23.4).
Porque o que o pastor faz com o rebanho, o nosso 
Pastor far conosco. Ele nos conduzir aos campos elevados. 
Quando os pastos estiverem tosados aqui embaixo, 
Deus nos levar l para cima. Ele nos guiar atravs do 
porto, para fora das terras rentes, e subir a trilha da 
montanha.
Como um pastor escreveu:
Toda montanha tem seus vales. Suas encostas so 
marcadas por profundas ravinas e sulcos. E a melhor rota 
para o topo  sempre atravs destes vales.
Qualquer pastor acostumado aos campos altos sabe 
disso. 
Ele guia o seu rebanho de modo gentil, porm 
persistente, pela trilha que sobe sinuosa atravs dos vales 
sombrios.
Algum dia, nosso Pastor far o mesmo conosco. Ele 
nos levar para a montanha pelo caminho do vale. Ele nos 
guiar para a sua casa atravs do vale da sombra da morte.
Muitos anos atrs, quando eu morava em Miami, 
recebemos no escritrio da igreja um telefonema de uma casa 
funerria prxima. Um homem havia identificado o corpo de 
um indigente como sendo seu irmo, e queria um culto 
memorial. Ele no conhecia nenhum ministro na regio. 
Poderia eu dizer algumas palavras? O ministro snior e 
eu concordamos. Quando chegamos, o irmo do falecido 
havia selecionado um texto numa Bblia em espanhol: "Ainda 
que eu andasse pelo vale da sombra da morte, no temeria 
mal algum, porque tu ests comigo; a tua vara e o teu cajado 
me consolam" (Sl 23.4).
Ele precisava assegurar-se de que, embora seu irmo 
tivesse vivido sozinho, no morrera s. E buscando esta 
segurana, voltou-se para este versculo. Voc tem, 
igualmente, feito o mesmo.
Se voc j assistiu a um culto fnebre, j ouviu estas 
palavras. 
Se voc j caminhou pelo cemitrio, j leu estas 
palavras. Elas so citadas nas sepulturas dos indigentes; 
entalhadas nas lpides dos reis. Gente que no conhece nada 
da Bblia conhece esta parte dela. Gente que no cita as 
Escrituras recorda este trecho, este versculo sobre vale, 
sombra e pastor.
Por que? Por que estas palavras so to estimadas? 
Por que este verso  to amado? Posso pensar num par de 
razes. Em virtude deste salmo, Davi concede-nos dois 
lembretes que podem ajudar-nos a perder o medo da 
sepultura.
Todos j o enfrentamos. Numa vida assinalada por 
hora marcada com o mdico, hora marcada com o dentista, 
hora marcada com a escola, no est marcada, para nenhum 
de ns, a hora em que vamos faltar; no h hora marcada 
com a morte. "Aos homens est ordenado morrerem uma vez, 
vindo, depois disso, o juzo" (Hb 9.27). Oh, como gostaramos 
de mudar este verso. Apenas uma ou duas palavras seriam 
suficientes. "A quase todos est ordenado morrer..." ou "A 
todos, menos a mim, est ordenado morrer..." ou "A todos os 
que esquecerem de se alimentar direito e de tomar vitaminas 
est ordenado morrer...". Mas estas no so palavras de 
Deus. Em seu plano, todos devem morrer, mesmo aqueles 
que so corretos e tomam as suas vitaminas.
Eu poderia ter passado o dia todo sem lembrar voc 
disso. Fazemos possvel para evitar o tpico. Um homem 
sbio, porm, insiste que o enfrentemos honestamente: 
"Melhor  ir  casa onde h luto do que ir  casa onde 
h banquete, porque ali se v o fim de todos os homens; e os 
vivos o aplicam ao seu corao" (Ec 7.2). Salomo no estava 
promovendo uma mrbida obsesso pela morte. Ele estava 
nos lembrando de sermos honestos quanto ao inevitvel. 
Moiss fez a mesma exortao. No nico salmo 
atribudo  sua pena, ele orou: "A durao da nossa vida  de 
setenta anos... Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal 
maneira que alcancemos corao sbio" (Sl 90.10,12).
O sbio se lembra da brevidade da vida. Exerccios 
podem obter-nos um pouco mais de batidas do corao. A 
medicina pode dar-nos um pouco mais de respirao. Mas no 
fim, h um fim. E a melhor maneira de enfrentar a vida  ser 
honesto quanto  morte. 
Davi era. Ele pode ter matado Golias, mas no tinha 
iluses quanto a evitar o gigante da morte. E, embora o seu 
primeiro lembrete nos torne moderados, o segundo nos 
encoraja: No temos de enfrentar a morte sozinhos.
No perca a mudana no vocabulrio de Davi. At este 
ponto, e eu temos sido os ouvintes, e Deus, o assunto. "O 
Senhor  meu pastor". "Ele me faz deitar". "Ele guia-me 
mansamente s guas tranqilas". "Ele restaura a minha 
alma". "Ele guia-me pelas veredas da justia". Nos trs 
primeiros versos, Davi nos fala, e Deus escuta.
De repente, porm, no verso quatro, Davi fala com 
Deus, e ns ouvimos.  como se a face de Davi, que estava 
sobre ns, agora se voltasse para Deus. Seu poema torna-se 
uma orao. Em vez de falar conosco, ele fala com o Bom 
Pastor. "Tu ests comigo; a tua Vara e o teu cajado me 
consolam".
A mensagem subentendida de Davi  sutil, porm 
crucial. 
No enfrente a morte sem enfrentar Deus. Nem mesmo 
fale da morte, sem falar com Deus. Ele, e apenas Ele, pode 
gui-lo atravs do vale. Outros podem especular ou aspirar, 
contudo, apenas Deus conhece o caminho para lev-lo ao lar. 
E apenas Deus est comprometido em levar voc para l, em 
segurana.
Anos depois de Davi haver escrito estes versos, outro 
pastor de Belm diria: "Na casa de meu Pai h muitas 
moradas; se no fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou 
preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei 
outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu 
estiver, estejais vs tambm" (Jo 14.2,3).
Note a promessa de Jesus. "Virei outra vez e vos levarei 
para mim mesmo". Ele empenha-se em levar-nos ao lar. Ele 
no delega esta incumbncia. Ele envia missionrios para 
ensinar voc, manda anjos para proteger voc, professores 
para guiar voc, cantores para inspirar voc, mas no manda 
ningum para levar voc. Ele reserva esta tarefa a si prprio. 
"Eu voltarei e levarei voc para casa". Ele  o seu Pastor 
pessoal. E Ele  responsvel, pessoalmente, em conduzir voc 
ao lar. E porque Ele est presente quando qualquer uma de 
suas ovelhas morre, voc pode dizer o que Davi disse: "No 
temerei mal algum".
Quando minhas filhas eram mais novas, desfrutamos 
de muitas tardes divertidas na piscina. Como todos ns, elas 
tiveram de superar seus temores a fim de nadar. Um dos 
ltimos medos que elas tiveram de enfrentar foi o medo da 
profundidade. Uma coisa  nadar na superfcie, outra coisa  
mergulhar fundo. Quero dizer, quem sabe que espcies de 
drages e serpentes habitam as profundezas de uma piscina 
de dois metros e meio? Voc e eu sabemos que no h nada a 
temer, mas uma criana de seis anos no sabe. Uma criana 
sente a respeito da profundidade o mesmo que voc e eu 
sentimos a respeito da morte. No estamos certos e nos 
espera l embaixo.
Eu no queria que minhas filhas tivessem medo da 
profundidade, ento eu brincava, com cada uma delas, de 
Shamu, a baleia. Minha filha era a treinadora. Eu era 
Shamu. Ela apertava o nariz e passava o brao em volta do 
meu pescoo. Ento afundvamos. Afundvamos, 
afundvamos, afundvamos at poder tocar o fundo da 
piscina. Ento explodamos, rompendo  tona. Aps vrios 
mergulhos, elas compreenderam que no tinham nada a 
temer. Nenhum mal. 
Por qu? Porque eu estava com elas.
E quando Deus nos chamar para dentro do profundo 
vale da morte. Ele estar conosco. Ousaramos pensar que 
Ele nos abandonaria no momento da morte? Iria um pai 
forar seu filho a nadar sozinho nas profundezas? Iria o 
pastor exigir que a sua ovelha viajasse sozinha para as terras 
altas? Claro que no. Iria Deus permitir que um filho seu 
viajasse sozinho para a eternidade? Absolutamente no! Ele 
est com voc!
O que Deus disse a Moiss, Ele diz a voc: "Ir a minha 
presena contigo para te fazer descansar" (x 33.14). 
O que Deus disse a Jac, Ele diz a voc: "Eis que estou 
contigo, e te guardarei por onde quer que fores" (Gn 28.15).
O que Deus disse a Josu, Ele diz a voc: "Como fui 
com Moiss, assim serei contigo; no te deixarei nem te 
desampararei" (Js. 1.5).
O que Deus disse  nao de Israel, Ele diz a voc: 
"Quando passares pelas guas, estarei contigo" (Is 43.2).
O Bom Pastor est com voc. E porque Ele est com 
voc, pode fazer a mesma declarao que Davi: "No temerei 
mal algum, porque tu ests comigo; a tua vara e o teu cajado 
me consolam.
Um capelo do exrcito francs usava o Salmo 23 para 
encorajar os soldados antes da batalha. Ele insistia com eles 
para repetirem a primeira frase do salmo, marcando cada 
palavra em um dedo. O dedo mnimo representava a palavra 
O; o anular representava a palavra Senhor; o mdio, ; o 
indicador, meu; e o polegar, pastor. Ento ele pedia que cada 
soldado escrevesse o versculo na palma da mo, e o repetisse 
sempre que precisasse de fora.
O capelo dava nfase especial  mensagem do dedo 
indicador - meu. Ele recordava aos soldados que Deus  um 
pastor pessoal, com uma misso pessoal - lev-los ao lar em 
segurana.
As palavras do capelo alcanaram o alvo? Na vida de 
um homem, sim. Aps uma batalha, um jovem soldado foi 
achado morto; sua mo direita agarrada ao indicador da 
esquerda. 
"O Senhor e o meu pastor...".
Oro para que as suas horas finais encontrem voc 
agarrado  mesma esperana.
11 - Quando Chega o Pranto
O Fardo da Aflio
Ainda que eu acidasse pelo vale da sombra da 
morte... 
Salmos 23.4
Carlos Andres Baisdon-Nino deitou-se com o seu livro 
de histrias bblicas favorito. Comeou com o primeiro 
captulo e virou cada pgina at o fim. Quando acabou, 
assoprou um beijo de boa noite  mame e ao papai, s suas 
trs ninas, e ento, como sempre, atirou tambm um beijo ao 
Pap Dios. Fechou os olhos, deslizou para o sono, e acordou 
no cu.
Carlos tinha trs anos.
Quando Tini e Betsa, seus pais, e eu nos encontramos 
para planejar o funeral, eles quiseram que eu assistisse a um 
vdeo de Carlos. Voc precisa v-lo danando, disse-me Tim. 
Uma olhada, e eu pude entender por que. O que o Carlinhos 
fazia ao ritmo da cano latina no pode ser descrito com 
palavras. Ele se sacudia de cima para baixo. Seus ps se 
moviam, suas mos batiam, sua cabea balanava. Dava a 
impresso de que o batimento de seu corao mudara para o 
seu nativo compasso colombiano.
Ns rimos. Ns trs rimos. E no riso, por apenas um 
momento, Carlos estava conosco. Por apenas um momento, 
no havia leucemia, seringas, cobertores ou quimioterapia. 
No havia lpide para gravar ou tmulo para cavar. Havia 
apenas Carlos. E Carlos estava exatamente danando.
Mas ento o vdeo parou, bem como o riso. E aquela 
me e aquele pai retomaram a sua caminhada atravs do vale 
da sombra da morte.
Voc est atravessando a mesma sombra? Este livro 
est sendo segurado pelas mesmas mos que tocaram a face 
fria de um amigos? E os olhos que caem sobre estas pginas 
j caram tambm no corpo sem vida de um marido, uma 
esposa, um filho? Voc est atravessando o vale? Se no est, 
este captulo pode parecer desnecessrio. Sinta-se livre para 
ir adiante - ele estar quando voc precisar dele.
Entretanto, se est, voc sabe que o negro saco da 
tristeza  difcil de sustentar.  difcil carreg-lo porque nem 
todos entendem a sua aflio. Eles entenderam no comeo. 
Entenderam no funeral.  Ao lado da sepultura. 
Mas no agora. Eles no entendem. O luto prolonga-se.
To silenciosamente quanto uma nuvem escorrega 
entre voc e o sol da tarde, as lembranas flutuam entre voc 
e a alegria, deixando voc numa sombra gelada. Nenhum 
aviso. Nenhuma notcia. Apenas o cheiro da colnia que ele 
usava, ou um verso da cano que ela amava, e voc est 
dizendo adeus outra vez.
Por que o pesar no o deixa?
Porque voc enterrou mais que uma pessoa. Voc 
enterrou algo mesmo. No foi John Dorme que disse, "A 
morte de qualquer homem me diminui"? E como se a raa 
humana residisse numa imensa cama elstica. Os 
movimentos de um podem ser sentidos por todos. E quanto 
mais ntimo o relacionamento, mais intensa a partida. 
Quando morre algum que voc ama, isto afeta voc. 
Afeta os seus sonhos.
Alguns anos atrs, minha esposa e eu servimos com 
outros missionrios no Rio de janeiro, Brasil. Nossa equipe 
era composta de vrios casais jovens que, por estarem longe 
de casa, tornaram-se muito chegados. Regozijamo-nos 
grandemente quando dois membros de nossa equipe, Marty e 
Angela, anunciaram que ela estava grvida de seu primeiro 
filho.
No entanto, a gravidez foi difcil, e a alegria virou 
inquietao. Foi dito a Angela que ficasse na cama, e a ns, 
que permanecssemos em orao. Assim o fizemos. E Deus 
respondeu nossas oraes, embora no como desejvamos. O 
beb morreu no tero.
Nunca esqueci o comentrio de Marty. "Mais que um 
beb morreu, Max. Morreu um sonho".
Por que a dor se prolonga? Porque voc est lidando 
com mais do que lembranas - voc est lidando com 
amanhs no vividos. Voc no est combatendo apenas a 
tristeza - est combatendo o desapontamento. Est 
combatendo a raiva.
Ela pode estar na superfcie. Pode estar oculta. Pode 
ser uma chama. Pode ser um maarico. Mas a raiva mora na 
casa da tristeza. Raiva de si prprio. Raiva da vida. Raiva do 
sistema militar, hospitalar, ou rodovirio. Mas acima de tudo, 
raiva para com Deus. A raiva toma a forma de uma pergunta 
de seis letras: Por que? Por que ele? Por que ela? Por que 
agora? Por que ns? 
Voc e eu sabemos que no podemos responder esta 
interrogao. Apenas Deus conhece as razes por trs de 
seus atos. Porm aqui est urna verdade sobre a qual 
podemos repousar.
Nosso Deus  um Deus bom.
"... por tua bondade, Senhor. Bom e reto  o Senhor" 
(Sl 25.7,8). 
"Provai e vede que o Senhor  bom" (Sl 34.8).
Deus  um Deus bom. Devemos comear aqui. Embora 
no compreendamos suas aes, podemos confiar em seu 
corao.
Deus faz apenas o que  bom. Mas como pode a morte 
ser boa? Alguns enlutados no fazem esta pergunta. Quando 
a quantidade dos anos ultrapassou a qualidade deles, no 
indagamos como a morte pode ser boa.
Porm o pai do adolescente morto o faz. A viva de 
trinta anos o faz. Os pais de Carlos o fizeram. Meus amigos 
no Rio de janeiro tambm. Como pode a morte ser boa?
Parte da resposta pode ser encontrada em Isaas 
57.1,2: 
"Perece o Justo e no h quem considere isto em seu 
corao, e os homens compassivos so retirados, sem que 
algum considere que o justo  levado antes do mau. Ele 
entrar em paz; descansaro nas suas camas os que 
houverem andado na sua retido".
A morte  o modo de Deus tirar a pessoa do mal. De 
que espcie de mal? Uma doena prolongada? Um vcio? Uma 
escura fase de rebelio? No sabemos. Sabemos, contudo, 
que ningum vive mais nem menos do que Deus pretende. 
"No teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam 
sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas 
havia" (Sl 139.16).
Mas os dias dela aqui foram to poucos...
A vida dele foi to breve...
Para ns parece assim. Falamos de uma vida curta, 
mas comparada  eternidade, quem tem uma longa? Os dias 
de uma pessoa na terra podem parecer uma gota no oceano. 
Os seus e os meus podem parecer o que cabe num dedal. 
Porm comparado ao Pacfico da eternidade, nem os anos de 
Matusalm encheriam mais que um copo. Tiago no estava 
falando apenas aos jovens, quando disse, "No sabeis o que 
acontecer amanh. Porque que  a vossa vida?" (Tg 4.14).
No plano de Deus, cada vida  longa o suficiente, e 
cada morte  oportuna. E embora voc e eu desejemos uma 
vida mais longa, Deus sabe o que  melhor.
E - isto  importante - embora voc e eu desejemos 
uma vida mais longa para nossos entes queridos, eles no 
querem. Ironicamente, o primeiro a aceitar a deciso de Deus 
quanto  morte  aquele que morre.
Enquanto estamos sacudindo a cabea em descrena, 
eles esto levantando as mos em adorao. Enquanto 
estamos pranteando a sepultura, eles esto maravilhando-se 
no cu. Enquanto estamos questionando Deus, eles o esto 
louvando.
Mas, Max, e aqueles que morrem sem f? Meu marido 
nunca orava. Meu av nunca adorava. Minha me nunca 
abriu a Bblia, muito menos o corao. O que ser daqueles 
que nunca creram?
Como sabemos que no creram?
Quem dentre ns est inteirado dos ltimos 
pensamentos de uma pessoa? Quem dentre ns sabe o que 
acontece naqueles momentos finais? Voc est seguro de que 
nenhuma orao foi oferecida? A eternidade pode dobrar os 
mais orgulhosos joelhos. Poderia uma pessoa olhar para 
dentro da escancarada garganta da morte, sem sussurrar um 
apelo por misericrdia? E poderia o nosso Deus, que  parcial 
para com o humilde, resisti-lo?
  Ele no pde no Calvrio. A confisso do ladro na 
cruz foi a primeira e a ltima. Porm Cristo a ouviu. Cristo a 
recebeu. Talvez voc nunca tenha ouvido o seu ente querido 
confessar a Cristo, mas quem pode dizer que Cristo no o 
ouviu?
No conhecemos os pensamentos derradeiros de uma 
alma que se vai, mas conhecemos isto: que o nosso Deus  
um Deus bom. Ele no quer "que alguns se percam, seno 
que todos venham a arrepender-se" (2 Pe 3.9). Ele quer o seu 
ente querido no cu mais que voc. E Ele geralmente 
consegue o que quer.
Voc sabe o que mais Deus quer? Ele quer que voc 
enfrente tristeza. Negao e recusa no so parte da terapia 
de Deus para a aflio.
Davi enfrentou a dele. Ao saber da morte de Saul e 
Jnatas, e todo o exrcito rasgaram as suas roupas, 
choraram em voz jejuaram at o pr-do-sol. Seu lamento foi 
intenso e pblico. Vs, montes de Gilboa", pranteou ele, 
"nem orvalho nem a caia sobre vs, campos de ofertas 
aladas, pois a desprezivelmente foi arrojado o escudo dos 
valentes, o escudo de Saul, como se no fora ungido com 
leo. Saul e Jnatas, to amados e queridos na sua vida, 
tambm na sua morte no se separaram! 
Eram mais ligeiros do que as guias, mais fortes do 
que os lees" (2 Sm 1.21,23).
Davi no apenas entoou este canto fnebre, mas 
tambm ordenou que fosse ensinado ao povo de Jud (v.18). 
A morte no foi amenizada ou passada por alto.
Enfrente-a, lute com ela, questione-a, ou condene-a, 
mas no a negue. Como explanou seu filho Salomo, "H 
tempo de chorar (Ec 3.4). No atenda, mas perdoe, aqueles 
que insistem com voc para no chorar.
Deus guiar voc atravs, e no em volta, do vale da 
sombra da morte. E, a propsito, voc no est contente por 
ser ela apenas uma sombra?
O Dr. Donald Grey Barnhouse contou por ocasio da 
morte de sua primeira esposa: Ele e os filhos estavam 
voltando no carro para casa, depois do sepultamento, 
dominados pela aflio. Ele procurou uma palavra de 
conforto para oferecer, mas no pde pensar em nada. 
Exatamente naquele momento, um grande furgo passou por 
eles. Enquanto passava, a sua sombra derramou-se sobre o 
carro deles. Uma inspirao veio ao Dr. Barnhouse. Ele virou-
se para a famlia e indagou: "Filhos, vocs preferiam ser 
atropelados por um caminho, ou pela sombra dele?
Os filhos responderam: " claro, papai, que preferimos 
ser atropelados pela sombra. De qualquer modo, ela no nos 
pode ferir".
O Dr. Barnhouse explicou: "Vocs sabiam que dois mil 
anos atrs o caminho da morte passou por cima do Senhor 
Jesus... a fim de que apenas a sua sombra pudesse passar 
por cima de ns agora?"
Ns enfrentamos a morte, mas graas a Jesus, 
enfrentamos apenas a sua sombra. E, graas a Jesus, cremos 
que os nossos amados esto felizes, e os Carlinhos do mundo 
esto danando como nunca antes.
12 - Do Pnico  Paz
O Fardo do Medo
No temerei mal algum
Salmos 23.4
 a expresso de Jesus que nos intriga. Nunca vimos a 
sua face desse jeito.
Jesus sorrindo, sim.
Jesus chorando, realmente. 
Jesus severo, at isto.
Mas Jesus angustiado? Bochechas estriadas de 
lgrimas?
Faces inundadas de suor? Arroios de sangue 
escorrendo de seu queixo? Voc recorda a noite.
Jesus deixou a cidade e foi para o Monte das Oliveiras, 
como geralmente fazia, e seus seguidores foram com Ele, 
"orar para no entrar em tentao".
Ento Jesus afastou-se deles cerca de um tiro de 
pedra. 
Ajoelhou-se e orou: "Pai, se queres, passa de mim este 
clice; todavia no se faa a minha vontade, mas a tua". 
Ento um anjo do cu lhe apareceu e o confortava. 
Cheio de dor, Jesus orou ainda mais intensamente. Seu suor 
era como gotas de sangue caindo ao cho. (Lc 22.39-44).
A Bblia que eu carregava quando criana continha 
uma figura de Jesus no jardim do Getsrnani. Sua face era 
suave, suas mos, sossegadamente dobradas, como se Ele 
estivesse ajoelhado junto  pedra, e orasse. Jesus parecia 
sereno. Uma leitura dos evangelhos rachou aquela imagem. 
Marcos diz: Prostrou-se em terra (Mc 14.35). Mateus conta 
que Jesus comeou a entristecer-se e a angustiar-se muito... 
at a morte (Mt 26.37,38). De acordo com Lucas, Jesus 
estava em agonia(Lc 22.44).
Equipado com estas passagens, como voc pintaria 
esta cena? Jesus estirado no cho? Rosto no p? Mos 
estendidas, agarrando a grama? Corpo sacudido pelos 
soluos? Face to torcida quanto as oliveiras que o cercavam?
O que fazemos com esta imagem de Jesus?
Simples. Voltamo-nos para ela quando enfrentamos o 
mesmo. Ns a lemos quando experimentamos o mesmo; a 
lemos quando sentimos medo. Pois no foi o medo uma das 
emoes que Jesus experimentou? Algum pode at 
argumentar que o medo foi uma emoo primria. Ele viu 
alguma coisa no futuro to aterradora, to agourenta, que 
implorou por uma mudana nos planos. Pai, se queres, 
passa de mim este clice (Lc 22.42).
O que levaria voc a fazer a mesma orao? Embarcar 
num avio? Enfrentar uma multido? Falar em pblico? 
Assumir um emprego? Casar-se? Dirigir numa auto-estrada? 
A origem de seu medo pode parecer insignificante para os 
outros.
Mas para voc, ela o faz gelar de medo, faz o seu 
corao pular, e o sangue subir-lhe s faces. Foi o que 
aconteceu a Jesus.
Ele estava to temeroso, que sangrou. Os mdicos 
descrevem esta condio como hematidrose. Uma ansiedade 
muito forte libera substncias qumicas que rompem os vasos 
capilares das glndulas sudorparas. Quando isto ocorre, o 
suor brota tingido de sangue.
Jesus estava mais que ansioso; estava amedrontado. O 
medo  o grande irmo da preocupao. Se a preocupao  
um saco de aniagem, o medo  um caminho de concreto. Ele 
no sair do lugar.
Quo notvel  que Jesus tenha sentido tal medo. Mas 
que bom que Ele nos contou sobre isto. Tendemos a fazer o 
contrrio. Encobrir nossos medos. Ocult-los. Mantemos as 
palmas suadas nos bolsos, e a nusea e a boca seca em 
segredo. No assim com Jesus. No vimos uma mscara de 
fora; ouvimos uma petio por fora.
Pai, se queres, passa de mim este clice. O primeiro a 
ouvir seus temores foi o Pai. Ele poderia ter ido  sua me. 
Poderia ter confiado em seus discpulos. Poderia ter 
convocado uma reunio de orao. Tudo isto teria sido 
apropriado, mas nada disso era prioridade sua. Ele foi 
primeiro ao seu Pai.
Oh, ns, ao contrrio, tendemos ir a toda parte! 
Primeiro ao bar, ao conselheiro, ao livro de auto-ajuda, 
ao amigo prximo. Jesus no. O primeiro a ouvir seus 
temores foi o Pai no cu.
Um milnio antes, Davi estava insistindo para que o 
amedrontado fizesse o mesmo. No temerei mal algum. 
Como pde Davi fazer tal assero? Porque ele sabia 
para onde olhar. Tu ests comigo; a tua vara e o teu cajado 
me consolam.
Antes de volver-se para outra ovelha, Davi voltou-se ao 
Pastor. Em vez de fixar o problema, ficou o cajado e a vara. 
Porque sabia para onde olhar, Davi foi capaz de dizer, No 
temerei mal algum.
Conheo um camarada que tinha medo de multido. 
Quando cercado de muita gente, o seu flego tornava-se 
curto, o pnico se manifestava, e ele recebeu alguma ajuda de 
um companheiro de golfe.
Ambos estavam em um cinema, esperando a sua vez 
de entrar, quando o medo atacou de novo. A multido os 
cercava como uma floresta. Ele que sair, e sair rpido. 
Seu amigo lhe disse para respirar fundo algumas 
vezes. Ento ajudou-o a lidar com a crise, lembrando-o do 
curso de golfe.
"Quando voc est batendo a bola para fora do rough, 
e se acha cercado de rvores, o que voc faz?"
"Olho para uma clareira".
"Voc no olha para as rvores?"
"Claro que no. Encontro uma passagem e me 
concentro em impelir a bola atravs dela".
"Faa o mesmo na multido. Quando sentir o pnico, 
no se fixe nas pessoas; concentre-se na fresta".
Bom conselho no golfe. Bom conselho na vida. Em vez 
de fixar-se no medo, focalize a soluo.
Foi o que Jesus fez.
E  o que o autor da Carta aos Hebreus nos instiga a 
fazer. 
"...corramos com pacincia a carreira que nos est 
proposta, olhando para Jesus, o autor e consumador da f" 
(Hb 12.1,2). O escritor de Hebreus no era um jogador de 
golfe, mas pode ter sido um corredor, porque fala de um 
corredor e de um precursor. O precursor  Jesus, o autor e 
consumador da nossa f. Ele  o autor - isto , Ele escreveu o 
livro da salvao. E Ele  o  consumador - Ele no apenas fez 
o mapa, mas abriu o caminho. Ele  o precursor, e ns, os 
corredores. E como corredores, somos instados a manter os 
olhos em Jesus.
Eu sou um corredor. Na maioria das manhs, arrasto-
me para fora da cama e vou para a rua. No corro rpido. E, 
comparado aos maratonistas, no vou longe. No obstante, 
eu corro. Corro porque no gosto de cardiologistas. Nada 
pessoal, entenda. E s porque venho de uma famlia que os 
mantm ocupados. Um deles disse ao meu pai que ele 
precisava aposentar-se. Outro abriu o peito de minha me e 
de meu irmo. Quero ser o membro da famlia que no 
mantns o nmero do crdio-cirurgio no automtico do 
telefone.
Visto que as doenas cardacas andam em nossa 
famlia, eu corro em nossa vizinhana. Quando o sol est se 
levantando, eu estou correndo. E enquanto estou correndo, 
meu corpo est gemendo. Ele no quer cooperar. Meus 
joelhos doem. Meus quadris enrijecem. Meus calcanhares 
reclamam. As vezes um transeunte ri de minhas pernas, e 
meu ego di.
As coisas doem. E porque as coisas doem, aprendi que 
tenho trs opes. Ir para casa (Denalyn riria de mim). 
Meditar em minhas dores at imaginar que estou tendo 
dores no peito (Pensamento agradvel).
Ou posso continuar correndo e ver o sol levantar. 
Minha trilha dirige-se ao oriente o suficiente para dar-me 
assento na fileira da frente para o milagre matinal de Deus. 
Se eu olho o mundo de Deus ir das sombras para o ouro? 
Adivinhe. O mesmo acontece  minha atitude. A dor passa e 
as juntas se soltam, e antes que eu perceba, a corrida j 
passou da metade e a vida no est meio ruim. Tudo melhora 
quando fito meus olhos no sol.
No  este o conselho da Epstola aos Hebreus - 
"olhando para Jesus? Qual era o foco de Davi? "Tu ests 
comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam".
Como Jesus suportou o terror da crucificao? Ele foi 
primeiro ao Pai com os seus temores. Ele modelou as 
palavras do Salmo 56.3: "No dia em que eu temer, hei de 
confiar em ti".
Faa o mesmo com os seus medos. No evite os jardins 
do Getsmani da vida. Entre neles. To-somente no entre 
sozinho. E uma vez l, seja honesto. Esmurrar o cho  
permitido. Lgrimas so admitidas. E se voc suar sangue, 
no ser o primeiro.
Faa o que Jesus fez: abra o seu corao.
E seja especfico. Jesus foi. "Toma este clice", orou 
Ele. D a Deus o nmero do vo. Conte-lhe a durao do 
discurso. Parti-lhe os detalhes da transferncia do emprego. 
Ele tem muito tempo. E tambm tem muita compaixo.
Ele no acha que os seus temores sejam tolos e 
simplrios. Ele no lhe dir, "Anda logo!" ou "Seja duro". Ele 
esteve onde voc est. Ele sabe como voc se sente.
E Ele sabe o que voc precisa.  por isto que 
pontuamos nossa orao conto Jesus fez: "Se tu queres...".
Deus quer? Sim e no. Ele no tirou a cruz, mas tirou 
o medo. Deus no acalmou a tempestade, mas acalmou o 
marinheiro.
Quem diz que Ele no far o mesmo por voc?
"No estejais inquietos por coisa alguma; antes, as 
vossas peties sejam em tudo conhecidas diante de Deus, 
pela orao e splicas, com ao de graas" (Fp 4.6). No 
mensure o tamanho das montanhas; fale com aquEle que 
pode mov-las. Em vez de carregar o mundo nos ombros, fale 
com aquEle que sustm o universo sobre os dEle. Esperana 
 uma olhada adiante.
Agora, para onde voc est olhando?
13 - Noites Silenciosas e Dias Solitrios
O Fardo da Solido
Tu ests comigo.
Salmos 23.4
Um dos meus amigos trabalhava numa farmcia 
enquanto freqentava a Universidade do Texas. A ocupao 
principal de Steve era entregar suprimentos nas casas de 
sade, em Austin. 
Uma tarefa adicional, entretanto, envolvia unia curta 
viagem ali perto.
A cada quatro dias, ele punha nos ombros um grande 
cntaro de gua e o carregava por mais ou menos vinte e 
cinco metros, para um edifcio atrs da farmcia. A cliente 
era uma velha senhora, talvez em seus setenta anos, que 
morava sozinha num escuro apartamento, desprovido e sujo. 
Uma nica lmpada pendia do teto. O papel de parede era 
manchado e descascado. As venezianas viviam cerradas, e o 
aposento era sombrio. Steve entregava o cntaro, recebia o 
pagamento, agradecia a mulher, e ia embora.
Depois de algumas semanas, ele ficara intrigado com a 
compra dela. Sabia que a mulher no tinha outra fonte de 
gua. Ela contava com a sua entrega para quatro dias de 
lavar, banhar e beber. Singular escolha. A gua municipal era 
mais barata. A cidade teria cobrado dela doze ou quinze 
dlares por ms; seus gastos na farmcia somavam cinqenta 
dlares ao ms. Por que ela no escolhia a fonte menos cara?
A resposta estava no sistema de entrega. Sim, a gua 
da cidade custava menos. Porm a cidade mandava apenas a 
gua; no enviava uma pessoa. Ela preferia pagar mais e ver 
um ser humano que pagar menos e no ver ningum. 
Pode algum ser to s?
Parece que Davi era. Alguns de seus salmos do a 
sensao de um carvalho solitrio numa invernada.
Olha para mim e tem piedade de mim, porque estou 
solitrio e aflito (Sl 25.16).
J estou cansado do meu gemido; toda noite fao 
nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas 
lgrimas.
J os meus olhos esto consumidos pela mgoa e tm 
envelhecido por causa de todos os meus inimigos (S1 6.6,7).
Davi sabia o que era sentir-se solitrio... trado.
Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, a 
minha veste era pano de saco; humilhava a minha alma com 
o jejum, e a minha orao voltava para o meu seio. 
Portava-me com ele como se fora meu irmo ou amigo; 
andava lamentando e muito encurvado, como quem chora por 
sua me.
Mas eles com a minha adversidade se alegravam e se 
congregavam; os abjetos se congregavam contra mim, e eu 
no sabia; rasgavam-me e no cessavam. 
Como hipcritas zombadores nas festas, rangiam os 
dentes conta mim.
SENHOR, at quando vers isto? (Sl 35.13-17).
Davi conhecia o sentimento de solido.
Conhecera-o em sua famlia. Ele era um dos oito filhos 
de Jess. Quando, porm, o profeta Samuel pediu para ver os 
meninos de Jess, ele foi deixado de lado. O profeta contou e 
perguntou se no havia outro filho em algum lugar. Jess 
estalou os dedos como se houvera esquecido as chaves: 
"Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas" (1 Sm 
16.11).
A expresso de Jess, "o menor", no foi elogiosa. Ele 
disse literalmente, "Ainda tenho o tampinha". Alguns de vocs 
foram o tampinha em sua famlia. O tampinha  aquele que 
os outros tm de tolerar e tomar conta. E naquele dia, o 
tampinha foi deixado de fora. Como voc se sentiria se uma 
reunio de famlia fosse convocada, e o seu nome esquecido?
As coisas no melhoraram quando ele mudou de lar.
Sua incluso na famlia real foi idia do rei Saul. E a 
sua excluso tambm. No se houvesse abaixado, e Davi teria 
sido espetado na parede com a lana do ciumento Saul. 
Porm Davi realmente se abaixou, e realmente correu. Por dez 
anos ele correu. 
No deserto, ele correu. Dormindo em cavernas, 
sobrevivendo aos animais selvagens. Ele foi odiado e caado 
como um chacal.
Davi no era desconhecido da solido.
Voc tambm no. Entrementes, voc aprendeu que 
no precisa estar sozinho para se sentir solitrio. Dois mil 
anos atrs, duzentos e cinqenta milhes de pessoas 
povoavam a terra. Agora so mais de cinco bilhes. Se a 
solido pudesse ser curada com a presena de pessoas, 
certamente haveria menos solido hoje. Contudo, a solido 
deixa-se ficar.
Bem no incio de meu ministrio, fiz a seguinte orao 
no domingo de manh: "Obrigado, Senhor, por todos os 
nossos amigos. Temos tantos, que no podemos despender 
tempo com todos eles". Aps o culto, um bem-sucedido 
homem de negcios corrigiu-me: "Voc pode ter mais amigos 
do que pode ver. 
No eu. Eu no tenho nem um". A pessoa pode estar 
cercada por uma igreja e ainda assim estar s.
Solido no  ausncia de faces.  ausncia de 
intimidade. A solido no vem de se estar sozinho; vem de se 
sentir sozinho. Sentir como se voc estivesse enfrentando a 
morte sozinho, enfrentando a doena sozinho, enfrentando o 
futuro sozinho.
Quer voc seja atingido por ela em sua cama,  noite, 
ou enquanto dirige para o hospital, no silncio de uma casa 
vazia ou no barulho de um bar lotado, a solido  quando 
voc pensa, Sinto-me to s. Ningum se importa?
As bagagens de solido aparecem por toda parte. Elas 
atravancam o assoalho das salas de reunio de diretoria e 
dos clubes. Ns as arrastamos para dentro das festas, e 
geralmente as arrastamos quando nos retiramos. Voc as 
localizar junto  cadeira do trabalhador que faz sero, ao 
lado da mesa do comilo, e sobre a arquibancada de um 
espetculo noturno. Tentaremos qualquer coisa para 
descarregar nossa solido. Esta  urna bagagem que 
desejamos arriar rapidamente.
Mas devemos? Devemos ser to rpidos em dep-la? E 
se em vez de virarmos as costas  solido, nos virarmos para 
ela? Poderia ser que solido seja no uma maldio, mas um 
presente? Um presente de Deus?
Espere um minuto, Max. No pode ser. A solido faz 
pesado o meu corao. A solido me deixa vazio e deprimido. 
A solido  qualquer coisa, menos um presente.
Voc pode estar certo, mas funcionou comigo por um 
momento. Me pergunto se a solido no  um modo de Deus 
conseguir nossa ateno.
Eis o que quero dizer: Suponha que voc pegue 
emprestado o carro de um amigo. O rdio no funciona, mas 
o CD, sim. Voc revira toda a coleo dele, procurando por 
seu estilo de msica - vamos dizer, country americana. Mas 
voc no acha nada. Ele no tem nada alm do prprio estilo 
de msica - vamos dizer, clssica.
 uma longa viagem. E voc pode conversar consigo 
mesmo apenas por um instante. Ento, eventualmente, voc 
apanha um CD. Voc preferiria uma guitarra afiada, mas est 
preso com tenores arrojados. Inicialmente,  tolervel. 
Ao menos preenche o ar. Eventualmente, porm, 
torna-se agradvel. Seu corao capta o arranjo dos timbales, 
sua cabea se move com os violoncelos, e voc se pega 
prestando ateno a uma pequena ria italiana."Hei, isto no 
 to mau."
Agora, deixe-me perguntar-lhe. Voc teria feito esta 
descoberta por iniciativa prpria? No. O que o levou a ela? O 
que o fez ouvir msicas que nunca ouvira antes? 
Simples. Voc no tinha outra escolha, nem outra 
opo. 
Voc no tinha para onde ir. Finalmente, quando o 
silncio estava alto demais, voc arriscou numa cano que 
nunca ouvira.
Oh, como Deus quer que voc oua a msica dEle.
Ele tem um ritmo que far disparar o seu corao, e 
versos que faro correr as suas lgrimas.Voc quer viajar 
para as estrelas? Ele pode levar voc l. Voc quer se deitar 
em paz? A msica dEle pode acalmar a sua alma.
Mas primeiro, Ele tem de jogar fora aquela "coisarada" 
country americana (Perdoe-me, Nashville. Apenas um 
exemplo).
E ento Ele comea a arremessar os CDs. Um amigo 
vai embora. Os negcios vo mal. Sua esposa no entende. A 
igreja  insensvel. Uma a uma, Ele remove as opes, at que 
tudo o que lhe reste seja Deus.
Ele faria isto? Absolutamente. "O Senhor corrige o que 
ama" (Hb 12.6). Se Ele tiver de silenciar todas as vozes, Ele o 
far. Ele quer que voc oua a msica dEle. Ele quer que voc 
descubra o que Davi descobriu, e que seja capaz de dizer o 
que Davi disse.
"Tu ests comigo".
Sim, Senhor, tu ests no cu. Sim, o Senhor governa o 
universo. Sim, o Senhor se assenta acima das estrelas e faz a 
sua casa nas extremidades do mar. Mas sim, sim, sim, tu 
ests comigo.
O Senhor est comigo. O Criador est comigo. Jeov 
est comigo. Moiss proclamou: "Porque, que gente h to 
grande, que tenha deuses to chegados como o Senhor, nosso 
Deus?" (Dt 4.7).
Paulo anunciou:" [Ele] no est longe de cada um de 
ns" (At 17.27).
E Davi descobriu: "Tu ests comigo".
Nalgum lugar da pastagem, do deserto, ou do palcio, 
Davi descobriu que Deus falou srio quando disse:
"No te deixarei" (Gn 28.15).
"No desampararei o meu povo" (Rs 6.13).
"O Senhor no rejeitar o seu povo" (Sl 94.14).
"Deus... no vos deixar nem vos desamparar" (Dt 
31.6).
A descoberta de Davi  de fato a mensagem das 
Escrituras  o Senhor est comigo. E, desde que o Senhor 
est perto, tudo  diferente. Tudo!
Voc pode estar enfrentando a morte, mas no a est 
enfrentando sozinho; o Senhor est com voc. Voc pode 
estar enfrentando o desemprego, mas no o est enfrentando 
sozinho; o Senhor est com voc. Voc pode estar 
enfrentando conflitos matrimoniais, mas no os est 
enfrentando sozinho; o Senhor est com voc. Voc pode 
estar enfrentando dvidas, mas no as est enfrentando 
sozinho; o Senhor est com voc.
Sublinhe estas palavras: voc no est sozinho.
A sua famlia pode voltar-se contra voc, mas Deus 
no. 
Seus amigos podem trair voc, mas Deus no.
Voc pode sentir-se sozinho no deserto, mas no est.
Ele est com voc. E porque Ele est com voc, tudo  
diferente.Voc  diferente.
Voc vai de solitrio a querido.
Quando voc sabe que Deus o ama, no fica 
desesperado pelo amor dos outros.
Voc no mais ser um comprador faminto no 
mercado.Voc j foi  mercearia com o estmago vazio? Voc 
 um alvo fcil. Voc compra tudo o que no precisa. No 
importa se  bom para voc - voc quer apenas encher a 
barriga. 
Quando voc  solitrio, faz o mesmo na vida: apanha 
coisas na prateleira, no porque precise delas, mas porque 
est faminto de amor.
Por que o fazemos? Porque tememos enfrentar a vida 
sozinhos. Por medo de que nada se encaixe, tomamos drogas. 
Por medo de nos salientarmos, usamos as roupas.
Por medo de parecer miserveis, entramos em dvida e 
compramos a casa. Por medo de passar despercebidos, 
vestimo-nos para seduzir ou impressionar. Por medo de 
dormir sozinho, dormimos com algum. Por medo de no ser 
amado, buscamos amor em todos os lugares errados.
No obstante, tudo isto muda quando descobrimos o 
perfeito amor de Deus. E o perfeito amor lana fora o medo (1 
Jo 4.18).
Solido. Pode ela ser um dos mais finos presentes de 
Deus? Se uma temporada de isolamento  o modo dEle de 
ensinar voc a ouvir sua cano, no acha que vale a pena?
Eu tambm.
14 - O Canto do Galo e Eu
O Fardo da Vergonha
Preparas urna mesa perante mim na presena dos 
meus inimigos.
Salmos 23.5
V o sujeito nas sombras?  Pedro. Pedro, o apstolo. 
Pedro, o impetuoso. Pedro, o apaixonado. Ele uma vez 
andou sobre as guas. Pulou do barco para o lago. Ele 
prontamente pregaria a milhares. Destemido diante dos 
amigos bem como dos inimigos.
Mas esta noite, aquele que andou sobre as guas 
apressou-se para o esconderijo. Aquele que ir falar com 
poder est chorando em aflio.
No fungando ou choramingando, mas chorando. 
Berrando. 
As faces barbudas enterradas nas mos calosas. Seus 
uivos ecoam na noite em Jerusalm. O que di mais? O fato 
de que ele o fez? 
Ou o fato de que jurou nunca fazer?
"Senhor, estou pronto a ir contigo at  priso e  
morte. Mas Ele lhe disse: Digo-te, Pedro, que no cantar 
hoje o galo antes que trs vezes negues que me conhece" (Lc 
22.33,34).
Negar a Cristo na noite da traio era ruim o 
suficiente, mas, haver se jactanciado de que no o faria? 
E uma negao era lamentvel, mas trs? Trs 
negaes era horrvel, mas ele tinha que praguejar? "Ento 
comeou ele [Pedro] a praguejar e a jurar, dizendo: No 
conheo esse homem" (Mt 26.74).
E agora, arrastado num redemoinho de angstia, 
Pedro est escondido. Pedro est chorando. E logo Pedro 
estar pescando.
Perguntamo-nos por que ele vai pescar. Sabemos por 
que ele vai para a Galilia. Foi-lhe dito que o Cristo 
ressuscitado encontraria l os seus discpulos. No entanto, o 
lugar combinado para a reunio no  o mar, mas uma 
montanha (Mt 28.16). Se os discpulos iam encontrar Jesus 
numa montanha, o que esto fazendo em um barco? 
Ningum os mandou pescar, mas foi isto o que eles fizeram. 
"Disse-lhes Simo Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe eles: 
Tambm ns vamos contigo" (Jo 21.3). Alm de que, Pedro 
no renunciara  pesca? Dois anos antes, quando Jesus o 
chamara para  ser pescador de homens, ele no pendurara 
sua rede e o seguira? No o vimos pescar desde ento. Nunca 
mais o vimos pescar de novo. Por que est ele pescando 
agora? 
Especialmente agora! Jesus ressuscitou da morte. 
Pedro viu o tmulo vazio. Quem poderia pescar num 
momento desses?
Estariam eles com fome? Talvez esta seja a essncia. 
Pode ser que a expedio tenha nascido de estmagos 
roncadores.
  Ou ento, novamente, talvez tenha nascido de um 
corao partido.
Veja voc, Pedro no podia negar sua negao. A 
tumba vazia no podia apagar o canto do galo. Cristo havia 
retornado, porm Pedro se indagava - ele deve ter indagado - 
"Depois do que eu fiz, iria ele retornar para algum como eu?"
J perguntamos o mesmo. Ser que Pedro  a nica 
pessoa a fazer exatamente o que jurou no fazer?
"A infidelidade ficou para trs!"
"De agora em diante, vou frear minha lngua".
"Negcios duvidosos, nunca mais. Aprendi a lio".
Oh, o volume de nossas jactncias! E, oh, o desgosto 
de nossa vergonha! 
Em vez de resistir ao flerte, voltamos a ele.
Em vez de ignorar a fofoca, partilhamo-la.
Em vez de apegar-nos  verdade, obscurecemo-la.
E o galo canta, e a condenao traspassa, e Pedro tem 
um companheiro nas sombras. Choramos como Pedro 
chorou, e fazemos o que Pedro fez. Vamos pescar. Voltamos a 
nossas velhas vidas. Retornamos a nossas prticas pr Jesus. 
Fazemos o que vem naturalmente, em vez do que vem 
espiritualmente. E indagamos se Jesus tem um lugar para 
gente como ns.
Jesus responde a pergunta. Ele a responde para voc e 
para mim, e para todos aqueles com tendncia a "Pedro fora" 
em Cristo. Sua resposta veio na praia do mar da Galilia, em 
um presente para Pedro.Voc sabe o que Jesus fez? Separou 
as guas? Transformou o barco em ouro e as redes em prata? 
No, Jesus fez algo muito mais significativo. Convidou Pedro 
para o caf da manh. Jesus preparou uma refeio.
Claro, o desjejum foi um momento especial dentre os 
vrios daquela manh. Houve a grande pesca e o 
reconhecimento de Jesus. O mergulho de Pedro e o remar dos 
discpulos. E houve o momento em que eles se aproximaram 
da praia, e acharam Jesus junto s brasas. O peixe estava 
quente, e o po, esperando; e o derrotador  do inferno e 
soberano do cu convidou seus amigos a sentar-se e a comer.
  Ningum podia estar mais agradecido que Pedro. 
Aquele a quem Satans havia peneirado estava comendo po 
na mo de Deus. Pedro era bem-vindo  mesa de Cristo. Bem 
l, para o Diabo e os seus tentadores verem, Jesus preparou 
uma mesa na presena dos seus inimigos.
Est bem, talvez Pedro no o tenha dito deste modo.
Mas Davi o disse. "Preparas uma mesa perante mim na 
presena dos meus inimigos" (Sl 23.5). O que o pastor fez pela 
ovelha soa muito parecido com o que Jesus fez por Pedro.
Neste ponto do salmo, a mente de Davi parece estar se 
demorando no campo alto com as ovelhas. Havendo guiado o 
rebanho para o cimo da montanha, em busca de pastos mais 
verdes, ele recorda as responsabilidades adicionais do pastor. 
Ele deve preparar a pastagem.
Esta  uma nova terra, ento o pastor tem de ser 
cuidadoso. O ideal  que a rea do pastoreio seja plana, uma 
plancie ou um planalto. O pastor investiga se h plantas 
venenosas e correntezas fortes. Verifica se h sinais de lobos, 
coiotes e ursos.
De especial interesse para o pastor  a vbora pequena 
e marrom, que vive sob o solo. Estas cobras so conhecidas 
por disparar para fora de suas covas e picar a ovelha no 
focinho. A picada geralmente infecciona, e pode at matar. 
Como defesa contra elas, o pastor despeja um crculo de leo 
no topo de cada buraco de cobra. Ele tambm aplica o leo no 
focinho dos animais. O leo na cova lubrifica a sada, 
impedindo que a cobra suba para fora. O cheiro do leo nos 
focinhos das ovelhas espanta as vboras. O pastor, num 
sentido bem real, preparou a mesa.
E se o seu Pastor fizer por voc o que o pastor fez por 
seu rebanho? Suponha que Ele tenha tratado do seu inimigo, 
o Diabo, e preparado para voc um lugar de alimentao 
seguro. E se Jesus fizer por voc o que Ele fez por Pedro? 
Imagine que Ele, na hora da sua falta, o convide a comer.
O que voc diria se eu lhe contasse que Ele fez 
exatamente isto?
Na vspera de sua morte, Jesus preparou uma mesa 
para os seus discpulos.
E, no primeiro dia da Festa dos Pes Asmos, quando 
sacrificavam a Pscoa, disseram-lhe os discpulos: Aonde 
queres que vamos fazer os preparativos para comer a Pscoa?
E enviou dois dos seus discpulos e disse-lhes: Ide  
cidade, e um homem que leva um cntaro de gua vos 
encontrar; segui-o. 
E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O 
Mestre diz: Onde est o aposento em que hei de comer a 
Pscoa com os meus discpulos? E ele vos mostrar um 
grande cenculo mobiliado e preparado (Mc 14.12-15).
Note quem fez o "preparo" aqui. Jesus reservou uma 
grande sala e arranjou o guia para conduzir os discpulos. 
Jesus assegurou que a sala estivesse mobiliada e a comida 
preparada. O que os discpulos fizeram? Eles concordaram 
fielmente, e foram alimentados.
O Pastor preparara a mesa.
No apenas isto, mas Ele tambm tratara com as 
cobras.Voc se lembrar que somente um dos discpulos no 
terminou a refeio naquela noite. "Tendo j o diabo posto no 
corao de Judas Iscariotes, filho de Simo, que o trasse" (Jo 
13.2). Judas comeou a comer, porm Jesus no o deixou 
acabar. Sob o comando de Jesus, Judas deixou a sala. "O que 
fazes, faze-o depressa... E tendo Judas tomado o bocado, saiu 
logo. E era j noite" (Jo 13.27,30).
H algo dinmico nesta dispensa. Jesus preparou a 
mesa na presena do inimigo. A Judas foi permitido ver a 
ceia, mas no lhe foi permitido ficar l.
Voc no  bem-vindo aqui. Esta mesa  para meus 
filhos. Voc pode tent-los. Voc pode engan-los. Porm voc 
nunca sentar com eles. Eis o quanto Ele nos ama.
E se resta alguma dvida, caso haja quaisquer 
"Pedros" indagando se h na mesa lugar para eles, Jesus 
emite um terno lembrete, enquanto passa o clice: "Bebei dele 
todos. Porque isto  o meu sangue, o sangue do Novo 
Testamento, que  derramado por muitos, para remisso dos 
pecados" (Mt 26.27,28).
"Bebei dele todos".Aquele que se sente indigno, beba-o. 
Aquele que se sente envergonhado, beba-o. Aquele que 
se sente embaraado, beba-o.
Posso partilhar uma ocasio em que senti as trs 
coisas?
L pelos meus dezoito anos, eu estava cabalmente me 
encaminhando para um problema de alcoolismo. Meu 
organismo tornara-se to resistente ao lcool, que seis 
cervejas tinham pouco ou nenhum impacto sobre mim. Aos 
vinte anos, Deus no apenas me salvou do inferno aps esta 
vida, como salvou-me do inferno nesta vida. Deus sabe para 
onde eu estava indo, e eu tenho uma idia bastante ntida 
tambm.
Por este motivo, parte da minha deciso em seguir a 
Cristo inclua no mais tomar cerveja. Ento a deixei. 
Curiosamente, porm, a sede por cerveja nunca se ia. 
Ela no me perseguia ou me consumia, mas duas ou trs 
vezes por semana, o pensamento de uma boa cerveja me 
tentava. Prova de que tenho de ser cuidadoso  que - cervejas 
no-acolicas no so atraentes. No  o aroma da bebida;  
o zumbido. Contudo, por mais de vinte anos, bebidas nunca 
mais foram assunto de importncia.
Alguns anos atrs, no entanto, quase se tornou um.
Abaixei um pouco a guarda. Uma cerveja com 
churrasco no far mal. Depois, outra vez com comida 
mexicana. E ento duas ou trs vezes com comida nenhuma. 
Aps um perodo de dois meses, passei de nenhuma cerveja a 
uma ou duas por semana. Para muitas pessoas, sem 
problemas, mas para mim, poderia se tornar um.
Voc sabe quando comecei a sentir cheiro de 
problemas? 
Numa quente tarde de sexta-feira, eu estava a caminho 
de nosso retiro anual para homens, onde eu falaria. Eu disse 
que o dia estava quente? Brutalmente quente. Eu estava 
sedento. Soda no adiantaria. Ento comecei a maquinar. 
Onde eu poderia comprar uma cerveja e no ser visto 
por ningum que me conhecesse?
Com este pensamento cruzei a linha. O que  feito em 
segredo  melhor no ser feito absolutamente. Mas de 
qualquer modo, eu o fiz. Rumei para uma loja de 
convenincia fora da estrada, estacionei, e esperei at que 
todos os clientes tivessem sado. Entrei, comprei minha 
cerveja, segurei-a do lado, e apressei-me para o carro.
Foi quando o galo cantou.
Ele cantou por eu estar disfarando. Cantou porque eu 
sabia muito bem. Cantou porque - e isto realmente doeu - na 
noite anterior, eu havia ralhado com uma de minhas filhas 
por manter segredos de mim. E agora, o que eu estava 
fazendo?
Atirei a cerveja no lixo e pedi a Deus que me 
perdoasse. Poucos dias depois, partilhei meu conflito com os 
ancios e alguns membros da congregao, e senti-me feliz 
em anotar o assunto para experincia e tocar para frente.
Mas no pude. A vergonha incomodava-me.Vergonha 
das pessoas por fazer tal coisa. Muitos poderiam ser feridos 
por minha estupidez. E vergonha da ocasio para se fazer tal 
coisa. Eu estava indo ministrar em um retiro. Quanta 
hipocrisia!
Senti-me um imprestvel. O perdo achou o seu 
caminho para a minha cabea, mas o elevador designado a 
faz-lo descer oito polegadas para o meu corao estava 
quebrado.
E para piorar a situao, o domingo chegou logo. 
Achei-me na fileira da frente da igreja, aguardando a minha 
vez de falar. Novamente, eu tinha sido honesto com Deus, 
honesto com os ancios, honesto comigo mesmo. Contudo, 
ainda me debatia. Deus iria querer um sujeito como eu para 
pregar?
A resposta veio na Santa Ceia. A Ceia do Senhor. O 
mesmo Jesus que preparara unia refeio para Pedro tinha 
preparado uma para mim. O mesmo Salvador que acendera 
uma fogueira na praia atiara algumas brasas em meu 
corao.
"Bebei dele todos". E eu o fiz. Senti-me bem por estar 
de volta  mesa.
15 - Ovelhas Ungidas e Feridas Curadas
O Fardo do Desapontamento
Unges a minha cabea com leo
Salmos 23.5
Des muda todas as coisas. Com des, "obedincia" vira 
"desobedincia"."Respeito  mudado para "desrespeito". 
"Considerao" , repentinamente, "desconsiderao". O que 
era uma "habilidade" torna-se uma "desabilidade". 
"Compromisso"  agora "descompromisso", e "graa"  
transformada em" desgraa". Tudo por causa do des.
  Dificilmente acharamos um trio de letras mais 
potentes. E dificilmente encontraramos um melhor exemplo 
de seu poder que a palavra apontamento.
A maioria de ns gosta de apontamentos. At o 
organizacionalmente inepto gosta de apontamentos. 
Apontamentos criam um senso de previsibilidade num 
mundo imprevisvel. Achamos que sabemos controlar o 
futuro, tanto quanto o maquinista controla o trem, j que os 
nossos cronmetros do-nos a iluso de que o fazemos.
Um desapontamento recorda-nos que no. Um 
desapontamento  um apontamento perdido. O que 
espervamos aconteceria no aconteceu. Queramos sade; 
arranjamos doena. Queramos aposentadoria; obtivemos 
servio. Divrcio em vez de famlia. Demisso em lugar de 
promoo. E agora? O que fazemos com os nossos 
desapontamentos?
Poderamos fazer o que fez a senhorita Haversham. 
Lembra-se dela em Great Expectation (Grandes 
Esperanas) de Charles Dickens? Lograda pelo noivo  
vspera do casamento, seu apontamento tornou-se um 
apontamento perdido e um desapontamento. Como ela 
reagiu? No muito bem. Fechou todas as cortinas da casa, 
parou todos os relgios, deixou o bolo de casamento sobre a 
mesa para ajuntar teias de aranha, e continuou usando o 
vestido de noiva at que ele se tornou um trapo amarelo em 
volta de sua figura encolhida. Seu corao ferido consumiu-
lhe a vida.
Podemos seguir o mesmo curso.
Ou podemos seguir o exemplo do apstolo Paulo. Sua 
meta era ser um missionrio na Espanha. No entanto, em vez 
de mandar Paulo  Espanha, Deus o mandou para a priso. 
Num crcere romano, Paulo poderia ter feito a mesma escolha 
que a senhorita Haversham, mas no o fez. Em vez disso, 
decidiu: "Enquanto eu estiver aqui, posso muito bem escrever 
algumas cartas". Por isso a sua Bblia tem as epstolas a 
Filemom, aos Filipenses, Colossenses e Efsios.' Sem dvida, 
Paulo teria feito uni grande trabalho na Espanha. Mas teria 
ele se comparado  obra dessas quatro cartas?
Voc j esteve na posio de Paulo. Sei que esteve.
Voc j esteve feito um rojo a caminho da Espanha, 
ou da faculdade, ou do casamento, ou da independncia... 
mas ento veio a dispensa, ou a gravidez, ou a doena dos 
pais. E voc acabou numa priso. Adeus, Espanha. Ol, 
Roma. Adeus apontamento. Ol, desapontamento. Ol, dor.
Como voc lidou com ele? Ou melhor, como voc est 
lidando com ele? Aceita uma ajuda? Tenho exatamente o que 
voc precisa. Seis palavras no quinto verso do Salmo 23: 
"Unges a minha cabea com leo".
No v a conexo? O que um versculo sobre leo tem a 
ver com os ferimentos que vm dos desapontamentos da 
vida?
Uma pequena lio rural pode ajudar. No antigo Israel, 
os pastores usavam o leo para trs propsitos: repelir 
insetos, evitar conflitos, e curar machucados.
Insetos apenas aborrecem as pessoas, mas podem 
matar as ovelhas. Moscas e mosquitos podem tornar o vero 
um perodo de tortura para o rebanho. Pense nas moscas no 
focinho, por exemplo. Se acontecer de elas depositarem seus 
ovos na macia membrana do nariz da ovelha, os ovos tornam-
se larvas que deixam insana a ovelha. Um pastor explica: 
"Para livrar-se desta agonia, a ovelha deliberadamente bater 
a cabea contra rvores, rochas, moures ou moitas... Em 
casos extremos de infestao intensa, uma ovelha pode at se 
matar num frentico esforo para obter alivio da irritao".
Quando um enxame de moscas do focinho aparece, as 
ovelhas entram em pnico. Elas correm. Se escondem. 
Arremessam a cabea para baixo e para cima, durante horas. 
Esquecem-se de comer e tornam-se incapazes de dormir. As 
ovelhas param de dar leite e os cordeiros param de crescer. 
Pode haver um estouro do rebanho, e ele pode at mesmo ser 
destrudo pela presena de algumas moscas.
Por esta razo, o pastor unge as ovelhas. Ele cobre 
suas cabeas com um leo repelente. A fragrncia mantm os 
insetos em apuros e o rebanho em paz.
Isto , em paz at a poca do acasalamento. Na maior 
parte do ano, as ovelhas so animais calmos, passivos. 
Durante a estao de acasalamento, porm, muda 
tudo. Os carneiros entram em turbulncia. Pavoneiam-se pelo 
pasto e arqueiam o pescoo, tentando atrair a ateno da 
nova garota do rebanho. Quando a ovelha o nota, ele atira a 
cabea para trs e diz, "Quero voc, baby". Neste momento o 
namorado dela aparece e a manda ir para um lugar seguro. 
" melhor ir, docinho. A coisa aqui pode ficar feia". Os dois 
carneiros abaixam a cabea e PAM! A 
antiquada marrada explode.
Para evitar danos, o pastor unge os carneiros. Ele unta 
suas cabeas e focinhos com uma substncia gordurosa e 
escorregadia. Este lubrificante os faz resvalar em vez de se 
estatelarem um contra o outro.
Contudo, eles ainda tentam se ferir. E este ferimento  
a terceira razo de o pastor ungir as ovelhas.
A maioria dos machucados tratados pelo pastor  o 
resultado da vida no pasto. Espinhos furam, pedras cortam, 
ou uma ovelha esfrega a cabea com demasiada fora contra 
uma rvore. Ovelhas se machucam. 
Conseqentemente, o pastor inspeciona diariamente as 
ovelhas,  procura de cortes e escoriaes. Ele no quer que o 
corte piore. No quer que o ferimento de hoje se torne a 
infeco de amanh.
Nem Deus quer. Assim como as ovelhas, temos 
machucados, mas os nossos so ferimentos do corao que 
vieram de um desapontamento aps outro. Se no tomarmos 
cuidado, estes ferimentos transformam-se em amargura. E 
ento, a exemplo das ovelhas, precisamos ser tratados. "Foi 
ele, e no ns, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto" 
(Sl 100.3).
As ovelhas no so as nicas que precisam de 
cuidados preventivos, nem as nicas que carecem de um 
toque curador. Ns tambm nos irritamos uns com os outros, 
damos marradas e ficamos feridos. Muitos dos nossos 
desapontamentos na vida comeam com irritaes. A grande 
parcela de nossos problemas no so ataques de lees, mas 
enxames dirios de frustraes, infortnios e angstias. 
Voc no  convidado para o jantar. Voc no faz parte 
da equipe. Voc no consegue a bolsa de estudos. Seu patro 
no reconhece o seu trabalho duro. Seu marido no nota o 
seu vestido novo. Seu vizinho no percebe a baguna no 
prprio quintal. Voc se acha mais irritvel, mais 
melanclico, mais... Bem, mais ferido.
Assim como as ovelhas, voc no dorme bem, nem 
come bem. Voc pode at bater a cabea contra uma rvore, 
algumas vezes.
Ou voc pode bater a cabea contra uma pessoa.  
surpreendente o quo cabeudo podemos ser uns contra os 
outros. Alguns de nossos ferimentos mais profundos vm de 
batermos a cabea uns contra os outros.
A exemplo das ovelhas, o restante de nossas feridas 
vem de vivermos no pasto. O pasto das ovelhas, no entanto,  
muito mais atraente. As ovelhas tm de enfrentar ferimentos 
de espinhos e cardos. Ns temos de enfrentar 
envelhecimento, perdas e doenas. Alguns de ns enfrentam 
traies e injustias. Vivamos o suficiente neste mundo, e a 
maioria de ns enfrentar feridas, profundas feridas, de uma 
espcie ou de outra.
Ento ns, como as ovelhas, ficamos machucados. E 
ns, como as ovelhas, temos um pastor. Lembra-se das 
palavras que lemos? "[Ele] nos fez povo seu e ovelhas do seu 
pasto" (Sl 100.3). Ele far por voc o que o pastor faz pelas 
ovelhas. Ele cuidar de voc.
Se os Evangelhos nos ensinam alguma coisa, ensinam-
nos que Jesus  o Bom Pastor. "Eu sou o bom pastor", 
anunciou Jesus." O bom pastor d a vida pelas ovelhas" (Jo 
10.11). 
Jesus no untou com o leo da preveno os seus 
discpulos? Ele orou por eles. Ele os equipou antes de os 
mandar sair. Revelou-lhes os segredos das parbolas. 
Interrompeu seus argumentos e acalmou-lhes os temores. 
Porque era um bom pastor, Ele os protegeu contra 
desapontamentos.
Jesus no apenas preveniu machucados, como os 
curou. 
Ele tocou os olhos do cego. Tocou a molstia do 
leproso.
Tocou o corpo da garota morta. Jesus zelava de suas 
ovelhas. Ele tocou o corao inquiridor de Nicodemos. Tocou 
o corao aberto de Zaqueu. Tocou o corao partido de 
Maria Madalena. Tocou o corao confuso de Cleopas. E 
tocou o obstinado corao de Paulo e o arrependido corao 
de Pedro. Jesus zelava de suas ovelhas, e Ele zelar de voc.
Se voc lho permitir. Como? Como voc lho permite? 
Os passos so to simples.
Primeiro, v a Ele. Davi no confiaria suas feridas a 
outra pessoa, seno a Deus. Ele disse: "[Tu] unges a minha 
cabea com leo". No os "seus profetas" ou os "seus 
professores" ou os "seus conselheiros". Outros podem guiar-
nos a Deus, mas apenas Deus pode curar-nos. Deus "sara os 
quebrantados de corao" (Sl 147.3).
Voc tem levado os seus desapontamentos a Deus? 
Voc os tem partilhado com os vizinhos, parentes e amigos. 
Porm os tem levado a Deus? Tiago aconselha: "Est algum 
entre vs aflito? 
Ore" (Tg 5.13).
Antes de ir a qualquer um com os seus 
desapontamentos, v a Deus.
Talvez voc no queira importunar Deus com os seus 
machucados. Afinal, voc pensa, Ele trata de penrias, 
pestilncias e guerras; no se importar com minhas 
pequenas lutas. Por que voc no o deixa decidir isto? Ele 
preocupou-se o suficiente com um casamento para prover o 
vinho. Preocupou-se o suficiente com o pagamento de 
impostos de Pedro para dar-lhe uma moeda. Preocupou-se o 
suficiente com a mulher junto ao poo para dar-lhe 
respostas. "Ele tem cuidado de vs" (1 Pe 5.7).
Seu primeiro passo  ir  pessoa certa. V para Deus.
Seu segundo passo  assumir a postura correta. 
Curve-se perante Deus.
A fim de ser ungida, a ovelha deve ficar quieta, abaixar 
a cabea, e deixar o pastor fazer o seu trabalho. Pedro insta 
conosco: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mo de 
Deus, para que, a seu tempo, vos exalte" (1 Pe 5.6).
Quando nos chegamos a Deus, fazemos pedidos; no 
fazemos demandas. Chegamos com elevadas esperanas e um 
corao humilde. Exprimimos o que querermos, mas oramos 
pelo que  certo. E se Deus nos d a priso de Roma em vez 
da misso na Espanha, aceitamo-la porque sabemos que 
Deus far justia aos seus escolhidos que clamam a Ele de 
dia e de noite, e no se demorar em atend-los (Lc 18.7).
Ns vamos at Ele. Curvamo-nos diante dEle. E 
confiarmos nEle.
As ovelhas no entendem por que o leo repele as 
moscas. As ovelhas no entendem como o leo cura as 
feridas. De fato, tudo o que as ovelhas sabem  que alguma 
coisa acontece na presena do pastor. E isto  tudo o que 
precisamos saber tambm. "A ti, Senhor, levanto a minha 
alma. Deus meu, em ti confio" (Sl 25.1,2).
V.
Curve-se.
Confie.
Vale uma tentativa, voc no acha?
16 - Compotas e Gelias
O Fardo da Inveja
O meu clice transborda. 
Salmos 23.5
Uma senhora de minha igreja deu-me, h algumas 
semanas, um pote de compota de pssegos, feita em casa. 
Poucas iguarias na vida comparam-se aos seus pssegos em 
conserva. Devesse eu algum dia enfrentar o peloto de 
fuzilamento, dispensaria o cigarro, mas perguntaria se os 
pssegos em conserva de Sara estavam sendo oferecidos. 
Cada colherada  uma experincia celestial. O nico 
problema com o seu presente foi que ele no durou. Sinto 
informar que o fundo do meu pote est  mostra. Eu logo 
estarei espremendo a ltima gota como um caubi perdido 
espreme o seu cantil.
Para ser totalmente honesto, estou temendo o 
momento. 
Sua proximidade tem afetado o meu comportamento. 
Qualquer um que pede uma provinha de minha compota de 
pssegos  recebido com um rosnado: "Nem pensar".
Se eu fosse Keith, o marido de Sara, no teria tal 
problema. Ele tem todos os pssegos em conserva que deseja. 
O tinir da colher no fundo do pote provoca lgrimas em 
Keith? Improvvel. Ele possui um ilimitado suprimento. 
Algum pode dizer que ele tem mais do que deseja. E algum 
pode perguntar por que ele tem tanto, e eu tenho to pouco. 
Por que deveria ele ter uma despensa cheia, e eu, apenas um 
pote? Quem lhe deu a chave para o castelo das gelias-e-
conservas? Quem o fez o senhor das gelias de laranja? Quem 
coroou Keith o rei das compotas? No  justo. No  direito. 
Na verdade, por mais que eu pense a respeito...
 exatamente o que eu no deveria fazer. No deveria 
pensar a respeito. Pois repousando no final da trilha deste 
pensamento est a maleta mortal da inveja.
Se voc ainda no viu uma na vida real, j viu uma em 
filmes de espionagem. O assassino a leva pela escada de 
servio, para dentro de uma sala vazia, no topo do edifcio. 
Quando se certifica de que ningum o v, abre a maleta. O 
rifle desmontado acomoda-se no interior acolchoado. O 
escopo, o tambor, a coronha - tudo  espera do atirador. O 
atirador aguardando a chegada de sua vtima.
Quem  a sua vtima? Qualquer um que tenha mais 
que ele. Mais quilates, mais cavalos-vapor, mais espao no 
escritrio, mais membros na igreja. A cobia concentra sua 
ateno sobre aquele que tem mais. "Cobiais e nada tendes; 
matais e invejais, e nada podeis obter" (Tg 4.2).
Honestamente, Max, eu nunca faria isto. Eu nunca 
mataria.
Com um rifle, talvez no. Mas com sua lngua? Com 
seu olhar penetrante? Sua fofoca? "O cimes", informa 
Provrbios 6.34, "enfurece um homem". Voc tem posto os 
olhos em algum? Se o fez, cuidado; "a inveja  a podrido 
dos ossos" (Pv 14.30).
Precisa de um restringente para a inveja? Um antdoto 
para o cimes? O salmo que estamos estudando nos oferece 
um. Em vez de lamentar a compota de pssegos que voc no 
tem, regozije-se no clice transbordante que voc possui. 
"Meu clice transborda (Sl 23.5).
Um clice transbordante  um clice cheio? 
Absolutamente. O vinho atinge as bordas e derrama-se 
pelas beiradas.A taa no  grande o suficiente para conter a 
quantidade. De acordo com Davi, nosso corao no e grande 
o suficiente para conter as bnos que Deus nos quer dar. 
Ele despeja e despeja, at que elas literalmente fluam por 
cima da borda e se derramam sobre a mesa. Voc gostar do 
pargrafo escrito um sculo atrs por E. B. Meyer:
Qualquer que seja a bno em seu copo, ele 
certamente transbordar. Com Ele, o bezerro  sempre o 
bezerro cevado; o manto  sempre o melhor manto; a alegria  
indizvel; a paz, alm do entendimento... No h relutncia na 
benevolncia de Deus; Ele no mede a sua bondade como um 
farmacutico conta as suas gotas e mede as suas gramas, 
vagarosa e precisamente, gota a gota.
O modo de Deus  sempre caracterizado por numerosa 
e transbordante generosidade.
A ltima coisa com que devemos nos preocupar  com 
no ter o suficiente. Nosso copo transborda de bnos.
Deixe-me fazer uma pergunta - uma pergunta crucial. 
Se o concentrar-nos em nossos itens reduzidos leva  inveja, 
o que aconteceria se nos concentrssemos nos itens 
interminveis? Se a conscincia do que no temos cria a 
cobia, seria possvel a conscincia de nossa abundncia 
levar ao contentamento? 
Vamos fazer uma tentativa e ver o que acontece.Vamos 
dedicar alguns pargrafos a um par de bnos que, de 
acordo com a Bblia, esto transbordando em nossas vidas.
Graa abundante. "Onde o pecado abundou, 
superabundou a graa" (Rm 5.20, nfase minha). Abundar  
uma abundncia, um excesso, uma poro extravagante. 
Poderia um peixe no Oceano Pacfico preocupar-se em 
ficar sem oceano? No. Por qu? O oceano abunda com gua. 
Precisa a cotovia ficar ansiosa em achar espao no cu para 
voar? No. O cu abunda com espao.
Deve o cristo preocupar-se com a possibilidade de o 
clice da graa ficar vazio? Ele pode. Pois pode no estar 
consciente da abundante graa de Deus. Voc est? Voc est 
consciente de que o copo que Deus lhe deu transborda de 
misericrdia? Ou voc est temeroso de que o seu copo se 
seque? Sua garantia vai expirar? Voc teme que os seus erros 
sejam grandes demais para a graa de Deus?
No podemos evitar inquirir se o apstolo Paulo tinha o 
mesmo temor. Antes de ser Paulo, o apstolo, ele foi Saulo, o 
assassino. Antes de encorajar os cristos, ele matou cristos. 
Como seria viver com um passado desses? 
Ele sempre encontrava crianas a quem tinha feito 
rfs? 
Suas faces povoavam o seu sono? Paulo sempre 
perguntava: 
"Pode Deus perdoar um homem como eu?"
A resposta  indagao dele e  nossa encontra-se na 
carta que ele escreveu a Timteo: "E a graa de nosso Senhor 
superabundou com a f e o amor que h em Jesus Cristo" (1 
Tm 1.14).
Deus no  avarento com a sua graa. Seu copo pode 
estar baixo de dinheiro ou influncia, mas est 
transbordando de misericrdia. Voc pode no ter o primeiro 
lugar no estacionamento, mas voc tem perdo suficiente. 
"Grandioso  em perdoar" (Is 55.7). Seu clice transborda de 
graa.
Esperana. E porque assim , o seu clice transborda 
de esperana."Ora, o Deus de esperana vos encha de todo o 
gozo, e paz em crena, para que abundeis em esperana pela 
virtude do Esprito Santo" (Rm 15.13).
A esperana do cu faz por seu mundo o que a luz 
solar fazia pelo celeiro de minha av. Devo a ela o meu amor 
por conservas de pssego. Ela envasava a prpria conserva e 
armazenava-a em um poro subterrneo, perto de sua casa 
no oeste do Texas. Era uma cova funda, com degraus de 
madeira, paredes de madeira compensada, e um cheiro de 
mofo. Quando menino, eu costumava descer l, fechar a 
porta, e ver quanto tempo conseguia ficar no escuro. Nem 
mesmo uma nica rstia de luz penetrava aquela toca 
subterrnea. Eu me sentava silenciosamente, ouvindo o meu 
prprio respirar e as batidas do meu corao, ate que, no 
podendo mais agentar, subia correndo a escada e 
escancarava a porta. 
A luz entrava em avalanche no poro. Que mudana! 
Momentos antes, eu no podia ver nada; de repente, 
podia ver tudo.
Como a luz inundando o poro, a esperana de Deus 
inunda o seu mundo. Por cima da doena, Ele faz brilhar o 
raio da cura. Para o enlutado, Ele d a promessa do 
reencontro. Para a morte, Ele acende a chama da 
ressurreio. Para o confuso, Ele oferece a luz das Escrituras.
Deus d esperana. E se algum nasceu mais magro 
ou mais forte, mais claro ou mais escuro que voc? Por que 
contar diplomas ou comparar currculos? O que importa se 
eles tm um lugar  cabeceira da mesa? Voc possui um 
lugar  mesa de Deus. E Ele est enchendo o seu copo at 
transbordar. 
O copo transbordante era um forte smbolo nos dias de 
Davi. No antigo Oriente, os hospedeiros usavam-no para 
enviar unia mensagem ao hspede. Enquanto o copo 
permanecesse cheio, o hspede sabia que era bem-vindo. Mas 
quando o copo ficava vazio, sugeria ao hspede que a hora 
era tardia. Naquelas ocasies em que o hospedeiro realmente 
apreciava a companhia da pessoa, ele enchia o copo at 
transbordar. Ele no parava quando o vinho atingia a borda; 
ele continuava despejando at que o lquido escorresse pelas 
beiradas do copo e se derramasse na mesa.
  Voc j notou como a sua mesa est molhada? Deus 
quer que voc fique. Seu clice transborda de alegria. 
Transborda de graa. No deve o seu corao 
transbordar de gratido?
O corao do menino transbordou. No no comeo, 
objeta voc. Inicialmente ele estava cheio de inveja. Mas, a 
tempo, ele foi cheio de gratido.
De acordo com a lenda, ele vivia com seu pai num vale, 
junto a uma grande represa. Todos os dias, o pai ia trabalhar 
na montanha atrs de sua casa, e retornava com um carrinho 
de mo cheio de terra."Pe a terra em sacos, filho", mandava 
o pai. "E empilhe-os em frente  casa".  E embora obedecesse, 
o menino reclamava. Ele estava cheio daquela terra. Quando 
ele via o que os outros tinham, ficava furioso com eles. "No  
justo", resmungava a si mesmo.
E quando avistava o pai, objetava:
"Eles tm diverso. 
Eu tenho lama".
O pai sorria, punha o brao nos ombros do garoto e 
dizia: "Confie em mim, filho. Estou fazendo o que  melhor".
Porm era muito difcil para o menino confiar. Todos os 
dias o pai trazia o carregamento. Todos os dias o menino 
enchia os sacos. "Empilhe-os o mais alto que puder", instrua 
o pai, enquanto saa para buscar mais. E assim o menino 
enchia os sacos e os empilhava bem alto. To alto, que no 
podia ver alm deles.
"Trabalhe duro, filho", disse o pai um dia. "Estamos 
ficando sem tempo". Enquanto falava, o pai olhava para o cu 
escuro. O menino fitou as nuvens e voltou-se para indagar 
sobre elas. Mas ento o trovo ecoou e o cu se abriu. A 
chuva precipitou-se to forte, que ele mal podia ver o pai 
atravs da gua. 
"Continue empilhando, filho!" E enquanto o fazia, o 
menino ouviu um forte estrondo.
A gua do rio inundou a represa e invadiu a pequena 
aldeia. Num instante, a mar varreu todas as coisas em seu 
caminho, mas o dique de lama deu ao menino e ao seu pai o 
tempo que eles precisavam. "Rpido, filho. Siga-me".
Eles correram para o lado da montanha atrs de sua 
casa, e entraram num tnel. Em questo de momentos eles 
saram do outro lado, correram para o alto da montanha, e 
fizeram uma nova cabana.
"Estaremos seguros aqui", garantiu o pai ao menino. 
Somente ento o filho compreendeu o que o pai fizera. 
Ele havia cavado uma sada. Em vez de dar ao filho o que este 
queria, o pai lhe deu o que ele precisava. Deu-lhe uma 
passagem segura e um lugar a salvo.
No tem o nosso Pai nos dado o mesmo? Uma forte 
parede de graa para proteger-nos? Uma sada segura para 
livrar-nos? A quem podemos invejar? Quem tem mais que 
ns? Em vez de querer o que os outros tm, no deveramos 
nos perguntar se eles possuem o que ns possumos? Em vez 
de invejosos deles, que tal sermos zelosos por eles? Pelo amor 
de Deus, deponham os rifles e segurem os clices. H 
suficiente para todos.
Uma coisa  certa. Quando a ltima tempestade 
chegar, e voc estiver seguro na casa do Pai, voc no 
lastimar o que Ele no deu.Voc estar estupefato com o que 
Ele fez.
17 - A Amorosa Perseguio de Deus
O Fardo da Dvida
Certamente que a bondade e a misericrdia me 
seguiro todos os dias da minha vida. 
Salmos 23.6
Eric Hill tinha tudo o que  preciso para um futuro 
brilhante. Ele tinha vinte e oito anos, era recm-formado na 
universidade, possua um corpo atltico e um sorriso 
agradvel. Sua famlia o amava, as garotas o notavam, e as 
companhias o tinham contatado para trabalhar para elas. 
Embora Eric parecesse sereno por fora, era atormentado por 
dentro. 
Atormentado por vozes que ele no podia calar. 
Incomodado por imagens que no podia evitar. Ento, 
esperando escapar delas, ele fugiu de tudo. Num cinzento dia 
chuvoso de fevereiro, de 1982, Eric Hill saiu pela porta dos 
fundos de sua casa na Flrida, e nunca mais voltou.
Sua irm Debbie recorda t-lo visto descendo 
vagarosamente a interestadual. Ela sups que ele voltaria. 
Ele no voltou. Ela esperou que ele telefonasse. Ele no 
telefonou. Ela pensou que pudesse ach-lo. No pde. Para 
onde Eric viajou apenas ele e Deus sabem, e nem um dos 
dois decidiu-se a contar. 
S o que sabemos  que Eric ouviu uma voz. E naquela 
voz havia uma "designao". E aquela designao era catar 
lixo ao longo da rodovia em San Antonio, Texas.
Para os usurios da Interestadual 10, a sua forma 
magricela e a sua face barbuda tornaram-se uma viso 
familiar. De um buraco num terreno baldio, ele fez uma 
moradia. De umas calas rasgadas e um casaco furado, fez 
um guarda-roupa. Um chapu velho protelava o sol de vero. 
Um saco plstico em seus ombros amenizava o frio do 
inverno. Sua pele gasta pelas intempries e os seus ombros 
encurvados faziam-no parecer ter duas vezes os seus 
quarenta e quatro anos. Dezesseis anos ao longo da rodovia 
fariam o mesmo com voc.
Era quanto tempo se passara desde que Debbie vira 
seu irmo. Ela poderia nunca t-lo visto outra vez, se no 
fosse por dois eventos. O primeiro foi a construo de uma 
revendedora de automveis no terreno baldio de Eric. O 
segundo foi a violenta dor em seu abdome. A revendedora 
levou-lhe a casa. A dor quase levou-lhe a vida.
Ele foi encontrado ao lado da rodovia, contorcendo-se e 
apertando o estmago. O hospital fez alguns exames e 
descobriu-se que Eric estava com cncer. Cncer terminal. 
Mais alguns meses e ele teria morrido. E sem famlia 
ou parentes conhecidos, teria morrido sozinho.
O advogado designado para ele pela justia no podia 
controlar este pensamento: "Certamente, algum est 
procurando por Eric". Ento o advogado varreu a internet 
buscando por algum que estivesse a procura de um homem 
adulto, de cabelos castanhos e sobrenome Hill. Foi assim que 
ele achou Debbie.
A descrio pareceu igualar-se  sua lembrana, mas 
ela precisava ter certeza.
Ento Debbie veio para o Texas. Ela, o marido e dois 
filhos alugaram um quarto de hotel e partiram para encontrar 
Eric. Entrementes, ele havia recebido alta do hospital, mas o 
capelo sabia onde ele estava. Eles o acharam sentado, 
encostado num prdio, no muito longe da interestadual. 
Quando se aproximaram, ele se levantou. Eles ofereceram 
frutas; ele recusou. Eles ofereceram suco; ele declinou. Ele 
era polido, mas indiferente para com a famlia que 
reivindicava ser a dele.
Seu interesse recobrou-se, no entanto, quando Debbie 
ofereceu-lhe um broche. Um broche de anjo. Ele disse sim. A 
primeira vez que ela tocou o irmo em dezesseis anos foi no 
momento em que ele permitiu-lhe prender o anjo em sua 
camisa.
Debbie pretendia ficar uma semana. Porm uma 
semana se passou, e ela permaneceu. Seu marido voltou para 
casa, e ela ficou. A primavera tornou-se vero, e Eric 
melhorou, e ela ainda l. 
Debbie alugou um apartamento, e comeou a ensinar 
os filhos em casa e a aproximar-se do irmo. 
No foi fcil. Ele no a reconheceu. Ele no a conhecia. 
Um dia, ele a xingou. Ele no queria dormir em seu 
apartamento. Ele no queria a sua comida. Ele no queria 
conversar. Ele queria o seu terreno baldio. Ele queria o seu 
"trabalho". Quem era aquela mulher, afinal?
Contudo, Debbie no desistiu de Eric. Ela percebeu 
que ele no compreendia. E ento ela ficou.  Eu a conheci 
num domingo, quando visitou a nossa congregao. Quando 
ela partilhou sua histria, indaguei o que voc gostaria de 
indagar: "Como voc se impede de desistir?"
"Simples", respondeu ela. "Ele  meu irmo".
Eu lhe disse, ento, que a sua busca me recordava 
outra busca - que o seu corao me recordava outro corao. 
Outro bondoso corao que deixara o lar para ir  
procura do perdido. Outra alma compassiva que no podia 
admitir a idia de um irmo ou irm em sofrimento. Ento, 
como Debbie, Ele deixou o lar. Como Debbie, Ele achou seu 
irmo.
E quando Jesus nos achou, agimos como Eric. Nossas 
limitaes impediam-nos de reconhecer aquEle que viera 
salvar-nos. At duvidamos de sua presena - e s vezes ainda 
o fazemos.
Como Ele lida com as nossas dvidas? Ele nos 
persegue. 
Como Debbie perseguiu Eric, Deus nos persegue. Ele 
vai atrs de ns at que finalmente o vemos como nosso Pai, 
mesmo que isto leve todos os dias de nossa vida.
"Certamente que a bondade e a misericrdia me 
seguiro todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do 
Senhor para todo o sempre" (Sl 23.6).
Esta deve ser uma das frases mais doces j escritas. 
Podemos l-la em algumas outras verses?
"Certamente a tua bondade e o teu amor ficaro 
comigo enquanto eu viver. E na tua casa,  Senhor, morarei 
todos os dias da minha vida" (NTLH).
"Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharo 
todos os dias da minha vida, e voltarei  casa do senhor 
enquanto eu viver" (NVI).
"Eu tenho absoluta certeza de que a tua bondade e o 
teu amor cuidadoso me acompanharo todos os dias da 
minha vida. Sim, eu viverei na presena do Senhor para 
sempre!" (Bblia Viva).
Ler o versculo  abrir uma caixa de jias. Cada 
palavra cintila e implora para ser examinada diante de nossas 
dvidas: bondade, misericrdia, todos os dias, habitar na 
casa do Senhor, para sempre. Elas devastam nossas 
incertezas como uma equipe da SWAT faz com um terrorista.
Olhe para a primeira palavra: certamente. Davi no 
disse, "Talvez a bondade e a misericrdia me seguiro". Ou 
"Possivelmente a bondade e a misericrdia me seguiro". Ou 
"Tenho um pressentimento de que a bondade e a misericrdia 
me seguiro". Davi poderia ter empregado uma dessas frases. 
Mas no o fez. Ele acreditava em um Deus seguro, que faz 
promessas seguras e oferece uma base segura. Davi teria 
amado as palavras de um de seus descendentes, o apstolo 
Tiago. Ele descreveu Deus como aquEle "em quem no h 
mudana, nem sombra de variao" (Tg 1.17).
Nosso humor pode se alterar, mas o de Deus no. 
Nossa mente pode mudar, mas a de Deus no. Nossa devoo 
pode vacilar, mas a de Deus nunca. Ainda que sejamos 
infiis, Ele  fiel, pois no pode trair a si mesmo (2 Tm 2.13). 
Ele  um Deus seguro. E porque Ele  uni Deus 
seguro, podemos declarar confiantemente: "Certamente que a 
bondade e a misericrdia me seguiro todos os dias da minha 
vida".
E o que vem depois da palavra certamente? "Bondade e 
misericrdia". Se o Senhor  o pastor que guia o rebanho, 
bondade e misericrdia so os dois ces pastores que 
guardam a retaguarda do rebanho. Bondade e misericrdia. 
No apenas bondade, porque somos pecadores necessitados 
de misericrdia. No apenas misericrdia, porque somos 
frgeis, necessitados de bondade. Precisamos de ambas. 
Como escreveu certo homem, "Bondade para suprir toda 
carncia. Misericrdia para perdoar todo pecado. Bondade 
para prover. Misericrdia para perdoar".
Bondade e misericrdia - a escolta celestial do rebanho 
de Deus. Se esta dupla no refora a sua f, tente esta frase: 
"todos os dias da minha vida".
Que imensa declarao. Olhe a magnitude dela! 
Bondade e misericrdia seguem os filhos de Deus a cada dia, 
e todos os dias! Pense nos dias que ainda viro. O que voc 
v? 
Dias em casa, com crianas apenas? Deus estar ao 
seu lado. Dias em um beco sem sada? Ele o conduzir 
atravs dele. Dias de solido? Ele segurar a sua mo. 
Certamente bondade e misericrdia me seguiro - no alguns, 
no a maioria, no quase todos - mas todos os dias da minha 
vida. 
E o que Ele far durante esses dias? (Aqui est a 
minha palavra favorita). Ele ira "seguir" voc.
Que modo surpreendente de descrever Deus! Estamos 
acostumados a um Deus que permanece num lugar. Um 
Deus que est entronizado nos cus, e governa e ordena. 
Davi, no entanto, visiona um Deus mvel e ativo. Atrevemo-
nos a fazer o mesmo? Ousamos visionar um Deus que nos 
segue? 
Que nos persegue? Que nos caa? Que vem em nosso 
rastro e nos conquista? Que nos segue com "bondade e 
misericrdia" todos os dias de nossa vida?
No  este o tipo de Deus descrito na Bblia? Um  Deus 
que nos segue? H muitas passagens nas Escrituras que nos 
diriam sim. Voc no precisa ir alm do terceiro captulo do 
primeiro livro para encontrar Deus no papel de um 
investigador. Ado e Eva esto escondidos nos arbustos, em 
parte para cobrir seus corpos, em parte para cobrir seu 
pecado. Mas Deus esperou que viessem a Ele? No. As 
palavras soaram no jardim: "Onde est voc?" (Gn 3.9). 
Com esta indagao, Deus iniciou uma busca do 
corao da humanidade que continua at o momento em que 
voc l estas palavras.
Moiss pode contar-lhe a respeito. Ele estava no 
deserto havia quarenta anos, quando olhou por cima do 
ombro e viu um arbusto em chamas. Deus o havia seguido no 
deserto.
Jonas pode contar-lhe tambm. Ele era um fugitivo 
num barco, quando olhou por cima do ombro e viu nuvens se 
formando. Deus o havia seguido no oceano.
Os discpulos de Jesus conheciam o sentimento de ser 
seguido por Deus. Eles estavam encharcados de chuva e 
tremendo, quando olharam por cima do ombro e avistaram 
Jesus andando em sua direo. Deus os havia seguido dentro 
da tempestade.
Uma samaritana sem nome sentiu o mesmo. Ela 
estava sozinha na vida, e sozinha no poo, quando olhou por 
cima do ombro e ouviu o Messias falar. Deus a havia seguido 
atravs de sua dor.
Joo, o apstolo, achava-se exilado na ilha de Patmos, 
quando olhou por cima do ombro e viu o cu comear a se 
abrir. Deus o havia seguido para o exlio.
Lzaro estava morto havia trs dias, num tmulo 
fechado, quando ouviu uma voz, levantou a cabea, olhou por 
cima do ombro e contemplou Jesus de p. Deus o havia 
seguido na morte.
Pedro havia negado o seu Senhor e voltado a pescar, 
quando ouviu o seu nome, olhou por cima do ombro e 
enxergou Jesus preparando o caf da manh. Deus o havia 
seguido apesar de seu fracasso.
Deus  o Deus que segue. Me pergunto... voc j o 
sentiu seguindo voc? Freqentemente no o notamos. Como 
Eric, no reconhecemos nosso Ajudador quando Ele est 
perto.
Mas Ele vem.
Atravs da bondade de um desconhecido. A majestade 
de um pr-do-sol. O mistrio de um romance. Atravs da 
pergunta de uma criana ou da confiana de um cnjuge. 
Atravs de uma palavra beta dita ou de um toque na 
hora certa.Voc j sentiu a sua presena?
Se assim , livre-se de suas dvidas. Deponha-as no 
cho. No mais se sobrecarregue com elas. Voc no  
candidato a insegurana. Voc no  mais cliente da timidez. 
Voc pode confiar em Deus. Ele lhe tem dado o seu amor. Por 
que voc no lhe d as suas dvidas?
No  fcil confiar, voc diz? Talvez no, mas tambm 
no  to difcil quanto voc pensa. Tente estas idias: 
Confie em sua f e no em seus sentimentos. Voc no 
se sente espiritual todos os dias? Claro que no. Mas os seus 
sentimentos no tm impacto sobre a presena de Deus. Nos 
dias em que no se sentir perto de Deus, fie-se na sua f, no 
nos seus sentimentos. A bondade e a misericrdia seguiro 
voc todos os dias de sua vida.
Mea o seu valor atravs dos olhos de Deus, no dos 
seus. Para os demais, Eric Hill era um vagabundo sem lar. 
Mas para Debbie, ele era um irmo. H ocasies em nossa 
vida em que somos andarilhos - sem lar, desorientados, 
difceis de se ajudar e difceis de se amar. Em pocas como 
estas, recorde este simples fato: Deus ama voc. 
Ele segue voc. Por qu? Porque voc  da famlia, e 
Ele seguir voc todos os dias da sua vida.
Veja o quadro grande, no o pequeno. O lar de Eric foi 
tirado. A sua sade foi tirada. Devido  tragdia, porm, a 
sua famlia havia retornado para ele. Talvez o seu lar e a sua 
sade estejam ameaados tambm. O resultado imediato 
pode ser o sofrimento. Contudo, o resultado a longo prazo 
pode ser achar um Pai que voc nunca conheceu. Um Pai que 
seguir voc por todos os dias da sua vida.
A propsito, o ltimo captulo da vida de Eric Hill  o 
melhor. Dias antes de morrer, ele reconheceu Debbie como 
sua irm. E, ao faz-lo, descobriu o seu lar.
Ns tambm o faremos. Igual a Eric, temos duvidado 
de nosso Ajudador. Mas igual a Debbie, Deus  tardio em 
irar-se e determinado a ficar. Como Eric, no aceitamos as 
ddivas de Deus. 
Mas como Debbie, Deus assim mesmo as oferece. Ele 
nos d seus anjos, no apenas espetados numa lapela, mas 
postados em nosso caminho.
E acima de tudo, Deus nos d a si prprio. Mesmo 
quando preferimos nossa choupana  sua casa, ou lixo  sua 
graa, Ele ainda nos segue. Nunca nos fora. Nunca nos 
deixa. Pacientemente persistente. Fielmente presente. Usando 
todo o seu poder para convencer-nos de que Ele  quem , e 
que podemos confiar nEle para nos guiar ao lar.
A sua bondade e misericrdia seguir-nos-o todos os 
dias de nossas vidas.
18 - Quase Cu
O Fardo da Saudade
E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre. 
Salmos 23.6
Pelos ltimos vinte anos, tenho desejado um co. Um 
grande co. Porm sempre houve problemas. O apartamento 
era pequeno demais. O oramento era apertado demais. As 
meninas eram novas demais. Porm acima de tudo, Denalyn 
no se entusiasmava. Sua lgica? Ela j se casara com um 
bicho desajeitado e babo. Por que aturar mais um? Ento, 
transigi, e arranjei um cozinho.
Eu gosto de Salty, mas ces pequenos no so 
realmente ces. Eles no latem; ganem. Eles no comem; 
beliscam. Eles no lambem voc; fungam apenas. Eu gosto de 
Salty; contudo, eu queria um co de verdade. Um tipo de 
cachorro melhor-amigo-do-homem. Um gordo-patudo, 
grande-comilo, lambe-face. Um tipo de cachorro que voc 
pode selar ou lutar, ou ambas as coisas.
Eu estava sozinho em minha paixo at Sara nascer. 
Ela adora ces. E dois de ns ramos capazes de fazer oscilar 
a votao domstica. Denalyn cedeu, e Sara e eu comeamos 
a busca. Descobrimos uma mulher na Carolina do Sul que 
criava excelentes ces de caa, num ambiente cristo. 
Desde o nascimento, os ces eram cercados por 
msicas inspiradoras e oraes (No, no sei se eles davam o 
dzimo dos biscoitos). Quando o treinador disse que ela tinha 
lido meus livros, embarquei. Uma mulher com tal bom gosto 
, seguramente, uma boa criadora, certo?
Ento, encomendei um filhote. Enviamos o cheque, 
selecionamos o nome Molly, e arranjamos um canto para a 
sua almofada. A cadelinha nem ainda nascera, e j tinha 
nome, direitos e um lugar na casa.
No pode o mesmo ser dito sobre voc? Muito antes do 
seu primeiro choro, o seu Dono reivindicou voc, deu-lhe um 
nome, e pendurou uma tabuleta de reservado em seu 
aposento. Voc e Molly possuem mais em comum que cheiro 
e hbitos alimentares (Brincadeirinha).
Vocs esto ambos sendo preparados para uma 
viagem. 
Preferimos os termos maturidade e santificao a 
desmama e treino, porm d tudo no mesmo. Voc est sendo 
preparado para a casa do seu Dono. Voc no sabe a data da 
partida ou o nmero do vo, mas pode apostar a sua rao de 
filhote como ver o seu Proprietrio algum dia. No  esta a 
promessa concludente de Davi?
"E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre" (Sl 
23.6).
Onde voc habitar para sempre? Na casa do Senhor. 
Se a casa dEle  a sua "casa eterna", o que faz esta casa 
terrena? Acertou! Moradia a curto-prazo. Esta no  a nossa 
casa. "Nossa ptria est no cu" (Fp 3.20).
Isto explica a saudade que sentimos.
Voc j ansiou estar em casa? Posso partilhar uma 
ocasio em que senti isto? Eu estava passando o vero de 
meus dezenove anos no norte da Georgia. O povo daquela 
regio  bastante agradvel, mas ningum  muito amvel 
com um vendedor ambulante. Houve ocasies naquele vero 
em que me senti to desolado, que me parecia os meus ossos 
se desfariam.
Uma dessas vezes foi  beira de uma estrada. Era tarde 
e eu estava perdido. Eu havia parado a fim de pegar uma 
lanterna e um mapa. A minha direita havia uma casa de 
fazenda. Nela morava uma famlia. Eu sabia que era uma 
famlia porque pude v-los. Atravs da grande janela de vidro, 
pude ver a me, o pai, o menino e a menina. Normam 
Rockwell os teria posto numa tenda. A me estava servindo o 
jantar, o pai, contando uma histria, e as crianas, rindo. E 
eu fiz o que pude para impedir-me de tocar a campainha e 
pedir um lugar  mesa. Sentia-me to longe do lar.
O que eu senti naquela noite, alguns de vocs tm 
sentido desde que... 
seu marido morreu.
seu filho foi sepultado.
voc ouviu sobre o ndulo em sua mama ou a mancha 
em 
seu pulmo.
Alguns de vocs tm se sentido longe do Lar desde que 
o 
seu lar se desfez.
As guinadas e viradas da vida tm um modo de nos 
fazer lembrar: no estamos em casa, aqui. Esta no  a nossa 
ptria. No somos fluentes na linguagem de doenas e morte. 
A cultura confunde o corao, o barulho interrompe o nosso 
sono, e nos sentimos distantes do lar.
E, sabe de uma coisa?  assim que tem de ser.
A saudade  uma das cargas que Deus no quer que 
voc carregue.
Ns, assim como Molly, estamos sendo preparados 
para outro lar. E ns, como o periquito de Green Bay, 
sabemos que ainda no estamos l.
O nome dela era Pootsie. Ela escapou de seu dono e 
ficou sob a custdia da associao humanitria. Quando 
ningum mais a reivindicou, Sue Gleason o fez. Elas se 
acertaram. Conversaram e tomaram banho juntas, tornando-
se amigas rapidamente. Um dia, contudo, a avezinha fez algo 
inacreditvel. Ela sobrevoou a senhora Gleason, ps o bico 
em sua orelha e cochichou: "Rua South Oneida, 1500, Green 
Bay".
Gleason estava assombrada. Ela pesquisou e descobriu 
que o endereo existia. Ela foi at l e encontrou um homem 
de setenta e nove anos, chamado John Stroobants.
"Voc tem um periquito?", indagou ela.
"Eu tinha. Sinto terrivelmente a sua falta".
Quando ele viu a sua Pootsie, vibrou de emoo. "Voc 
sabe, ela sempre soube o nmero do telefone".
A histria no  to maluca quanto voc pode pensar. 
Voc tem um endereo eternal fixado em sua mente, 
tambm. 
Deus "ps a eternidade no corao do homem" (Ec 
3.11). No ntimo voc sabe que no est em casa ainda.
Ento, cuidado para no agir como se estivesse. No 
arrie a carga rpido demais. Voc penduraria quadros na 
parede de um nibus? Voc prepararia um quarto numa 
parada de beira de estrada? Voc carregaria a sua cama 
tamanho extra num vo comercial?
Voc trataria este mundo como um lar? Ele no . A 
maior calamidade no  sentir-se longe do lar quando se est, 
mas sentir-se em casa quando no se est. No extinga, 
antes, atice este anelo pelo cu.
A casa de Deus  uma casa para sempre. "E habitarei 
na casa do Senhor para todo o sempre" (Sl 23.6).
Meus amigos Jeffe Carol acabaram de adotar duas 
criancinhas. Christopher, o mais velho, tem apenas trs anos, 
mas ele sabe a diferena entre a casa de Jeff e o orfanato de 
onde veio. Ele conta a todos os visitantes: 
"Esta  minha casa para sempre".
No ser maravilhoso quando dissermos o mesmo? 
No poderamos usar uma casa eternamente? Esta casa em 
que estamos no dura para sempre. Aniversrios recordam-
nos este fato.
Enquanto escrevia este livro, fiz quarenta e seis anos. 
Estou mais perto dos noventa do que da infncia. Tudo 
o que dizem sobre envelhecimento tem-se mostrado 
verdadeiro. Estou me dando menos tapinhas nas costas e 
mais sob o queixo. Tenho tudo o que tinha h vinte anos, s 
que agora est tudo mais gasto. Outro dia, eu tentei esticar 
as rugas de minhas meias, e descobri que no estava usando 
meia alguma. Posso relatar a descrio que Dave Barry faz 
sobre envelhecimento:
... problemas dentrios, mau-funcionamento intestinal, 
deteriorao muscular, instabilidade emocional, lapsos de 
memria, perda de viso e audio, impotncia, doenas 
repentinas, tumores, problemas na prstata, funo dos 
membros grandemente reduzida, deficincia coronria grave, 
morte, e claro, doloroso inchao hemorroidal.
Envelhecimento. No  divertido. Pelo modo como 
tentamos evit-lo, voc pensaria ser possvel. Maquiamos o 
corpo, preservamos o corpo, protegemos o corpo. E fazemos 
bem. Nossos corpos so ddivas de Deus. Devemos ser 
responsveis. Mas tambm devemos ser realistas. Este corpo 
deve morrer para que o novo corpo possa viver. 
"Carne e sangue no podem herdar o Reino de Deus, 
nem a corrupo herda a incorrupo" (1 Co 15.50).
Envelhecimento  idia de Deus.  um dos meios de 
Ele nos manter em direo  Ptria. No podemos mudar o 
processo, mas podemos mudar nossa atitude. Eis aqui um 
pensamento: E se olhssemos para o envelhecimento do 
corpo do modo como olhamos para o crescimento de uma 
tulipa?
Voc j viu algum lamentando a morte do bulbo da 
tulipa? O jardineiro chora quando o bulbo comea a 
enfraquecer? Claro que no. No compramos cinta para a 
tulipa, nem creme antirugas-para-ptalas, nem consultamos 
o cirurgio-plstico-para-folhas. No lamentamos a morte do 
bulbo; celebramo-la. Amantes de tulipas exultam no 
momento em que o bulbo cede. "Veja aquele", diz ele. "Est 
para florir".
Poderia ser que o cu fizesse o mesmo? Os anjos 
apontam para o nosso corpo. Quanto mais frgeis nos 
tornamos, mais animados eles se tornam. "Veja aquela 
senhora no hospital", dizem eles. "Est para florir". "Vigie 
aquele companheiro com o corao fraco. Logo ele estar 
vindo para o lar".
"Tambm gememos em ns mesmos, esperando a 
adoo, a saber, a redeno do nosso corpo" (Rm 8.23).
Nossos corpos esto livres agora? No. Paulo os 
descreve como nosso "corpo terreno" (Fp 3.21). Ou como 
exprimem outras verses:
"nosso corpo humilhado" (NVI)
"nosso corpo de humilhao" (RA)
"nosso corpo abatido" (RC)
"nosso corpo fraco e mortal" (NTLH)
Voc poderia acrescentar seus prprios adjetivos, no 
poderia? 
Que palavra descreve o seu corpo? Meu corpo 
canceroso. 
Meu corpo artrtico? Meu corpo deformado? Meu corpo 
aleijado? Meu corpo sempre-expansvel? A palavra pode ser 
diferente, mas a mensagem  a mesma: Estes corpos so 
fracos. Eles comearam a decair no minuto em que 
comeamos a respirar.
E de acordo com Deus, isto  parte do plano. Cada 
ruga e cada agulha levam-nos um passo mais perto do ltimo 
passo, quando Jesus mudar nossos corpos simples em 
corpos eternos. No mais dor. No mais depresso. No mais 
enfermidade. No mais fim.
Esta no  a nossa casa eterna. Ela serve para o tempo 
presente. 
No h nada, porm, como o momento em que 
entramos por sua porta.
A Molly pode lhe contar. Aps um ms em nossa casa, 
ela fugiu. Cheguei em casa uma noite e encontrei o lugar 
inusitadamente quieto. Molly se fora.
Ela escapulira sem ser vista. A busca comeou 
imediatamente. Dentro de uma hora, soubemos que ela 
estava longe, longe de casa. Agora, se voc no gosta de bicho 
de estimao, o que estou para dizer soar-lhe- estranho. Se 
voc os aprecia, entender.
Voc entender porqu andamos de um lado para 
outro na rua, chamando o seu nome. Voc entender porqu 
dirigi pela vizinhana s dez e meia da noite. Entender 
porqu coloquei um pster na loja de convenincia e 
convoquei a famlia para uma orao (Honestamente, eu o 
fiz). Entender porqu enviei e-mails ao pessoal, pedindo 
orao, e  sua criadora, pedindo conselho. E voc entender 
porqu estvamos prontos para lanar confetes e festejar 
quando Molly apareceu.
Eis o que sucedeu. Na manh seguinte, Denalyn 
estava voltando para casa depois de levar as meninas  
escola, quando viu o caminho do lixo. Ela pediu aos homens 
para ficarem alertas quanto a Molly, e apressou-se para casa 
a fim de receber um grupo de mes para orar. Logo aps a 
chegada das senhoras, o caminho do lixo parou em nossa 
entrada, um dos homens abriu a porta, e fez saltar a nossa 
cadela. 
Ela tinha sido encontrada.
Quando Denalyn telefonou-me para contar, eu mal 
pude ouvir-lhe a voz. Era festa em nossa cozinha. As 
senhoras estavam festejando o retorno de Molly.
Esta histria pipoca de simbolismo. O dono deixa a 
casa, procurando pelo perdido. Vitrias em meio a orao. 
Grandes coisas surgindo do lixo. Porm, acima de 
tudo: celebrao na chegada ao lar. H mais uma coisa que 
voc tem em comum com Molly - uma festa em seu retorno ao 
lar.
Naquele momento, apenas uma bagagem restar. Nada 
de culpa. Ela foi deposta no Calvrio. Nenhum temor da 
morte. Ele foi deixado no tmulo.A nica bagagem que ainda 
perdurar ser esta saudade do lar, dada por Deus. 
E quando voc o vir, voc a depor. Exatamente como 
um soldado de regresso depe ao cho os seus apetrechos, 
quando v a esposa, voc depor o seu anelo quando vir o seu 
Pai. Aqueles que voc ama gritaro. Aqueles que voc conhece 
aplaudiro. Mas 
todo o alarido cessar quando Ele tomar-lhe o queixo e 
disser: "Bem-vindo ao lar". E com a mo cicatrizada, Ele 
enxugar cada lgrima de seus olhos.
E voc habitar na casa do seu Senhor - para sempre.
Concluso
Adormeci no Louvre.
O museu mais famoso do mundo. O edifcio mais 
conhecido de Paris. Turistas exclamando "Oh!" e "Ah!" e l 
estava eu, cochilando e roncando. Sentado num banco. 
Encostado  parede. Queixo no peito. Quebrado.
As jias da coroa no saguo. Rembrandt na 
parede.Van Gogh, um andar acima. A Vnus de Milo, um 
andar abaixo. Eu deveria estar de olhos arregalados e 
estrelados.
Denalyn estava. Voc pensaria que ela estivesse na 
liquidao da Foley's Red Apple. Se havia uma excurso, ela 
ia. Se havia um boto para apertar, ela apertava. Se havia uni 
panfleto para ler, ela o lia. Ela no queria parar nem para 
comer.
Mas eu? Concedi  Mona Lisa cinco minutos.
Vergonhoso, eu sei.
Eu deveria ter sido mais como o companheiro perto de 
mim. Quando dormitei involuntariamente, ele estava 
trespassado sobre a verso de uma flor do artista Dutch, do 
sculo dezessete. Quando acordei, o sujeito ainda estava 
pasmado. Fechei os olhos novamente. Quando os abri, ele 
ainda no se movera.
Inclinei-me para ele e tentei parecer reflexivo. 
"Impressionante, no!" Nenhuma resposta. "As 
sombras so obra de mestre". 
Nenhuma rplica. "Voc acha que  uma pintura em 
srie?" 
Ele suspirou e no disse nada. Contudo, eu sei que ele 
estava pensando, "Inculto desajeitado".
Ele estava certo. Eu era. Todavia, no era falha minha. 
Eu aprecio arte do sculo dezessete tanto quanto o 
sujeito ali perto... 
Bem, talvez nem tanto. Mas ao menos eu posso ficar 
acordado.
Porm no naquele dia. Por que ca no sono no Louvre?
Culpa das malas, baby; culpa das malas. Eu estava 
exausto de arrastar a bagagem da famlia. Carregvamos 
mais malas que o grupo teatral volante de O fantasma da 
pera.
No posso culpar minha esposa e minhas filhas. Elas 
aprenderam comigo. Lembra? Eu sou aquele que viaja 
preparado para um casamento subaqutico e um torneio de 
boliche. J  mau o suficiente para uma pessoa viajar assim, 
mas, cinco? Esgotar voc.
Voc acha que nunca vou aprender a viajar sem 
bagagem?
Sabe de uma coisa? Vamos fazer um pacto. Eu reduzo 
as sacolas de couro, e ns dois reduzimos as emocionais. 
Afinal, uma coisa  cochilar no Louvre, outra, cochilar 
na vida.
Podemos, voc sabe. No habitamos na galeria de 
nosso Deus? No  o cu a sua tenda e a humanidade a sua 
obra-prima? No vivemos cercados de obras de arte? Pores-
do-sol incandescentes. Ondas encapeladas.
E no  a alma o seu estdio? O nascimento do amor, 
o legado da graa. Por toda parte  nossa volta, milagres 
espocam como pirilampos - almas so tocadas, coraes so 
mudados, e...
Uaaah. Deixamos passar. Dormimos enquanto 
acontecia. 
No podemos evitar.  duro viver, arrastando atrs as 
culpas de ontem. Este saco de estopa cheio de preocupao 
deixa meu pescoo em um lao.
O temor da morte  suficiente para quebrar as costas.
 tambm suficiente para fazer voc perder a magia da 
vida. 
Muitos a perdem a cada domingo. Pessoas boas, bem 
intencionadas, sentadas na igreja, lutando para manter os 
olhos - se no os da face, ao menos os do corao - abertos.
E o que perdemos? Perdemos Deus fendendo os cus 
para ouvir-nos cantar. No devamos estar esticados para o 
cu, na ponta dos ps em nossos bancos?
O que perdemos? Deus est reunindo-nos em 
comunho! No deveramos estar distribuindo, juntamente 
com o po e o vinho, sais volteis para despertarmos uns aos 
outros de nossos desmaios de pavor?
O que perdemos? A Palavra de Deus. No deveramos 
segur-la como nitroglicerina? No deveramos estar de olhos 
abertos? Deveramos, mas na ltima semana arrastamos pela 
cidade aquele ba de descontentamento. E alm disso, no 
pudemos dormir na noite anterior; ficamos rolando nossa 
sacola de lona de desapontamentos.
Ento, desembaracemo-nos de nossas bagagens! De 
uma vez por todas, entreguemos a Ele as nossas 
cargas.Vamos peg-lo em sua Palavra! "Vinde a mim, todos os 
que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mt 
11.28).
Descansar da carga de um deus pequeno. Por qu? 
Porque achei o Senhor.
Descansar de fazer as coisas do meu modo. Por qu? 
Porque o Senhor  o meu Pastor.
Descansar das necessidades infindveis. Por qu? 
Porque nada me faltar.
Descansar das fadigas. Por qu? Porque Ele me faz 
descansar.
Descansar da preocupao. Por qu? Porque Ele me 
conduz.
Descansar do desespero. Por qu? Porque Ele refrigera 
a minha alma.
Descansar da culpa. Por qu? Porque Ele me guia pela 
vereda da justia.
Descansar da arrogncia. Por qu? Por amor do seu 
nome. 
Descansar do vale da morte. Por qu? Porque Ele me 
leva atravs dele.
Descansar da sombra da aflio. Por qu? Porque Ele 
me guia.
Descansar do medo. Por qu? Porque a sua presena 
me conforta.
Descansar da solido. Por qu? Porque Ele est 
comigo. 
Descansar da vergonha. Por qu? Porque Ele preparou 
para mim uma mesa na presena dos meus inimigos. 
Descansar dos meus desapontamentos. Por qu? 
Porque Ele me unge.
Descansar da inveja. Por qu? Porque meu clice 
transborda.
Descansar da dvida. Por qu? Porque Ele me segue. 
Descansar da saudade. Por qu? Porque habitarei na 
casa do meu Senhor para sempre.
E amanh, quando, pela fora do hbito, voc pegar de 
volta a sua bagagem, largue-a de novo. Deponha-a outra vez e 
novamente, at aquele doce dia em que voc descobrir que 
no a est pegando de volta.
E naquele dia, quando voc sentir a carga suspensa, 
quando houver dado um passo no sentido de viajar sem 
bagagem, quando tiver energia para ponderar sobre os 
mistrios da vida, faa-me um favor. Caminhe pelo saguo e 
vire  esquerda. Espere a sua vez atrs das cordas vermelhas. 
D unia boa e longa olhada na Mona Lisa, e diga-me: o que 
h de especial nela, afinal?
***
Max, Denalyn e suas duas filhas vivem em San 
Antonio, Texas, onde ele serve na Oak Hills Church of Christ.
 




 




 




 




2
